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Antes de mais, fica aqui um agradecimento á empresa Liquid Dragon, por me fornecerem a imagem usada neste artigo.

odissey.JPG

Finalmente, aqui fica a imagem que conclui um artigo anterior a este. Apesar de não ser totalmente fidedigna, é elucidativa para todos aqueles que se interrogam sobre o percurso (apesar de aproximado) que Ulisses seguiu na sua odisseia, após a mítica batalha de Tróia. Na imagem (e volto a dizer, a mesma não está totalmente correcta) podem-se ver, por alto, alguns pormenores interessantes: a presença de Polifemo na costa de África, a saca que guardava os ventos na Sicília, a entrada para o Hades perto do norte de Itália (normalmente no lago Averno, para quem estiver curioso), precedida pelas sereias e alguns dos mitos menos conhecidos. Finalmente, aparece a ilha de Calypso (a ninfa que aprisionou o herói durante 7 anos) e Ítaca.

Um pormenor que isto me recorda é o seguinte: fazendo as contas, Ulisses passou mais de 14 anos fora de casa (7 anos na guerra de Tróia, 7 anos na ilha de Calypso, mais uns anos de viagens). Como será que os pretendentes da esposa de Ulisses não deram pelo subtrefúgio que impedia o casamento (quem conhecer a história sabe do que eu estou a falar...), ao longo de todos esses anos? Também (e perdoem-me o tom jocoso), como foi possível a esposa do herói ser fiel durante 14 anos, sem ter o homem em casa?!
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Outro dia estava a ler mensagem da mailing list de mitologia em que participo (a qual já foi publicitada por aqui anteriormente) e este tema surgiu por lá. Um tema certamente interessante, devo admitir.

Enquanto que nos dias de hoje a morte é geralmente vista como uma coisa má, com o próprio Hades a ser imaginado como um deus mau, um outro Satanás ou mesmo a personificação da própria morte (a qual aparece representada nas mais diversas formas nos dias de hoje), algo que não é certamente verdade.
Hades era, acima de tudo, tratado pelos antigos com o mesmo respeito que qualquer um dos outros deuses, sendo-lhe até consagrados alguns tempos e diversos cultos. O seu reino, apesar de se tratar vulgarmente do submundo, era por vezes apelidado de "reino dos mortos", mas nem por isso era um sítio triste ou monótono, um tema interessante para ser desenvolvido num artigo posterior.

O papel de matar, no sentido mais directo, era dado a Thanatos, irmão de Hypnos (entidada representante do sono) e filho de Nyx (a noite) e Erebus (a escuridão). É certamente curiosa a sua relação com Hypnos, visto grande parte das mortes tomarem parte durante o sono. Quanto aos seus pais, é talvez graças a eles que vem a conotação negra, negativa, dada hoje ás entidades relativas á morte. Um outro facto interessante é que a própria figura de Thanatos parece mudar durante os tempos clássicos, começando por ser uma personagem um pouco negra mas acabando até por ser representada por figuras fisicamente mais atraentes.

Por tudo isto, nota-se que a conotação negativa de Hades não é certamente merecida. O próprio deus mostrou por diversas vezes ser provido de sinceros sentimentos e de alguma benevolência, como pode ser visto no mito de Orfeu e Eurídice e também no de Perséfone, bem como em muitos outros. Apesar de não me recordar de um mito específico para apoiar esta teoria (apesar de a mesma surgir, em parte, nos "Diálogos" de Platão, mais especificamente em "Fédon"), Hades parece ser, acima de tudo, alguém que tenta gerir o seu domínio, algo que (e como já dito em artigos anteriores) também Poseídon e o poderoso Zeus tinham de fazer. No entanto, o medo que a humanidade tem do desconhecido tornou talvez Hades numa figura bem mais negra do que seria originalmente...
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