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Também este autor, segundo alguns nato em Braga (baseando-me nesta obra, pessoalmente não concordo), escreveu sobre as razões da queda do Império Romano. Porém, se Santo Agostinho, em Cidade de Deus, se focou nos aspectos mais culturais, já Orósio foca-se mais nas guerras, e na influência destas nas pessoas e no próprio império, para demonstrar que a culpa da queda de Roma não era tanto dos novos hábitos religiosos mas sim dos antigos.

Recordo-me, por exemplo, de uma dada batalha que, por intervenção divina, é concluída sem qualquer derramamento de sangue; ao autor, isto parece um argumento a favor do Cristianismo, e ele acaba por comentar que tal fenómeno jamais teria sido possível antes da vinda de Jesus Cristo.

Um outro exemplo interessante é a comparação estabelecida pelo autor entre as 10 pragas do Egipto, que levaram à libertação do povo judeu, e as 10 perseguições dos cristãos, que levariam então à libertação dos cristãos, após o tempo de Constantino I.

 

Seguem-se alguns momentos da obra que me pareceram interessantes o suficiente para serem deixados por cá. Os primeiros são relativos a Viriato (uma figura ibérica que, infelizmente, poucos conhecem), enquanto que o último deles é relativo a Espártaco (popularizado por uma recente série de televisão, mas que cujos episódios parecem aparecer de forma mais sucinta noutras obras).

 

Sobre Viriato, é então dito:

In Spain, during the same consulship, Viriathus, a Lusitanian by birth but a shepherd and robber by calling, infested the roads and devastated the provinces. He also defeated, routed, and subdued armies commanded by Roman praetors and consuls. As a result the Romans became greatly terrified. Then Viriathus encountered the praetor C. Vetilius as the latter was passing through and roaming over the broad territories of the Ebro and Tagus, rivers that were very large and widely separated from each other. He defeated the army of Vetilius and slaughtered its soldiers almost to a man; the praetor himself barely managed to slip away and escape with a few followers. He also put to flight the praetor C. Plautius, whose power had previously been broken by many battles. Later he encountered a large and well-equipped army which the Romans had dispatched under the command of Claudius Unimammus, whose evident purpose was to wipe out the stain of the earlier disgrace, but who managed only to add to the dishonor; for he lost all the supplies that he had brought with him as well as the strongest division of the Roman army. As trophies, Viriathus displayed robes, fasces, and other Roman insignia  on a mountainside of his own country.


In these same days, three hundred Lusitani fought an engagement against a thousand Romans in a mountain valley. Claudius reports that in this battle seventy Lusitani and three hundred and twenty Romans lost their lives. When the victorious Lusitani had scattered and were withdrawing in safety, one of them, a foot soldier, was cut off at some distance from his companions. When Roman cavalrymen suddenly surrounded him, he pierced the horse of one of his assailants with his spear and beheaded the rider with a single blow of his sword. All the others were so terrified that he was able to walk off leisurely and in a contemptuous manner while they looked on.

(...)

The consul Fabius in the course of his struggle against the Lusitani and Viriathus drove off the enemy and freed the town of Buccia, which Viriathus was besieging. He received in surrender not only this city but also many other strongholds. He then committed a crime that would have been detestable even to the barbarians dwelling in farthest Scythia, not to mention its affront to the Roman sense of honour and moderation. He cut off the hands of five hundred Lusitanian chiefs who had been tempted by his offer of an alliance and had been received in accordance with the law of surrender.

(...)

Viriathus, however, after defeating Roman generals and armies over a period of fourteen years, was finally killed, a victim of an act of treachery. In this instance alone the Romans acted as men toward Viriathus in that they judged his assassins undeserving of a reward.

 

 

Sobre Espártaco, diz-se aqui:

In the six hundred and seventy-ninth year of the City and during the consulship of Lucullus and Cassius, seventy-four gladiators escaped from the training school of Cnaeus Lentulus at Capua. Under the leadership of Crixus and Oenomaus, who were Gauls, and of Spartacus, a Thracian, the fugitives occupied Mount Vesuvius. From there they later sallied forth and captured the camp of the praetor Clodius, who had previously surrounded and besieged them. After forcing Clodius to flee, the fugitives concentrated their entire attention on plundering. Marching by way of Consentia and Metapontum, they collected huge forces in a short time. Crixus had an army of ten thousand according to report, and Spartacus had three times that number. Oenomaus had previously been killed in an earlier battle.

While the fugitives were throwing everything into confusion by massacres, conflagrations, thefts, and attacks upon women, they gave a gladiatorial exhibition at the funeral of a captured woman who had taken her own life in grief over her outraged honour. They formed a band of gladiators out of the four hundred captives. Indeed, those who formerly had been participants in the spectacle were now to be the spectators, but as the trainers of gladiators rather than as the commanders of troops. The consuls Gellius and Lentulus were dispatched with an army against these fugitives. Gellius overcame Crixus in battle, though the latter fought with great bravery; Lentulus, however, was defeated and put to flight by Spartacus. Later the consuls joined forces, but to no avail, and after suffering a severe defeat both took to flight. Then this same Spartacus killed the proconsul C. Cassius after defeating him in battle.

