Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Mesmo quem pouco saiba sobre a cultura dos romanos saberá, normalmente, como representar os números deles.

"I" para 1

"IV" para 4

"X" para 10

"LXVII" para 67

"CCXXIII" para 223

"CDXL" para 440

"CMXCIX" para 999

"MMMCDXXI" para 3421

"MMMCMXCIX" para 3999

 

Mas... e como escrever 4000? 10000? Ou números ainda maiores? Pensemos, portanto, no primeiro desses exemplos. Para escrever qualquer número que incluísse um quatro, normalmente teríamos de saber como escrever o cinco e, depois, subtrair-lhe um da unidade em questão, como nos casos de IV, XL, ou CD. Porém, sem saber como se escreveria 5000 (um número raro nessa cultura, importa mencionar), torna-se impossível saber como escrever 4000.

 

Ao ler, então, um texto de Arquimedes (trata-se de O contador de Areia, em que o autor calcula a quantidade de areia que caberia num universo finito) encontrei, finalmente, a resposta. Apesar de se tratar de um texto grego, a solução encontrada pelo autor também se aplica à cultura romana. A resolução do problema passa por recorrer à multiplicação, ou seja, para escrever um número como 5000, deverá então escrever-se 5x1000, sendo que, no caso dos romanos, essa multiplicação "por mil", em específico, parece poder ser representada com um tracinho acima do número que pretendemos multiplicar. No caso de Arquimedes, ele estabelece um valor base (creio que 10000?) e obtém os seguintes fazendo multiplicações com esse valor, ou seja, para escrever 20000 ele escreveria 2x10000, para escrever 1000000 ele escreveria 100x10000, e assim sucessivamente.

 

Agora, é óbvio que este procedimento, e toda esta ideia, tem os seus limites. Eventualmente, toda e qualquer multiplicação terá o potencial de atingir um novo limite máximo, e se na teoria de Arquimedes (que, no livro acima, aborda este tema levemente) se poderá chegar a qualquer número, por muito grande que ele seja, eventualmente chegar-se-á sempre ao problema de os representar graficamente.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Secções:

As "Questões Gregas" e "Questões Romanas" são duas obras de Plutarco, normalmente incluídas na Moralia, em que o autor responde, ou pelo menos tenta responder (em muitas delas, o autor apresenta várias respostas possíveis, sem nunca concluir qual delas é a mais acertada), a um conjunto de perguntas sobre as culturas grega e latina. Eventualmente, o autor explica a resposta para questões como "Porque é que as mulheres cumprimentam as suas relações com a sua boca?" ou "Porque é Janeiro o primeiro mês do ano?", mas também aborda tópicos mais culturais e religiosos, bem como alguns mitos.

 

Tendo em mente que, no seu total, o autor aborda mais de uma centena de tópicos, torna-se um pouco difícil descrever todas elas por cá, mas posso e devo dizer que, para qualquer pessoa que queira estudar alguns aspectos menos conhecidos, até obscuros, de ambas as culturas deverá, sem dúvida, ler ambas estas obras.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Este é um texto, também ele parte da Moralia, que me pareceu importante mencionar por cá devido a um momento que começa por volta da secção 21. Aí, é dito que alguém desceu à famosa caverna de Trofónio, e é feita uma descrição parcial da mesma, bem como de um sonho que essa pessoa tinha, alegadamente, tido por lá. Não é um recurso único, recordo-me de já ter lido descrições da caverna e do culto noutros recursos, mas nunca deixa de ser interessante.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Segundo, por exemplo, Diogenes Laércio, Epimenides foi, algures no seu tempo de vida, enviado pelo pai para procurar uma ovelha que se tinha perdido, e ao anoitecer acabou por se ir deitar numa caverna. Acordou 57 anos depois, e voltou a procurar a ovelha. Incapaz de a encontrar, voltou à quinta, onde a viu totalmente diferente e até já pertencente a um novo proprietário. Visitou a cidade, que também encontrou bastante diferente, e ao voltar à sua própria casa encontrou, eventualmente, o seu irmão, agora já velho, que lhe contou o que se tinha passado.

 

Um mito muito semelhante a este é o dos Sete Dormentes de Éfeso (se bem que, em tradução, este nome me soe bastante estranho). Aí, sete jovens acusados de serem cristãos venderam as suas posses, deram o dinheiro aos pobres, e foram esconder-se numa caverna. Um emperador pagão, qualquer que fosse o da altura, decidiu então fechar a entrada dessa mesma caverna. Mais de 100 anos depois, alguém decidiu abrir a cavena e encontrou os sete jovens lá dentro. Um deles foi enviado à cidade para comprar comida, e encontrou-a totalmente diferente. Eventualmente, os jovens contaram a alguém o que se tinha passado, e a caverna foi preservada (pode ser vista aqui).

