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Nos últimos dias, tive finalmente a oportunidade de jogar mais um jogo com conteúdo retirado da mitologia grega, chamado God of War ", o qual está disponível para a consola Playstation 2.

Apesar de se tratar de um jogo demasiado violento, é interessante constatar o aparecimento de figuras como hidras (o herói chega a fazer uma viagem ao interior da mesma), minotauros , hárpias , sereias e medusas, entre muitas outras. Apesar do modo como essas figuras são representadas não ser totalmente fiel (por exemplo, Hades é mostrado como um ser monstruoso), é interessante poder ver o modo como as mesmas foram adaptadas, para terem um carácter mais guerreiro.

Ainda assim, o herói chega a interagir com diversos deuses da mitologia grega, os quais o ajudam durante toda a aventura, ou simplesmente nela aparecem, como é o caso do titã Cronos. Através desses deuses, é ganha a hipótese de atirar raios de Zeus, usar a cabeça da medusa para petrificar inimigos ou respirar debaixo de água, uma habilidade oferecida pelo tridente de Poseídon . Aparecem, ainda, objectos como a tão conhecida caixa de Pandora, que acaba por desempenhar um  papel importante na história.

No final, existe ainda um confronto contra o próprio deus da guerra, Ares, que acaba por servir como antagonista ao personagem principal, por razões explicadas durante a aventura.


Muito infelizmente, tenho de desaconselhar este jogo a todos aqueles que gostem de mitologia. Apesar da aventura estar bem escrita, os cenários serem, geralmente, fieis à época e o jogo apresentar um ou outro pormenor interessante, em termos do uso da mitologia, é também incrivelmente violento, ao ponto de ter recebido a classificação de "Para Maiores de 18 anos". Existem cenas demasiado violentes, com o herói a decapitar minotauros , arrancar cabeças a medusas, matar pobres inocentes, centenas de litros de sangue a jorar de tudo quanto é sítio, entre muitas outras coisas do género.

Ainda assim, quem quiser saber mais sobre o jogo, pode visitar o site do mesmo, disponível aqui .

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Para quem tiver lido a "Ilíada" e "Odisseia", é fácil notar o tempo que Ulisses esteve afastado de casa - pelo menos 20 anos. Após o período da viagem inicial, o herói passou 10 anos na famosa Guerra de Tróia, antes de ter passado outros 10 anos a tentar voltar para casa.

Apesar de parecer simples, existem duas questões que sempre me passaram pela cabeça:

- Como conseguiu Penélope ser fiel, durante todo esse tempo?

- Como foi possível enganar os pretendentes, durante mais de 10 anos, recorrendo sempre ao mesmo método?

Opiniões, alguém as tem?
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Como prometido no post anterior, aqui fica um artigo, mais desenvolvido, sobre o mais famoso oráculo da Grécia Clássica.

Segundo a história, Zeus soltou duas águias, em diferentes direcções, e elas iriam cruzar-se acima da cidade, provando que esta era, efectivamente, o centro de todo o mundo. Sobre a sua fundação, pouco se sabe, mas o nome da Pítia (bem como o dos Jogos Píticos , realizados no mesmo local) provém de uma serpente, Píton , morta pelo deus Apolo.

Assim, a mais importante característica da cidade era a existência do templo consagrado a Apolo, no qual o deus, através da sua representação terrena, respondia a questões postas pelos visitantes. Foram certamente muitas as profecias atribuídas a este oráculo, tendo sido visitado por personalidades tão ilustres como Alexandre Magno, Nero ou mesmo o lendário Herácles .

Apesar de não estar totalmente confirmado, existe alguma informação que diz que os serviços do templo apenas estavam disponíveis nos meses quentes, com o culto a a Dioniso a tomar lugar durante o tempo restante. No entanto, mesmos nos meses frios, os visitantes podiam obter previsões simples (aquelas ás quais fosse possível responder com um "sim" ou "não"), ou auxílio relativo a sonhos que tenham tido.

Para pôr alguma questão ao deus, os visitantes tinham fazer algumas ofertas ao templo, entre elas um ramo da árvore consagrada ao deus e algum dinheiro. Quando, finalmente , lhes fosse permitido falar com a sacerdotisa, a mesma desceria para uma pequena câmara, a qual lhe era reservada, e na qual a Pítia teria, após um determinado ritual, uma resposta do deus, normalmente em forma poética.

