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Bastante tempo após génese a dos deuses gregos, viria a ser criada a humanidade. Numa das versões, esta seria concebida por Prometeu e Epimeteu, que criaram os seres humanos à sua imagem, usando barro. Ainda assim, a mais famosa versão da génese humana viria, segundo os Gregos Antigos, de uma história narrada no "Mito das Idades". Segue-se um resumo do mito, que escrevi há já uns bons meses.

A primeira das cinco idades, denominada “Idade de Ouro”, teve lugar durante o reino de Cronos. Nessa altura, os humanos viviam entre os deuses e morriam durante o sono, de forma pacífica e sem qualquer espécie de temores.
Quando Zeus passou a ser o rei do Olimpo, atingiu-se a “Idade de Prata”, em que os humanos viviam 100 anos sob a forma de crianças, antes de envelhecerem rapidamente e morrerem. Era uma geração mais impiedosa que os seus predecessores e, por vezes, desrespeitavam os deuses, pelo que Zeus decidiu extinguí-los.
Depois, seria este deus a criar uma nova casta, na chamada “Idade de Bronze”. Nesse momento, os humanos limitavam-se a guerrear, utilizando as suas armas feitas de bronze, acabando por se matar uns aos outros.
De acordo com algumas versões, seguiu-se a “Idade dos Heróis”, em que os heróis e os semideuses viveram. Há que ter em conta que esta Idade nem sempre é considerada na contagem, o que reduz o seu número para quatro, segundo alguns autores.
Finalmente, surgiu a “Idade do Ferro”, em que a degradação da humanidade estagnou. Os humanos passaram a temer os deuses e apesar de tal situação nunca ter vindo a acontecer, dizia-se que esta raça também iria ser destruída por Zeus, numa altura em que os bebés nascessem com cabelo cinzento.

Apesar desta versão não nos falar exactamente do momento em que a humanidade nasceu, deixa-nos entender a criação do Homem à imagem de deus, algo que o Cristianismo e muitas outras religiões antigas professavam. Tendo em conta a sequência aqui seguida, seria não só possível justificar as imperfeições a que toda a humanidade estava sujeita, bem como também explicar a ausência de povos lendários, como os Hiperbóricos ou os habitantes dos jardins das Hespérides.
A "Idade dos Heróis", possivelmente uma adição tardia ao mito, seria importante para explicar a ausência de criaturas míticas e heróis lendários na época em que esses Gregos viviam. Assim, seria compreensível o desaparecimento dos Ciclopes e dos Centauros (entre muitas outras figuras), bem como a ausência de Circe, Atlas e figuras similares.
Um tal mito não deve obviamente ser encarado como verdadeiro, mas é uma história certamente interessante.

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Em resposta a Ulisses, Penélope e os 20 anos de ausência, o Paulo levantou a hipótese de que a imperfeição humana, quando comparada com uma perfeição mais divina de Ulisses e Penélope, se poderá dever às distinções feitas no "Mito das Idades", que será abordado de seguida.
Confesso que nunca pensei nessa questão do modo que ele a referiu. É verdade que os míticos heróis gregos viveram na "Idade do Bronze" ou, de acordo com outras versões, na "Idade dos Heróis", alturas em que os seres humanos eram mais similares aos deuses, mas é importante notar que a fidelidade não parece ser um dom divino. O próprio Zeus, o mais famoso dos deuses gregos, era dado ás mais diversas aventuras amorosas, apesar de ser possível que ele ele fosse a excepção e não a regra, tendo em conta a fidelidade (aparente) de Hades, entre muitas outras figuras mitológicas. É certamente plausível e possível, essa hipótese levantada pelo leitor.


Em Ressureição de Cristo e a Mitologia Clássica, o mesmo leitor refere a história de Esculápio como referência à capacidade de ressuscitar os mortos. Poderei estar enganado, mas parece-me que essa é uma das poucas ressureições patentes, de forma não metafórica, na mitologia greco-romana.
A história desse deus é um pouco obscura e desconhecida daqueles que sabem pouco sobre esta mitologia, mas deve-se ter em conta que esse filho de Apolo pretendeu ir, pelos seus actos, contra a ordem natural das coisas. Ao ressuscitar, por mais de uma vez, um mortal, é possível que tivesse suscitado algum temor ao deus dos mortos. Assim, a vingança viria a surgir, tal como aconteceu em relação a outras figuras mitológicas. Também Ícaro, no seu confronto com Hélio, ousou desafiar a supremacia desse deus-sol, acção pela qual viria a sofrer as devidas consequências.
De futuro, é possível que eu dedique algum artigo a Esculápio, bem como à vida (e morte) na mitologia grega.
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Pequena notícia

03.05.07
Para quem estiver interessado, eu escrevi dois pequenos guias sobre os conteúdos mitológicos que aparecem no jogo "God of War", bem como na sua sequela. Estão apenas disponíveis em Inglês e podem ser vistos nos links abaixo.

God of War

God of War II

Devo, contudo, voltar ao que tinha dito anteriormente: apesar de ambos os jogos serem muito interessantes, em termos de mitologia, desaconselho que os mais puristas os joguem, tendo em conta a extrema violência que contêm.
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