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Para esta altura do ano parece-me propício relembrar uma história provinda de uma obra de Flégon de Trales, e que este autor dizia ter sido verdade, ao ponto de conhecer um dos envolvidos.

 

O início da primeira história perdeu-se, pelo que, dessa parte, apenas se sabe que uma jovem rapariga faleceu. Mas depois, ainda que falecida, continuou a ir à casa onde tinha vivido, e falou com um hóspede, que na primeira noite lhe deu um anel e um copo.

Na segunda noite, uma ama vê-a, e conta essa miraculosa presença à patroa. Esta última, incrédula, descarta a possibilidade da ama realmente ter visto a defunta jovem.

Na terceira noite, e como já parecia ser seu costume, a jovem retorna a casa, e desta vez acaba por ser vista pelos próprios pais. Triste com o facto destes não tolerarem que, por três noites, voltasse à casa onde tinha vivido para falar com um hóspede, morre novamente.

Na manhã seguinte, o mausoléu da família da jovem é visitado, e o corpo dela não é encontrado lá, nesse local onde tinha sido colocado após a morte. No seu lugar apenas é encontrado um anel e um copo. Voltando a casa, ao local onde tinham visto a jovem na noite anterior, só lá encontram o corpo dela, falecido uma segunda vez...

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O episódio do "Julgamento de Páris" é, indubitavelmente, um dos mais conhecidos mitos gregos, e até já cá foi falado por mais que uma vez (uma referência ao mito pode, por exemplo, ser encontrada aqui), mas nas suas Troianas, Eurípides faz uma consideração muitíssimo interessante a esse mito. Mas já lá vamos, principie-se por uma pequena referência à obra em questão.

 

A obra Troianas, de Eurípides, fala do último dia em que personagens titulares viveram em Tróia, e é pelos olhos delas que o leitor/espectador tem acesso a muitos dos eventos que aí acabam por ter lugar, como a reunião de Menelau com Helena, os sacrifícios de Astíanax e Políxena, a tomada de Cassandra, etc., sendo esta uma peça que termina com os gregos a deitarem fogo ao (pouco) que resta da cidade de Tróia.

Entre os muitos episódios que a trama da peça aborda conta-se, então, um pequeno debate entre Helena e Hécuba. A primeira reconta o que aconteceu, a razão pela qual abandonou o marido e foi para Tróia, e nessas suas linhas recorda também o famoso episódio em que Páris julga as três deusas. Depois, quando Hécuba pretende refutar os argumentos da esposa de Menelau, usa um argumento interessantíssimo - porque estariam Hera ou Atena a competir num concurso de beleza? Caro leitor, pense nisso por alguns momentos, antes de continuar a ler estas linhas.

 

 

Porque necessitaria Hera de beleza? Como Hécuba argumenta, nessa altura, a deusa já era casada com Zeus, o mais importante de todos os deuses; será que, então, estaria ela a procurar alguém melhor, mais forte, que esse seu marido, quando nem poderia existir alguém assim?

Porque necessitaria Atena de beleza? A virgindade perpétua dessa deusa é mais que famosa, e a não ser que andasse a procurar marido (palavras da esposa de Príamo), nenhuma necessidade teria para esse dom.

Em suma, a argumentação de Helena, como se vê na própria peça, acaba por sair gorada, e Menelau, que estava a assistir a esse pequeno debate, acaba por ver os episódios das deusas como uma invenção da esposa, uma forma que esta tinha para se desculpabilizar.

 

Agora, até que ponto podemos fiar-nos nas palavras de Eurípides? Honestamente, não me recordo de qualquer outro autor - incluíndo os mitógrafos, ou os cristãos - que teça semelhantes oposições a este mito, pelo que o mais provável é que este episódio tenha sido inventado pelo autor, não tanto para difamar os antigos mitos, mas para dar a Helena um argumento muito conhecido, e para permitir a Hécuba vencê-la nesse mesmo campo, fazendo uso de uma jocosa inconsistência no mito.

