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De entre as figuras de mitologia clássica, creio que poucas são tão singulares como Jano. Este deus, que não existia na mitologia grega e que surge com os romanos, apresenta em todas as imagens duas caras que apontam em direcções opostas.  Então, no primeiro livro de Fastos, Ovídio conta-nos a história desta divindade. Segue-se uma breve referência à mesma:

Os Antigos chamavam Caos a esta divindade que, originalmente, não tinha sequer forma. Aquando da criação dos elementos que hoje temos, esta bola de massa transformou-se então no corpo de um deus.

 

Mas porquê a sua forma singular? Também isso nos é contado por Ovídio:

Tal como as portas têm dois lados, e um porteiro fica por fora, também este deus era então o porteiro da corte divina, e com as suas duas faces podia então olhar para lugares opostos, tal como Hécate (com suas três faces) podia vigiar atentamente as intersecções das estradas.

 

Se entende, assim, que a singular forma de Jano tinha directamente a ver com a sua função. Contudo, as considerações de Ovídio levam-me a concluir algo muito mais curioso: contrariamente ao que se poderia pensar, a omnipresença (e, por conseguinte, também a omnipotência) não era uma características dos deuses gregos e romanos.

 

Em relação a este mesmo deus, é também clarificado um outro ponto. Na altura, existia em Roma um templo dedicado a este deus, cujas portas apenas fechavam em tempo de paz (algo que, segundo Tito Lívio, só sucedeu duas vezes em oito séculos). E porquê, esse mudança? Segundo Ovídio, que aqui continua a falar com a voz do deus, eram duas as razões: para que quando alguém vai para a guerra também encontrasse o caminho de volta aberto, e para que a paz não fugisse pelas portas abertas do templo.

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Esta obra pode ser dividida em dois momentos essenciais - primeiro, surge uma epístola de Porfírio para um tal Anebo, de origem egípcia; depois, num segundo tempo, surge Abamon, que tenta responder às muitas questões postas nessa mesma epístola. O tema de ambos os textos é óbvio - os mistérios - mas a que se refere precisamente a expressão que dá nome à obra?

 

Bem, "os mistérios" aqui abordados são os divinos. O autor fala de múltiplas questões com as quais os autores da altura se preocupavam, tais como a possibilidade de somente alguns deuses terem corpo físico (veja-se o Sol e a Lua), ou a forma como funcionavam as predições do futuro. São virtualmente incontáveis as muitas questões tratadas nesta obra, o que a torna bastante importante para quem pretenda compreender dados aspectos da existência, ou dos mistérios, divinos da Antiguidade.

 

Talvez deva referir que a mitologia está quase ausente da obra; existe uma ou outra referência a deuses específicos, aos daemones, até mesmo a uma hierarquia divina, mas esta é uma obra mais filosófica, onde as histórias (se é que podemos considerá-las como tal) parecem não ter lugar.

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