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Reli, há uns dias, o Épico de Gilgamesh, e o ponto que me parece mais importante nesta obra é o facto de ser um dos mais antigos épicos que nos chegaram até aos dias de hoje. É nesse sentido que até se compreende que toda a obra seja bastante fragmentária, e muitos dos episódios sejam difíceis de discernir no texto que nos chegou, algo que dificulta a completa apreensão de muitas partes da obra.

 

De uma forma muito geral, posso dizer que esta é uma obra que nos reconta as aventuras de Gilgamesh, figura aqui mais mítica do que potencialmente real. Cedo conhece Enkidu, juntos derrotam dois monstros (Humbaba, e o touro que está colocado no zodíaco), mas Enkidu acaba por morrer. A parte final do texto, aquela que está melhor preservada, reconta toda a aventura que leva Gilgamesh a tentar obter a imortalidade, e é nessa derradeira tábua 11 que também é relatado o famoso dilúvio, em virtude do qual este épico é várias vezes mencionado).

 

Se já aqui se encontram várias características estilísticas que também irão ser usadas em épicos posteriores (a mais evidente delas sendo a repetição de fórmulas), parece-me que este é um texto que merece ser conhecido em virtude da sua muita idade, que o torna provavelmente o mais antigo texto literário a que ainda temos acesso. Não é uma obra propriamente interessante, devido às muitas falhas no texto, mas mesmo assim merece ser conhecido pelo menos numa leitura superficial.

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A Lítica, ou Sobre as Gemas, é um pequeno poema, de menos de 1000 versos, em que um narrador anónimo, "por ordem dos deuses", ensina as propriedades e simbologia de várias gemas, justificando algumas das suas características com episódios de mitos. Por exemplo, em relação a uma pedra que curava as mordeduras de cobra, o autor dá o exemplo da cura de Filoctetes.

 

Esta obra, cujo objectivo e justificação aparece mencionado explicitamente numa primeira parte, é atribuída por Tzetzes ao mítico Orfeu, mas essa também é uma atribuição que dificilmente estará correcta. Se esta obra aparece muitas vezes associada à Argonáutica Órfica (de que já se falou aqui), enquanto que nesse outra texto o sujeito poético se identifica directamente como Orfeu, já nesta isso não sucede; mesmo falando na primeira pessoa, o sujeito poético nunca diz, ou dá a entender, quem seja, e tratando-se ele de Orfeu, mesmo que em mero espírito poético, ser-lhe-ia demasiado fácil e natural, mas um tanto ou quanto absurdo, mencionar isso quando refere o episódio do decepamento do famoso músico. Além disso, um dado verso pode dar a entender que o autor era originário da cidade de Tiro, mas a afirmação em que me baseio (a uma dada figura mitológica, relativamente obscura, é chamado "mãe") não é totalmente segura, podendo tratar-se de uma mera afirmação de índole poética.

 

Não posso deixar de dizer, contudo, que esta é uma obra que me pareceu bastante pobre. Tem uma ou outra afirmação que poderão parecer importantes para quem estudar as gemas na Antiguidade, mas essa é a mesma informação que outros autores, como Plínio o Velho, também mencionam, e eles fazem-no de uma forma bem mais directa.

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