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Finalmente, consegui adquirir uma cópia desta obra, também conhecida por Naturalis Historia. É certamente mais séria que a obra de Cláudio Eliano anteriormente por cá mencionada, e posso dizer que, em termos gerais, não tem tanto interesse (ou piada) para o leitor comum como a anterior. Do ponto de vista cultural, isso sim, é uma obra bastante interessante, uma vasta enciclopédia que nos permite compreender vários aspectos da cultura antiga.

 

O autor, Plínio o o Velho (tio de Plínio o Jovem), começa por falar de características terrenas, prosseguindo para temas como geografia, biologia, metais, pedras preciosas, entre muitos outros. De notar que todos os temas se encontram organizados de uma forma lógica, quase como uma narrativa, em que cada capítulo tende a entrelaçar-se no seguinte através da relação entre os temas. Para mencionar, por exemplo, o início do VIII livro, o autor começa por falar dos animais da terra, dos quais destaca o elefante; depois, nos capítulos seguintes, refere algumas informações relativas a este animal e suas características - quando foi visto pela primeira vez em Itália, como treiná-los, a importância do marfim, as diferentes especíes de elefantes, etc. Tudo bastante arrumado, de fácil pesquisa, quase como as enciclopédias a que temos acesso nos dias de hoje. Desta forma, é extremamente fácil pegar numa cópia da obra e encontrar, de forma rápida, exactamente aquilo que procuramos. Claro que encontrar o que procuramos nem sempre é assim tão directo como seria de supôr - relativamente ao elefante, as referências a este extendem-se por vários capítulos - mas pelo menos existe uma forma, se bem que rude e básica, de se encontrar mais facilmente o que procuramos.

 

Agora, em relação aos mitos, existem também aqui algum cepticismo. Veja-se, por exemplo, parte do capítulo  LXX do livro X:

O pássaro pégaso, com cabeça de cavalo, e o grifo com orelhas e o bico em forma de gancho (...) eu julgo servem fabulosos. (...) Também as sereias não merecem o nosso crédito (...) Quem acreditar neste género de coisa também não negará que as serpentes, ao lamberem  as orelhas de Melampo, lhe deram o poder de entender a língua dos pássaros.

 

Ainda assim, é importante mencionar que este cepticismo é somente aparente, e não absoluto. O autor também fala de criaturas como o basilisco, refere a transexualidade das hienas, volta ao tema dos pássaros que adoram tudo o que é grego, refere os amores de golfinhos por vários jovens, e outros temas que, para nós, poderão parecer mera fantasia, mas que naquela altura eram considerados como reais.

 

Para terminar, importa então mencionar que esta é uma obra imprescindível para todos aqueles que pretendam compreender melhor alguns elementos da cultura romana no século I d.C.. Contudo, posso também afirmar que é uma obra demasiado pesada para uma leitura meramente lúdica.

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