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Bocca della Verità

 

São certamente mais que muitos os monumentos de Roma que poderiam ser mencionados por cá, mas creio que este tem um interesse especial, pelo menos por agora.

 

A "Boca da Verdade" obteve este seu nome através de um mito medieval segundo o qual a mão de um mentiroso seria cortada ao ser colocada na boca da figura. Infelizmente, apesar de existirem múltiplas teorias sobre a proveniência deste disco, a sua utilidade original, ou mesmo qual a figura que representa, não existe ainda qualquer conclusão real. Ainda assim, sempre achei muito curiosa a forma como este disco se popularizou, de há uns anos para cá - sob a forma de máquinas de leitura de sina, uma quase perfeita fusão entre a Antiguidade e o nosso século.

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Há uns dias atrás tive finalmente a oportunidade de ir ao Museu do Teatro Romano (já anteriormente mostrado por cá), em Lisboa, mas creio que posso classificar a visita como uma desilusão.

 

Eu já conhecia o Teatro Romano em si, e este até pode ser visitado a qualquer hora do dia ou da noite na Rua de São Mamede, mas quanto ao museu a que serve de pano de fundo, tem muito pouco para ver. Como se isso não fosse suficiente, o pouco que tem para ver (maioritariamente elementos arquitectónicos retirados do próprio Teatro Romano, algumas moedas, etc.) parece-me estar apresentado de uma forma bastante rudimentar, desinteressante excepto para um público muito específico, o de estudantes universitários da área.

Também, os elementos multimédia do museu não estavam disponíveis na altura (será que alguma vez o estão?), e as funcionárias do museu eram tudo menos simpáticas. Normalmente esse aspecto não seria importante, mas quando nos é indicado que devemos pedir um dado suporte a uma funcionária e depois esta parece mais interessada em nos despachar rispidamente do que em nos ajudar, creio que passa a ser bem mais relevante.

 

Em termos de aspectos positivos, creio que o mais importante é mesmo o facto deste museu ser gratuito para todos os públicos. O site deste museu pode ser encontrado aqui, mas acaba por ser um pouco irónico que este tenha mais para explorar que o próprio museu.

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A identidade desta obra é difícil de explicar, já que existem múltiplos textos com este mesmo nome, e também pouco se sabe sobre o seu autor. Assim, o texto a que me refiro aqui aparece mencionado na obra de Hipólito, Refutação de Todas as Heresias, livro 5.19 a 5.22 (uma versão em inglês pode ser consultada neste link). Mas porquê, esta referência a um obra de ideias gnósticas neste espaço?

 

A explicação é relativamente inesperada... em 5.20, Hipólito reconta-nos um mito de Hércules que parece provir de Heródoto. Parafraseio:

Enquanto descansava no deserto da Cítia, Hércules adormeceu e o cavalo em que se deslocava afastou-se. Depois, e em busca do animal, o herói encontrou um ser meio-mulher, meio-cobra, que lhe revelaria a localização do cavalo em troca de relações sexuais. Dessa união nasceram três filhos.

 

Até aqui este poderia ser só mais um mito, mas Hipólito continua o texto com uma referência a algo bem mais infrequente: "Justino transforma esta lenda na sua versão da criação do mundo". Mas como? Na secção seguinte, 5.21, o autor reconta toda a história da criação segundo o Livro de Baruch (que vai para além do objectivo deste blog, importa lembrar) e eventualmente refere Hércules como sendo um dos profetas enviados por Elohim. Os seus doze trabalhos são aqui vistos como confrontos contra os doze anjos de Edem, mas este acaba por ser um herói apenas parcialmente victorioso - preso nos encantos de Onfale, acaba por se esquecer da sua verdadeira tarefa, a qual é deixada para um profeta seguinte, Jesus.

 

Note-se, nesse sentido, a passagem de testemunho de Moisés para Hércules, de Hércules para Jesus, que servia uma figura mais tarde identificada como Príapo ("aquele que criou antes de alguma coisa ser", diz o texto). Seria este o Príapo da mitologia grega? É provável, já que era um deus da fertilidade, mas esta é também uma relação com dois sentidos que se mantém para os vários elementos seguintes, em que o autor mostra várias fusões entre as antigas figuras (nomeadamente Leda, Ganimedes e Danae) e as da nova religião (Elohim, Edem, Naas e Adão).

 

Portanto, este é um texto que, apesar de nos ser somente acessível numa paráfrase de Hipólito de Roma, ainda nos permite constatar uma curiosa evolução religiosa, passando de cultos mais antigos para uma ideia que, eventualmente, se irá tornar parte do Gnosticismo.

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