Eventualmente, também essa bela forma foi abandonada, com o eventual declínio do politeísmo greco-romano, e as respostas passaram a ser em simples prosa. Assim, também o critério de selecção de uma futura Pítia foi alterado: primariamente virgens cultas e de boas famílias, as quais  tinham de abandonar tudo para seguir o seu serviço no templo, eventualmente foram escolhidas mulheres mais simples.

Sobre a pequena câmara no interior do templo, à qual apenas a sacerdotisa tinha acesso,  bem como o modo de interpretação das crípticas respostas de Apolo, pouco se sabe. A sala continha, essencialmente, uma grande cadeira com 3 pés, na qual essa encarregada da comunicação com Apolo se sentava, mas deviam certamente existir mais objectos relacionados com o culto.

Em suma, toda a antiga cidade de Delfos parece ter crescido em torno deste famoso templo, com a própria economia a dele depender. Poucos séculos após o seu apogeu, este local de culto seria abandonado, devido ao crescente interesse geral pelo religião cristã. Curiosamente, cerca de 400 anos após o nascimento de Cristo, o oráculo viria a prever o seu próprio final, ao declarar que "Apolo não tinha abrigo", "as fontes estavam agora silenciosas" e "está acabado" - interessantes provas da proveniência dos poderes da Pítia. Essa é, talvez, a mais clara prova escrita de que a euforia e loucura da sacerdotisa provinha de uma fonte gasosa, situada abaixo do templo, e que deve ter sido inutilizada por um terramoto.

Durante mais de 12 séculos, o Oráculo de Delfos foi responsável por conquistas, mudanças radicais no modo de vida de diversas cidade-estado gregas, bem como tornar meros mortais em semideuses . No entanto, viria a morrer, por volta de 400 depois de Cristo, vítima de uma das maiores religiões de hoje, a  religião católica.
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De acordo com o já conhecido mito, na antiga cidade de Delfos existia o famoso templo de Apolo, ao qual as pessoas se poderiam dirigir, a fim de pôr alguma questão ao já referido deus.

Segundo se pensa (e sem desenvolver muito desta tema, o qual será abordado num próximo artigo), a Pítia, uma jovem encarregada de cuidar do templo, entrava seguidamente numa câmara fechada, na qual, através de um complexo processo, contactava com Apolo,  recebendo informação que lhe permitisse responder à questão posta pelo visitante.

Hoje, diz-se que os alegados poderes provinham de um gás,  proveniente de uma falha geológica situada abaixo do templo, o qual faria a Pítia alucinar e, eventualmente, providenciar uma resposta, o que retira toda a mística ao local.

No entanto, isto faz pensar: o politeísmo, enquanto religião vigente na Grécia Clássica,  foi eventualmente adoptado pelos romanos e, mais tarde, decepado definitivamente pelo Cristianismo. Se, hoje, uma crença nos poderes do Oráculo de Delfos parece totalmente ridícula, é importante notar que as coisas não mudaram assim tanto.

O pilar principal do Cristianismo - a ressurreição de Jesus Cristo - não apresenta quaisquer provas visíveis, uma ausência partilhada por todas as outras religiões modernas. Assim, remetem-se todas as conclusões para uma mera questão de fé. Assim, tal como hoje se acredita em religiões pregadas pelos mais diversos profetas, também a religião da Grécia Clássica partilhava da sua principal base - a fé dos que nela acreditam.

Ainda assim, e voltando especificamente ao Oráculo, é importante analisar a principal característica do recinto - a capacidade de prever o futuro - algo que é, hoje em dia, considerado simplesmente ridículo. Pois bem, tudo se remete, mais uma vez, a uma questão de fé. Tal como a Pítia, ainda hoje existem pessoas que clamam a possibilidade de ver o futuro. Acreditar-se que é, ou não, possível prever o futuro é, também essa, uma pura e simples questão de fé.

Se pretendermos recorrer à racionalidade, o Oráculo, enquanto mecanismo de contacto com os deuses, seria não mais que um simples mito. No entanto, ao mesmo tempo, ter-se-ia também de pensar na impossibilidade (teórica) da ressurreição de Cristo, bem como muitos outros factos patentes nas diversas religiões.
Deste modo, compreende-se que a crença no Oráculo de Delfos depende apenas de nós próprios, e daquilo em que escolhemos acreditar.



(Uma nota extra: apesar de neste artigo eu ter optado pelo nome "Pítia", a designação "Pitonisa" também é, normalmente, usada para definir a sacerdotisa do templo de Apolo).
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