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A Posthomérica, de Tzetzes, pode ser definida como um resumo dos vários episódios que tomam lugar entre os dois poemas homéricos. Porém, este é um resumo muito desigual, em que o autor se foca demasiado em alguns episódios, como o de Pentesileia, mas em que, ao mesmo tempo, também se ocupa pouquíssimo com alguns outros. Poderia parecer-nos um pouco estranha, essa dissonância de tratamentos, mas torna-se bem mais compreensível com uma análise do texto, já que, em dados momentos, o próprio autor se mostra inseguro em relação ao conteúdo e organização de vários episódios.

 

Esse problema deve-se, sem dúvida, ao facto de Tzetzes já não ter acesso aos textos originais, aqueles que melhor o poderiam informar em relação a essas várias aventuras. De facto, ao longo da sua obra Tzetzes até faz referência aos autores em que se apoia para as suas linhas, com especial ênfase no texto de um dado Quinto (poderia pensar-se que era Quinto de Esmirna, de que já aqui falei, mas a trama é um pouco diferente), pelo que é bastante provável que essas diversas fontes apresentassem descrições diferentes dos acontecimentos, o que não poderia deixar de causar alguma confusão na compilação de uma obra desta natureza.

 

Em termos da conteúdo da obra, existem três momentos que me ficaram na memória. O primeiro deles é toda a sequência que envolve Pentesileia, pela sua extensão, com alguns momentos muitíssimo belos. No segundo momento, que se encontra disperso por toda a obra, o autor descreve os vários intervenientes da trama, falando de Pentesileia, de Príamo, de Cassandra, de Aquiles e Antíloco, entre muitas outras personagens, o que não é muito comum. Já o terceiro prende-se com a morte e funeral de Aquiles; ele é aqui morto com um punhal e à traição, num templo em que esperava encontrar Políxena, e o seu funeral é descrito de forma muito única, fazendo do evento algo muito mais notável do que em outras versões do episódio, com as deusas marinhas a saírem das águas e prestarem uma digna homenagem ao filho de Tétis.

 

Em suma, esta é uma obra que me parece muito importante para o estudo da trama que separa os dois poemas homéricos, já que preserva parte de relatos que já não nos chegaram na sua forma completa. Para que mais facilmente pudesse ser lida (até porque não existia em tradução), foi então feita uma tradução da obra (a primeira a ser oferecida por este espaço!), que pode agora ser encontrada aqui.

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Como prenunciado o mês passado, este espaço vai agora começar a ter uma nova iniciativa, que passará pela disponibilização, em primeira mão, de textos com conteúdo mitológico relevante, mas que ainda não existam traduzidos na maior parte das línguas modernas. O objectivo da iniciativa passa, essencialmente, por dois pontos:

 

- Disponibilizar a tradução de novos textos, que de outra forma estariam inacessíveis a um público geral.

 

- O de patrocinar, na medida do possível, todos aqueles que estejam interessados em fazer traduções desses novos textos.

 

 

Agora, se, idealmente, as traduções seriam feitas dos originais para Português (sempre foi esse o objectivo deste espaço, a disponibilização de conteúdos nessa língua), é com alguma pena que devo dizer que, em Portugal e ao longo de vários anos, não consegui encontrar quem estivesse interessado em participar no projecto. As pessoas com quem tentei falar, ou se mostraram incapazes de cumprir prazos, ou não queriam participar, ou exigiam valores absurdos (com um dado licenciado a pedir 30€ por página A5). Portanto, foi tomada a opção da tradução dos textos ser feita para Inglês, não só para possibilitar que tanta gente quanto possível tivesse acesso a essas traduções, mas também porque foi mais fácil encontrar quem estivesse interessado em fazer esse trabalho, não pelos valores monetários oferecidos no patrocínio mas porque, acima de tudo, apoiavam as ideias que pretendem reger esta iniciativa, o que é, para mim, muitíssimo importante.

 

Então, supondo que alguém lê estas linhas e quer participar na iniciativa, o que tem de fazer? Muito simplesmente, basta-lhe sugerir uma obra que não esteja traduzida (e por traduzida, quero dizer "não exista em qualquer língua moderna"), e caso exista interesse real na tradução da mesma, tudo será tratado para que venha a existir, sendo o texto em questão depois aqui disponibilizado de forma totalmente gratuita.

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