The City now became almost as terrified as she had been when Hannibal was raging about her gates. The Senate at once dispatched Crassus with the legions of the consuls and with fresh reinforcements. Crassus quickly engaged the fugitives in battle, slew six thousand of them, but captured only nine hundred. Before advancing against Spartacus in person, who was laying out his camp at the head of the Silarus River,Crassus defeated the Gallic and German auxiliaries of Spartacus and slaughtered thirty thousand of them together with their leaders. Finally he encountered Spartacus. After drawing up his battle line, he killed most of the forces of the fugitives as well as Spartacus himself. Sixty thousand, according to report, were slain and six thousand captured, while three thousand Roman citizens were recovered. The remaining gladiators, who had escaped from this battle and were wandering at large, were gradually killed off by many generals who constantly pursued them.


Infelizmente, já não tenho referência da edição da obra que usei quando anotei estas linhas. Se alguém tiver essa informação, agradeço que a deixe nos comentários.

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Numa obra, cuja referência infelizmente perdi, encontrei um elemento que me pareceu interessante o suficiente para merecer uma menção por cá:

 

Quando Constantino I visitou um templo chamado Sosthenion, onde habitava uma divindade alada, considerou-a como sendo um anjo cristão. Durante uma noite passada nesse templo, foi-lhe então revelado, em sonhos, que esse anjo era São Miguel, e o imperador viria então a transformar esse templo numa igreja cristã, consagrada a esse anjo.

 

Essa igreja, que infelizmente não sobreviveu até aos dias de hoje, bem como a história que levou à sua criação, prova então uma inegável ligação entre os deuses gregos e a religião cristã, até porque os milagres associados à antiga divindade passaram depois a sê-lo a S. Miguel . É provável que algo de semelhante se tenha passado até com muitos santos, já que figuras como São Jorge apresentam elementos semelhantes aos de mitos como o de Perseu, mas tanto quanto me foi dito por quem percebe dessas coisas, não há uma relação totalmente atestada entre os deuses gregos do Politeísmo e os santos do Monoteísmo cristão.

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O Museu da Música Portuguesa - Casa Verdades de Faria, no Monte Estoril (em Portugal, para quem me estiver a ler no Brasil) tem uma visita temática que, no contexto deste blog, importa mencionar. Trata-se de ”Júpiter e Calisto e o Rapto da Europa”, cenas mostradas nos azulejos do museu, entre várias outras dos mitos gregos (pessoalmente, acho que uma das mais curiosas é a imagem de Argos, a mesma figura de muitos olhos que, após a morte, Hera viria a imortalizar na cauda do pavão).

 

Além dessa temática, têm também os temas “Cenas campestres e Palacianas” e “Padrões, cercaduras e frisos”, e visitas à Torre de S. Patrício, tão proeminente na casa onde está alojado o museu.

 

Todas as apresentações e visitas são totalmente gratuitas, e têm usualmente lugar à sexta feira, mas estão sujeitas a marcação através dos contactos disponíveis neste link.

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Trata-se esta de mais uma obra semelhante à Cidade de Deus, de Santo Agostinho, mas com uma "pequena" alteração... se, no caso dessa outra obra, são mostrados todo um conjunto de argumentos para provar que a queda do Império Romano não se devia ao Cristianismo, já aqui essa mesma queda é atribuída tanto aos romanos como aos cristãos. Por estranho que parece, Salviano tece todo um conjunto de considerações que exaltam o modo de vida bárbaro, por comparação com o dos romanos tão repletos de vícios, e o dos cristãos (que já o pareciam ser só em nome).

 

Ao longo dos sete livros da obra, o autor vai então mostrando que os bárbaros [do norte] pareciam mais civilizados e correctos que os romanos e os cristão, razão pela qual Deus os favoreceu e os levou a múltiplas conquistas. Os argumentos vão sendo apoiados não só com citações das escrituras mas também com elementos retirados de textos tão conhecidos como a República de Platão. Porém, por vezes esses argumentos são até demasiado discutíveis - por exemplo, quando Platão escreve que os homens e mulheres deveriam ser comuns a todos, Salviano vê aí um apoio a uma horrenda poligamia - o que parece fazer crer que, mais do que argumentar logicamente, o autor está a procurar elementos que possam ser alterados de uma ou outra forma até servirem o seu propósito.

 

De uma forma geral a obra pareceu-me interessante, mas demasiado repetitiva em alguns pontos, já que o autor passa demasiado tempo a focar-se nas mesmas questões, e por vezes até a repetir as mesmas coisas de formas diferentes.

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