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Desta vez, fica por cá a referência a alguns trabalhos de Ovídio que considerei curiosos. Obviamente que contêm uma forte componente mitológica, mas são também interessantes fontes para o modo de vida dos Romanos da época Clássica. Apresento, ainda, links para um local onde podem ler a obra traduzida para Inglês.

 

Amores

Uma interessante obra sob a temática do amor.

Ars Amatoria (ou Arte de Amar)
Uma obra sobre a arte da sedução.

Fasti (ou Os Fastos)
Como o nome indica, trata-se de uma obra sobre os festivais romanos. Encontra-se incompleta, talvez em virtude da morte prematura do escritor.

Heroides (ou Epístolas das Heroínas)
Esta interessante obra apresenta algumas cartas (obviamente ficcionadas) escritas entre amantes da Mitologia Greco-romana. A título de curiosidade, existe uma carta de Dido para Eneias, uma Medeia para Jasão e duas relativas a Helena e Páris, entre muitas outras.

Metamorphoses (ou As Metamorfoses)
Possivelmente a mais famosa obra deste autor, apresenta a criação e história do mundo segundo a visão Greco-romana.

Remedia Amoris (ou A cura para o Amor)
Nesta obra, o autor tenta ajudar aqueles que sofrem de males originados pelo Amor.


Caso exista interesse, poderei mais tarde elaborar artigos sobre cada uma destas obras.

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Adónis

21.07.07
O mito grego de Adónis, que narra uma simples ligação desta figura mitológica com uma possível crença na existência da vida após a morte. Infelizmente, também é um daqueles mitos assolados por muitas versões diferentes. Assim, segue-se um pequeno resumo do mito, tentando evitar os pontos conflituosos abrangidos pelas diversas versões.

Após o nascimento, Adónis foi recolhido por Afrodite. Esta, encantada com a beleza do jovem, teve de o enviar para o reino de Hades , no qual também Perséfone passou a admirar a beleza deste.
Incapazes de escolher quem ficaria com o jovem, consultaram Zeus. O deus dos deuses decidiu que Adónis passaria quatro meses com cada uma das deusas, tendo um terço do ano para si mesmo.
Com ciúmes , um outro habitante do Olimpo enviou um javali, que viria a matar Adónis. Do sangue deste jovem nasceria uma nova flor, a Anémona , e um rio.

Apesar de relativamente simples, este mito apresenta-nos uma crença na existência de vida após a morte. Adónis, ao ter a possibilidade de ir ao submundo e voltar por diversas vezes, demonstra-nos a possibilidade da morte e reencarnação cíclica do ser humano.
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Lares

16.07.07
Apesar de não existirem na Mitologia Grega, os Lares surgem na Mitologia Romana como entidades protectoras da casa de da família. As suas funções viriam a confundir-se, mais tarde, com as de muitas outras divindades menores, tornando-se também entidades representantes dos mares, dos cruzamentos, dos viajantes, etc. , em que lhes eram atribuídos diversos apelidos.

É possível que esta difusão se tenha tornado um modo de simplificar as influências gregas, em que diversos elementos naturais tinham patronos diferentes. É também possível que fosse uma forma primária do que se vive hoje em dia, em que existem, por exemplo, santos protectores das cidades e mesmo dos elementos, com o culto dessas mesmas figuras a se restringir a locais específicos, fora dos quais podem ser até completamente desconhecidas.
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Confesso que tinha um artigo sobre a Mitologia Egípcia planeado para hoje mas, no espírito das "Novas 7 Maravilhas do Mundo", resolvi escrever um artigo sobre as já desaparecidas maravilhas, até porque um criança de 10 anos faria melhor trabalho do que aquele que foi apresentado na televisão portuguesa.

Após pensar bastante no assunto, achei que não me seria correcto fazê-lo sem deixar bem clara a minha posição em relação ao evento de hoje, pelo que tentarei ser breve:


Deixando isto de uma forma muito clara, uma tal eleição é simplesmente ridícula. É, a meu ver, impossível comparar o Coliseu de Roma, um edifício com mais de 1500 anos, com o  Castelo Neuschwanstein ou a Estátua da Liberdade, monumentos com menos de 200 anos. Tais escolhas remetem-se a meras formalidades, possivelmente dadas para promover um ou outro monumento.
Sinceramente, será que algum Americano vai escolher as Estátuas da Ilha da Páscoa em detrimento da tão patética Estátua da Liberdade? Duvido!
Será que os habitantes do Camboja, grande parte dos quais nem deve saber o que é um computador, virá à internet para votar em Angkor Wat , ou seja no que for? Duvido!
Cristo Redentor? Bem, se é para votar nesse monumento, porque não se vota no tão lisboeta Cristo-rei ?
Claro que compreendo os benefícios de uma votação online, mas nem toda a gente tem computador, discriminando todos aqueles que, apesar da sua cultura, intelecto ou interesse, não têm acesso a meios para nela votar...
Para acabar este "desabafo", quero deixar uma crítica ao programa em questão: se eu quisesse palhaçada, ia ao circo. Num evento com esta importância (....) esperava ver mais informação sobre cada uma das Maravilhas, em detrimento de ouvir a Shakira , a "Tia Amélia" ou algum cantor que vendeu alguns discos a tentar ganhar a vida. Ainda para mais, um evento que misture o Cristiano Ronaldo com o  Neil Armstrong só tem um adjectivo para o classificar: ridículo!


Agora, indo ao que realmente importa, um artigo sobre as Sete Maravilhas do Mundo. Devo dizer que esta lista nunca foi votada, aparecendo inicialmente no trabalho do grego Antípatro de Sídon . Existe alguma informação sobre a existência de outras listagens realizadas na Antiguidade, mas infelizmente as suas componentes estão hoje perdidas.

O Colosso de Rodes, estátua de cerca de 30 metros de altura, adornava o porto da famosa cidade. Diz-se que esta estátua de Hélios era feita de bronze, apresentava numa das mãos uma tocha que servia de farol e estava situada acima da entrada para o porto, pelo que todos os barcos teriam de passar por baixo das pernas do deus.
Apesar da sua grandiosidade, esta estátua foi destruída por um terramoto menos de 100 anos após a conclusão da sua construção. Quanto aos seus vestígios, diz-se que foram vendidos a mercadores árabes, pouco tempo tempo após esta catástrofe.

A Estátua de Zeus em Olímpia era, de acordo com as descrições, uma figura com cerca de 12 metros de altura, feita de ébano e marfim. De acordo com as descrições, olhar para uma tal estátua fazia os mortais esquecerem todos os seus problemas, o que poderá ser uma interessante prova da sua beleza.
Tal como sucederia a muitos outros templos, também este teria todo o seu conteúdo destruído. Não se sabe as circunstâncias exactas, com grande parte dos autores a admitirem que pode ter sido destruída pelos cristãos, de modo a garantir um maior afastamento das religiões pagãs.

O Farol de Alexandria, com uma estrutura de cerca de 130 metros e cuja luz chegava a uma distância de mais de 50 Km , estava situado na ilha de Faros, perto do Egipto.
Por volta do ano 1350 d.C. a estrutura seria vítima de um terramoto, que eventualmente conduziria à sua destruição.

Os Jardins Suspensos da Babilónia, localizados no actual Iraque, eram um interessante complexo de terraços que apresentava os mais belos jardins da Antiguidade, apesar de ter sido construído no meio de um deserto. Infelizmente, pouco mais se sabe sobre os mesmos, até porque as provas da sua existência se remetem a documentos antigos.
Foram destruídos na sequência de um terramoto, por volta do século 1 a.C.

O Mausoléu de Halicarnasso (ou Mausoléu de Mausolo ) era um gigantesco túmulo feito para o falecido Mausolo pela sua mulher, Artemisia . Estava decorado com motivos da mitológicos grega em toda a sua extensão e, segundo reza a lenda, foi concluído mesmo após a morte da própria Artemisia , pelo que se tornaria não só um monumento aos dois amantes (como viria a acontecer , séculos mais tarde, com o Taj Mahal ) mas aos próprios construtores.
Situado na actual Turquia, foi destruído por um terramoto por volta do ano 1500 d.C., tendo os seus restos sido usados para a construção de outros edifícios. Hoje em dia os seus vestígios resumem-se a algumas pedras a assinalar o local.

Sobre a Pirâmide de Guiza , Guizé ou Quéops (entre outros nomes), não há muito que se lhes possa dizer. Como é óbvio, ainda por lá estão e podem ser facilmente visitadas, pelo que existe extensa informação sobre a mesma.

O Templo de Ártemis , situado na actual Turquia, era um dos maiores templos Gregos. Originalmente consagrado à famosa deusa da caça, apresentava mais de uma centena de colunas de uma altura mítica e uma lindíssima estátua da deusa. Segundo os relatos da época, o magnífico templo dava a sensação de chegar aos céus, sendo considerado por alguns como a mais bela de todas as Maravilhas.
Após sobreviver a séculos de conflitos, e por estranho que pareça, este templo foi destruído por um único homem, que em busca de fama eterna lhe pegou fogo. Assim, hoje em dia só os vestígios de uma única coluna do templo podem ser vistos no local.