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Este é um mito constante nas Histórias de Heródoto (1.31), mas sobre o qual Hígino, alguns séculos mais tarde, tem alguma informação curiosa a adicionar.

 

Quando, na corte de Creso, Sólon é instado a dizer que seria o segundo mais afortunado dos homens, este conta a história de Cléobis e Bíton, filhos de uma sacerdotisa de Hera que, na ausência temporária dos necessários bois, levam a mãe ao templo na junta de bois. Depois, o par de irmãos é elogiado pelos homens da cidade, face à sua força conjunta, e a mãe é elogiada pelas mulheres, que parecem, também elas, desejar ter filhos de semelhante valor. Nessa sequência, a mãe, aqui anónima, pede à deusa Hera que dê aos seus filhos o melhor para os seres humanos; então, após os sacrifícios e o jantar, os dois adormecem no templo, e morrem, assim, de uma forma serena.

 

Sobre esta famosa história, Hígino adiciona alguns elementos: a ausência dos bois devia-se ao facto destes estarem mortos, e se o sacrifício não fosse realizado a tempo a sacerdotisa de Hera seria morta. Depois, mais à frente, o mesmo autor diz que os jovens ainda levaram a mãe (e a junta de bois) para casa, e que quando Cídipe (o nome aqui dado à mãe dos jovens, que deixa de estar anónima) se apercebe da informação que a deusa lhe tentou veícular, morre voluntariamente.

 

Creio que já cá falei, uma vez, da importante ideia por detrás deste mito, mas a história de Sólon acaba por ser ainda mais importante por veicular aquela ideia da curva da existência, de que a vida tem altos e baixos, e então a maior felicidade para alguém seria a de morrer no maior desses altos, em vez de, como acabará por acontecer a Creso, viver para lamentar as, muitas vezes perigosas, consequências da vida. É esse o dom aqui dado por Hera aos dois irmãos, mas é também importante constatar que, na versão de Hígino, a mãe destes também se apercebe da razão da acção de Hera, e também ela decide morrer.

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Este é um mito pouco conhecido, para o qual até só existia uma única fonte, as Histórias da Lídia de Xanto, e essa obra já não nos chegou, sendo a referência apenas preservada num outro texto.

 

Cambles, de uma fome insaciável, devora a esposa. Só disso se apercebe no dia seguinte, quando, ao acordar, tira a mão da antiga mulher da sua própria boca.  Depois, face ao horrendo acto que perpetrou, suicida-se.

 

Esta é uma história muito pequena (mesmo na fonte que ainda a refere, só sobrevive em cerca de três pequenas linhas), mas que também nos demonstra a importância de não cair nos excessos. Claro que, hoje em dia, alguém dificilmente acabará por devorar outro ser humano, mas entende-se a ideia.

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Esta obra de Trifiodoro, como o próprio nome já dá a entender, fala da queda de Tróia, também conhecida como Ílion ou Ílios (entre vários outros nomes). O autor começa por recordar os episódios da guerra, a que se segue uma sucessão dos episódios da própria queda da cidade. Porém, esta obra talvez seja mais conhecida pelo episódio do cavalo, cuja construção Trifiodoro aqui descreve de uma forma bastante detalhada.

 

Se, de um ponto de vista literário, esta obra nem é nada de muito significativo, parece-me ser essa descrição da construção do cavalo, em cerca de 50 versos, que lhe dá alguma importância, já que, apesar de serem incontáveis os autores que mencionam a forma do artifício usado pelos gregos para a invasão de Tróia, este parece-me ser um dos que o faz de uma forma mais detalhada.

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Mais um jogo... infelizmente, este nem tem muito conteúdo mitológico, mas é baseado na famosa série Saint Seiya, conhecida em Portugal como Cavaleiros do Zodíaco, cujas histórias muitas vezes estão associadas a alguns mitos gregos.

Segundo consegui entender, este jogo foi feito por uma empresa brasileira, a propósito de um novo filme baseado na série, e só peca por ser curto na sua vertente offline, que pode ser terminada em menos de meia dúzia de horas.

Pode ser encontrado aqui.

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