 

Como estes dois, existem vários outros mitos que seguem esta mesma ideia, de alguém que adormece numa caverna e acorda um certo tempo depois, num mundo muito diferente. É possível que a ideia parta de uma visão das cavernas como locais místicos, mágicos, onde tudo (ou quase...) poderia acontecer, sendo que as pessoas envolvidas neste tipo de mitos passam, também eles, por uma transformação pessoal. Epimenides passa a ser visto como um sábio, enquanto que os Sete Dormentes passaram de um mundo onde eram perseguidos para um onde eram aceites, e até considerados como especiais perante Deus.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Esta obra de Plutarco, que faz parte da Moralia (essa obra tem mais de 50 textos sobre diferentes temas, e outro deles é este), não só explica como os adolescentes devem estudar poesia como diz, igualmente, o porquê de o deverem fazer. Claro que a obra se aplicava aos adolescentes de então, mais do que aos de hoje, até por se focar em aspectos muito específicos da poesia, que se foram alterando ao longo dos séculos que passaram desde então.

 

A referência, por cá, a este texto parte de muito do que o autor diz nessa obra, mais concretamente em relação à forma como a poesia, e os mitos gregos, deviam ser lidos e interpretados. Agora, se tivermos em conta que Plutarco escreveu por volta do século I d.C., é curiosa a forma como o conteúdo da obra contrasta com a forma como os autores cristãos, mais tardios, viam as mesmas obras. Se os segundos criticavam, por exemplo, a abominação das traições de Zeus, ou os muitos episódios horrendos de vários mitos, Plutarco insiste na importância de se saber interpretar esses mesmos episódios, através de algumas estratégias por ele dadas. O autor nunca diz que se devam seguir os exemplos das traições de Zeus, mas sim que essas são fantasias (literárias) dos poetas, e que portanto não devem ser seguidas, mas sim ser uma fonte de lições pela negativa, modelos do que não se deverá fazer. Não é essa a única estratégia que aponta, obviamente, mas no contexto deste espaço é de especial relevância essa menção, pelo facto de contrastar, de uma forma crucial, com a interpretação que, nos séculos seguintes, os autores cristãos viriam a dar aos mitos gregos e latinos.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Esta obra, de autoria desconhecida, diverge de uma mais famosa, a de Apolónio de Rodes (já cá tratada anteriormente), pelo facto de terem ênfase em pontos bastante diferentes. Claro que ambas as obras tratam o mesmo mito, o de Jasão e os Argonautas, mas se o texto de Apolónio parece contar toda a história, de uma forma geral, já esta pequena obra conta-a do ponto de vista, e através da voz, de Orfeu. Após uma pequena introdução, "Orfeu" começa então a contar a sua história a Museu, que parte do momento em que é convidado para se juntar aos Argonautas, e segue a trama até ao seu regresso a casa. Ainda assim, a história aqui constante não é, precisamente, a de Apolónio, e existem pelo menos dois momentos em que as duas obras se afastam.

 

O primeiro desses momentos toma lugar pouco depois de Orfeu se juntar aos Argonautas. Juntos, vão visitar Quíron, e ocorre um pequeno concurso de música, em que o centauro canta a batalha contra os Lápitas, e Orfeu responde cantando (caso estejam curiosos, em ambos os casos é apenas feita uma alusão ao canto, e este não é recontado) a origem do mundo, dos deuses e dos humanos, e das várias raças dos homens, canto esse que enfeitiça não só os vários animais da região como, parece, o próprio Quíron. A esse concurso segue-se um pequeno encontro do jovem Aquiles com o próprio pai.

 

O segundo momento é o de quando Orfeu e Medeia enfeitiçam o dragão que guarda o velo de ouro. Se, na versão de de Apolónio, este evento é simples, já aqui prolonga-se por várias páginas, sendo o ritual de Medeia e de Orfeu descrito de uma forma quase real.

 

Com base nestes momentos, parece-me justo considerar que o autor, fosse ele quem fosse, essencialmente pegou no mito de Jasão e os Argonautas e expandiu alguns dos momentos mais associados a Orfeu, além de adicionar alguns novos episódios à história. Porém, ele também não fez só isso, já que episódios fulcrais em toda a trama - por exemplo, o desaparecimento de Hércules, os desafios feitos a Jasão em Colchis, ou o casamento do herói com Medeia - são quase postos de parte, e resumidos em pouco menos de uma ou duas linhas.

No geral, esta é uma obra interessante, mais rápida que a de Apolónio, e que até pode ser lida em uma ou duas horas.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Neste link pode ser visto uma epístola com algo de extremamente contemporâneo, um rapaz que faz birra pelo facto do pai não lhe ter acedido a um dado desejo. É bastante curioso, o paralelismo e a relação psicológica desta carta com os actos que tomam lugar, nos dias de hoje, e que não são assim tão distintos como poderíamos pensar.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Secções:

Pág. 1/2




Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

  Pesquisar no Blog