É interessante constatar o destino geral destas Maravilhas - quatro delas foram destruídas por terramotos e duas pelo ser humano.
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Rei Midas

07.07.07
"O toque de Midas ", ao qual existem algumas alusões na cultura ocidental, é talvez o detalhe mais conhecido deste mito. Contudo, acho que vale a pena dedicar alguns minutos a referir, de forma geral, os seus contornos, por razões que serão mais tarde referidas:


As aventuras deste rei começaram após conhecer um dos mais famosos discípulos de Dioniso . Possivelmente sob a influência dos desígnios deste deus, Sileno tinha-se perdido do resto do séquito. Assim, o famoso monarca da Frígia ajudou-o a reencontrar o deus, feito pelo qual lhe foi atribuída a possibilidade de realizar um único desejo.
De forma obviamente irreflectida, o rei Midas adquiriu a habilidade de transformar tudo aquilo em que tocasse em ouro. Assim, o monarca estava impedido de ingerir qualquer espécie de alimentos, tornando a sua própria filha numa enorme estátua dourada.
Com novo auxílio do deus do vinho, toda a normalidade seria reposta, tendo o monarca compreendido o que realmente importa na vida. Infelizmente, a sua aventura não terminou por aqui.

Mais tarde, este famoso habitante da Frígia seria testemunha de um concurso de música entre Pã e Apolo. Contrariamente aos outros juízes, o rei admitira a (estranha?) superioridade de Pã Assim, insultado com uma tão ridícula decisão, o deus da medicina e da música transformou as orelhas de Midas nas de um burro, uma aparência que talvez lhe servisse melhor.
Após uma metafórica traição de Pã e alguma vergonha pública, o monarca teria as suas orelhas originais de volta, mas não sem que tivesse aprendido a sua lição.


A história do Rei Midas é, apesar da sua aparente simplicidade, um rico exemplo da Mitologia Grega e das lições que esta nos pode transmitir.
Motivado pela tão humana avareza, tentou adquirir o dom da riqueza infinita, sem compreender o valor da própria vida e dos detalhes que a ela nos ligam. Poderia ter todo o ouro do mundo, mais jamais poderia voltar a tocar aqueles que amava ou comer um único alimento, o que levaria à sua morte. Felizmente compreendeu a lição, e o benevolente deus do vinho e da vinha ajudá-lo-ia a resolver os seus problemas.

Ainda assim, a burrice deste rei levá-lo-ia a um outro problema. Ao optar por um jocoso Pã em detrimento do mítico Apolo, cujos dotes musicais eram simplesmente lendários, este rei teria um castigo que lhe seria merecido. É importante referir que não se sabe a totalidade das razões que levaram Midas a tomar uma tal decisão, mas foi possivelmente irreflectida, tendo em conta a diferença de qualidade entre os dotes das duas divindades.

De forma geral, o mito deste Midas (muitos outros existiam nessa altura) é um interessante apelo à reflexão humana. Toda e qualquer decisão leva o ser humano para um determinado caminho, que é sempre consequência dos seus actos. Assim, o famoso rei foi, de forma clara, uma vítima das suas escolhas.
Esta é a interpretação mais básica, mais clara do mito, mas leva-nos a uma problemática já anteriormente retratada - a existência do Destino, das Moiras. Grande parte dos mitos greco-romanos falam-nos da crença na sua existência, o que impediria que os seres humanos efectivamente tomasse decisões sobre a suas próprias vidas. Visto deste ângulo, Midas era um simples boneco nas mãos do Destino, nada mais.

Há que reparar, ainda assim, na ausência de uma profecia. Mitos como o de Édipo apresentam, de forma clara, o trabalho das Moiras, mas fazem-no ao apresentar uma profecia que acaba por ser, mais cedo ou mais tarde, cumprida. Obviamente que isso não sucede aqui, permitindo-nos teorizar que nem todos os Gregos e Romanos acreditavam no Destino.
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Num outro comentário foi-me pedido um artigo que relacionasse os chamados "mitos urbanos" com os mitos da Antiguidade Clássica.

Pois bem, a relação entre ambos é bem mais simples do que poderá parecer, existindo um exemplo em que se facilmente compreende essa relação. Segundo os Romanos, a extinção da chama sagrada, que adornava cada casa e cidade, seria a prenúncio de que algum desastre estava para acontecer. Então, após a extinção do fogo de Roma, por ordem do próprio imperador, o famoso Império viria a cair, o que demonstra que o mito poderia ter um fundo de verdade.

