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Momo

06.03.10

Momo era, na mitologia grega, uma personificação do sarcasmo e da ironia. É provável que existam vários outros mitos relativos a esta mesma figura, mas aquele que aqui irei mencionar sempre me pareceu ser o mais popular e significativo.

 

Antes de abordar o mito propriamente dito, devo referir que tenho algumas dificuldades em classificá-lo justamente como tal. Por um lado, o episódio que vou contar aparece brevemente em autores como Luciano de Samósata (veja-se a alusão ao mesmo na obra Hermotimus), e em tudo se assemelha a um qualquer outro mito, mas também é uma fábula de Esopo - hoje referida como Babrius 59 ou Perry 100 - e é com essa designação que Aristóteles a menciona no terceiro livro de De Partibus Animalium. Tendo essa consideração em mente, passe-se então a uma versão simplista da trama:

 

Zeus, Poseídon e Atena estavam a fazer um concurso para ver qual deles conseguia fazer algo realmente bom, e Momo foi escolhido para juiz. Zeus criou um homem, Atena uma casa, e Poseídon um touro.

Em seguida, Momo criticou o homem por não ter uma janela para o coração (que permitiria ver o que este queria fazer), a casa por não ter rodas (o que impediria os proprietários de a moverem de um lado para o outro) e o touro por não ter olhos abaixo dos cornos (o que lhe permitiria atacar com uma melhor precisão).

 

A moral por detrás desta fábula é bastante simples: quem quer encontrar falhas acaba sempre por conseguir fazê-lo, mas isso não diminui a importância da própria criação.

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Hinos Homéricos

05.03.10

Apesar do nome, importa começar por dizer que estes hinos não foram compostos por Homero, e a sua designação provém do facto de se assemelham, em termos de estilo, aos épicos desse autor.

Ao todo, tratam-se de 33 hinos sobre diversos deuses e divindades gregas, como Afrodite, Atena, Hermes, Héracles, Castor e Pólux, Gaia ou Hera. Por vezes estas figuras são apresentadas juntamente com alguns mitos, mas também são frequentes os casos em que as figuras são simplesmente invocadas pelo autor, sem que exista a referência a um qualquer mito.

Também, importa mencionar que não são 33 as figuras abordadas, já que as temáticas se tentem a repetir - existem três hinos a Dionísio, três a Afrodite, dois a Hermes, dois a Castor e Pólux, ...

 

Não irei, por motivos de tempo e espaço, dissecar todos os hinos - quem os quiser ler pode fazê-lo, em versão inglesa e de forma gratuita, no seguinte link - mas farei breves alusões a alguns deles.

 

 

O primeiro destes hinos, dedicado a Dionísio, está em más condições, independentemente da edição que se consulte. Ainda assim, podem ser vistas algumas alusões ao local de nascimento do deus - não nasceu em Tebas, Naxos ou Dracanum, mas foi criado na montanha de Nysa (já que nasceu de Zeus, um mito não contado aqui) - e pouco mais.

 

Num hino de Deméter, um dos mais longos desta colecção é contado o mito que a relaciona com Perséfone, aquele que explica as estações do ano, e um dos mais famosos da mitologia grega.

 

Mais à frente, o hino de Hermes conta-nos algumas das aventuras deste deus. Ainda bebé, raptou o gado de Apolo e criou a primeira lira, que depois acabaria por dar a Apolo, e que se tornaria um símbolo maior deste segundo deus.

 

O hino a Ares, o oitavo da colecção, parece cingir-se a uma invocação do deus, em vez de apresentar um qualquer mito com ele relacionado. Essa mesma tendência parece continuar nos hinos seguintes, dedicados a Artemis, Afrodite, Atena, Hera, Deméter, à "mãe de todos os deuses", Héracles e Esculápio, entre muitas outras figuras.

 

Mais tarde, o 31º hino fala de Hélios (ou Hélio). Mais do que apresentar um mito relativo a esta figura, o hino fala-nos de algumas das características do deus, e relata a sua viagem diária ao longo dos céus.

 

O 33º, e último, hino fala-nos dos Dióscuros - Castor e Pólux . É-nos contado, de forma sumária, o mito do nascimento destes gémeos, antes de nos ser relembrada a sua função de protectores dos marinheiros.

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