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Metamorfoses

05.06.07
Nas diversas Mitologias Clássicas são diversos os mitos em que pessoas são transformadas em animais ou, mais frequentemente, em plantas. Apesar de uma tal mudança ser ainda impossível no mundo de hoje, o seu propósito literário é simples.

Em qualquer curso de Mitologia, é sempre referido que a criação de mitos assenta num simples pressuposto, a necessidade da humanidade em compreender e aceitar o mundo que a rodeia. Assim, a existência de diversos animais, bem como plantas e fenómenos terrenos, era justificada através desses mitos, possibilitando aos Antigos uma fácil compreensão de todas essas existências.
O mito de Narciso e de Eco, criação do antigos Gregos, é uma simples evidência disto mesmo. Ao serem punidos pelos deuses, Narciso viria a ser transformado na flor a que hoje dá o nome, com Eco uma ter estranha condenação: apesar de jamais ter a oportunidade de falar em primeiro lugar, teria sempre a última palavra.

Apesar destas figuras parecerem ter, em termos gerais, funções mais decorativas e explicativas do que religiosas, a sua importância não deve ser esquecida. Inicialmente privados de mais complexos métodos de catalogação de espécies e com uma parca compreensão do mundo que os rodeava, os antigos tinham nestas figuras a sua visão do mundo. Existem dezenas, talvez centenas de exemplos possíveis, mas os mitos que apresentam metamorfoses costumam ter um enorme factor comum: por castigo dos deuses, um qualquer mortal era transformado numa nova criatura ou planta.

Através destes detalhes entende-se a importância com que os Antigos viam o seu próprio género, atribuindo a existência de bastantes animais e plantas aos seus congéneres, por via divina.
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De uma forma estranha, devo admitir que este é um tema que me fascina. Contrariamente ao que sucedia na Mitologia Nórdica, com o Ragnarök, e ao carácter cíclico da Mitologia Egípcia, a ausência de um final na Mitologia Greco-Romana é um pouco enigmática.

Em diversos mitos, alguns dos quais já foram por cá referidos, era mencionada a queda de Zeus. Apesar de um tal evento jamais ter ocorrido, é um pouco triste o final que esta mitologia viria a ter. Nenhum mito narra o seu improvável final, mas é hoje fácil de entender o que realmente se passou.

Séculos após o aparecimento de Zeus e das outras entidade gregas, o Cristianismo teria o seu advento. Seguindo a trama já explicitada em artigos anteriores, existiu uma adopção gradual de alguns símbolos greco-romanos por parte da nova religião, com figuras como Apolo a serem associadas a Cristo.

Contudo, esta modificação vai muito mais longe. Muitos outros aspectos Greco-romanos seriam adoptados pela nova religião que, ao ter elementos em comum com as anteriores, teria a sua disseminação facilitada para a propagação ao longo da Europa. Assim, e de uma forma inesperada, é possível entender algumas semelhanças entre Moisés e Poseidon. O próprio Cristo pode ser visto como uma fusão entre Dioniso e Perséfone, com a associação ao vinho e ao pão a ter relação directa com os mitos de ambos. É ainda possível que os mistérios de Elêusis, bem como os cultos a Dioniso e muitas outras divindades, estejam directamente ligados à origem do próprio Cristianismo. Infelizmente, os registos a esses cultos encontram-se hoje perdidos, permitindo-nos pensar que poderá lá existir mais do que a história hoje narra.

No entanto, tais hipóteses levariam a uma curiosa hipótese, a da inexistência de Cristo, ou mesmo um exagero dos dons do mesmo, assunções que são impensáveis para as sociedades modernas. Uma interessante hipótese, que talvez valesse a pena debater...
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