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Finalmente, consegui arranjar uma cópia desta obra, para a minha colecção pessoal. Trata-se, como o próprio nome indica, de uma obra sobre interpretação de sonhos, mas compreende essencialmente dois pormenores essenciais, que merecem certamente ser analisados.

 

Em termos gerais, esta é uma obra que relata costumes, bem como vários outros elementos da própria cultura grega, de uma forma extremamente jovial. O autor chega, em determinadas alturas, a questionar a própria religião, quando se refere à Titanomaquia como uma simples história, apesar de considerar outros mitos (por exemplo, o de Seleno) como reais e, portanto, dignos de ser considerados na própria arte de interpretação dos sonhos. Desse ponto de vista, esta é uma obra que merece realmente ser lida, para que se possam conhecer melhor vários elementos da cultura grega.

 

Contudo, de um ponto de vista mais filosófico, esta obra é bastante rica, e dá muito que pensar. Ao tentar ensinar a arte de interpretação de sonhos ao seu próprio filho, Artemídoro de Éfeso (ou, segundo ele escreve na própria obra, Daldânio) refere que a própria interpretação de sonhos pode ser executada recorrendo-se somente a uma justaposição e associação de ideias, o que acaba por ser uma interessante visão da própria psique humana. Em termos práticos, não é de todo possível compreender o que nos sucede nos sonhos nocturnos, mas uma teoria deste género leva-me a pensar que, mais do que preverem o futuro, os sonhos podem condicionar as nossas acções. O próprio Artemídoro o escreveu, quando disse que os sonhos de quem os sabe interpretar acabam por ser bastante diferentes, mais crípticos, que aqueles dos comuns mortais...

 

Recordo-me, por exemplo, de um caso referido por esse autor, em que um homem tinha um sonho que parecia prever que a futura esposa se tornaria uma prostituta; infeliz com um tal presságio, e após várias peripécias, esta esposa acabou por falecer sem cumprir esse provável destino. Ao pensar que o conteúdo da profecia já se teria, até certo ponto, cumprido, o homem casou com uma outra mulher, sendo esta que acabaria por realmente se tornar prostituta... pura realidade, ou será que a própria previsão de sonhos, enquanto ciência inexacta, condicionou as acções do próprio homem?

 

Pense-se nisso... se, por uma qualquer via, um homem da época contemporânea soubesse que ia morrer vítima de um acidente de automóvel, é bastante provável que tendesse a tentar evitar os carros; a previsão, como se poderá ver neste caso, condicionaria as próprias acções humanas, e por conseguinte levaria a caminhos que, normalmente, ele até poderia jamais vir a cruzar.

 

Assim... será que os sonhos têm realmente uma capacidade obscura de ajudar a prever o futuro? Fica a questão aberta para debate...

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