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Mitologia em Português

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As histórias de Aio Locúcio e de Redículo Tutano

Hoje, queria cá deixar duas pequenas histórias, a de Aio Locúcio e de Redículo Tutano.

 

Por volta de 391 a.C. , um cidadão caminhava perto do Monte Palatino, em Roma, quando ouviu uma misteriosa voz que o avisou de um ataque iminente por parte dos Gauleses. Este cidadão tentou passar a mensagem a quem poderia fazer algo em relação a isso, mas foi ignorado. Então, após o ataque, foi construído no local onde a voz foi ouvida um templo, mas esta nunca mais voltou a ser ouvida. O seu nome, "Aio Locúcio", vem da acção perpetrada pela voz.

 

A segunda história passou-se por volta de 211 a.C. . Quando Aníbal se preparava para invadir Roma, algo o fez, de alguma forma, voltar para trás. O relato do que se passou, em específico, difere de autor para autor, mas para comemorar a salvação da cidade foi erigido nesse local um templo a "Redículo Tutano", cujo nome vem, novamente, da acção da misteriosa figura.

 

Serão estas histórias verdade? Será que realmente ocorreram da forma retratada pelos vários autores? Nunca iremos saber...

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"Helena", de Eurípides

Esta peça de Eurípides baseia-se numa curiosa premissa, a possibilidade de Helena (a esposa de Menelau) nunca ter ido para Tróia. Através da influência divina de Hera foi criada uma segunda "Helena", um espectro da original, e teria sido essa a levada por Páris, enquanto que a verdadeira estava a viver no Egipto. É nesse local que, após o final da Guerra de Tróia, Menelau viria a reencontrá-la, e é desse reencontro que fala este texto. Também fala de muito mais, numa trama que me recorda da Ifigénia na Táurida, mas a razão para estas linhas é mesmo essa ideia-base da Helena que estava em Tróia não ser a esposa de Menelau.

 

De um ponto de vista da trama da Guerra de Tróia, o facto de Helena estar na cidade é sempre um ponto fulcral - é o rapto de Helena que leva ao confronto, é esta Helena que tem a repetida possibilidade de se entregar aos Aqueus e que, eventualmante, até passa a ser odiada pela população, por todo o sofrimento que causa. Portanto, se existe alguém a culpar pela guerra, esse alguém seria obviamente Helena. Porém, se como Eurípides supõe, essa não era, realmente, a esposa de Menelau, Helena perde então toda a culpa que poderia ter no início e desenrolar da guerra...

 

Contudo, é curioso constatar que estão visão, mencionada por Eurípides, era extremamente infrequente já na Antiguidade. Com excepção de Heródoto e deste autor mais ninguém refere essa possibilidade, e mesmo autores mais tardios ignoram-na quase totalmente...

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