Assim, isto leva-nos a pensar nas diferenças que existem entre os mitos clássicos e os mitos urbanos, aqueles que podemos ouvir no nosso dia-a-dia. Bem, as semelhanças são óbvias, mas a principal diferença tem unicamente a ver com a época em que foram criados. Um mito é, na sua forma mais simples, uma tentativa do Homem explicar o que não compreende no mundo. Assim sendo, tal como o Homem Antigo não compreendia a existência dos terramotos ou das trovoadas, também o Homem Moderno teme e não compreende alguns dos detalhes da sua vida citadina.

Para cada aspecto da vida moderna, poderá existir um qualquer mito que lhe venha a ser associado, tendo em conta a psicologia humana. Por exemplo, o Homem sempre temeu a escuridão, e este medo leva-o a pensar nos perigos que esta pode esconder. Tal como os gregos temiam a Hecáte de um período mais tardio, também nós tendemos a temer a noite, cujos perigos tentamos não explorar.

Para os mais adeptos das tecnologias, são poucos os dias que passam sem se receber um e-mails que referem "faz isto ou o programa X é cancelado". Apelativos ao medo patente na mente humana, que teme tudo aquilo que não compreende, uma situação similar também sucedia na mitologia egípcia, em que os faraós eram incitados à sepultura juntamente com os seus bens, sob pena de renunciarem aos privilégios que poderia ter no outro mundo.

Apenas para dar mais um exemplo, alguns mitos urbanos falam de tesouros escondidos. Também os Gregos apresentavam mitos similares, com uma entrada para o reino de Hades (rei dos submundo, mas também senhor das riquezas subterrâneas) a ser localizada perto de um determinado lago.

Como é fácil constatar, qualquer espécie de mito assenta num simples pressuposto - a existência de factores que grande parte dos seres humano desconhecem e temem - adaptando apenas o contexto à época em que se vive, o que lhe dá um carácter actual independentemente do tempo e local onde vivemos.
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Mito de Pandora

02.07.07
Um dos artigos recentemente pedidos neste blog era o do famoso Mito de Pandora. Neste,  e como poderá ser visto em seguida, Pandora, a primeira mulher, é culpabilizada pelos males de toda a humanidade. Curiosamente, esta mesma temática seria abordada em muitas outras mitologias e religiões, com uma das mais famosas referências a aparecerem na Bíblia, em que Eva, esposa de Adão e primeira mulher, seria também ela a culpada pelos males que hoje afligem o mundo. Segue-se um pequeno resumo:


Segundo o mito, a história de Pandora surge na sequência de alguns logros perpetrados por Prometeu, que viriam a privilegiar a humanidade em detrimento dos deuses do Olimpo.
Para se vingar, Zeus criou Pandora, a primeira mulher, e enviou-a a Epimeteu , que a deveria tomar como esposa.
Contrariamente ao que o irmão, Prometeu, lhe tinha aconselhado, Epimeteu aceitaria este presente vindo do Olimpo. Infelizmente, Pandora viria também com um objecto, no qual estavam contidos todos os males, dos quais a humanidade estava ainda liberta.
Vítima da sua curiosidade, esta primeira mulher abriria o objecto que lhe está associado, libertando todos os males e deixando, curiosamente, um simples dom por libertar - a esperança.

O mito de Pandora é normalmente terminado por aqui, mas esta personagem também se tornaria a mãe de Pirra , cujo matrimónio com Deucalião acaba por ser a base para um outro mito. Infelizmente, pouco se sabe em relação ao matrimónio desta importante figura com Epimeteu , além do que foi referido acima.

Existe um outro pormenor que vale a pena explorar. Apesar do objecto normalmente associado a Pandora ser uma caixa, existe alguma iconografia em que ela também aparece com outros objectos, entre eles uma jarra. Segundo alguns autores, este factor poderá vir de alguns erros na tradução dos mitos originais, ou mesmo alguma adaptação nos mesmos, uma opinião de que eu partilho.

Finalmente, deve-se notar aquele que considero como sendo um dos pormenores mais importantes deste mito - a presença da "esperança" no interior de um objecto que, alegadamente, só continha males. Deixando de lado a hipótese de erros na tradução do mito (se pensarmos bem, isso poderá ser dado como uma desculpa para justificar seja o que for, o que poderá ser perigoso), esta presença parece quase injustificável. É possível, talvez, que a esperança fosse considerada como uma perdição, ao incitar a sociedade grega a lutar por ideais que, segundo as leis imutáveis das Moiras, seriam ridículos. Se o Destino realmente existia, sob a forma das três Moiras, que sentido teria a esperança de uma vida melhor?
É uma mera hipótese, mas talvez uma das mais interessantes que tenho para apresentar. Caso alguém tenha outras, obviamente que está à vontade para as deixar por cá...
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