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O 385º epigrama do nono livro da Antologia Grega preserva um pequeno resumo da Ilíada, obra já aqui falada antes. Associa a cada um dos livros dessa obra uma letra grega (ideia, e divisão, que parece vir do tempo de Pisístrato), mas, ao mesmo tempo, também resume, de uma forma curiosa, o conteúdo dos seus livros, da seguinte forma:

 

1- As rezas de Crises, a praga, e a zanga dos reis.

2- O sonho, o concílio, e [o catálogo dos] navios.

3- O combate dos dois maridos de Helena.

4- O concílio dos deuses, a quebra dos juramentos, o início da luta.

5- O filho de Tideu [i.e. Diomedes] fere Citereia [i.e. Afrodite] e Ares.

6- A conversa entre Heitor e Andrómaca.

7- Ájax luta contra Heitor.

8- O concílio dos deuses, a vitória dos Troianos, a vangloriação de Heitor.

9- A embaixada a Aquiles.

10- Homens de ambos os lados do conflicto vão em missão de reconhecimento.

11- Os homens de Heitor ferem os Gregos mais importantes.

12- A muralha dos Aqueus cai pelas mãos dos Troianos.

13- Poseidon dá, secretamente, a vitória aos Gregos.

14- Hera engana Zeus através do amor e do sono.

15- Zeus zanga-se com Poseidon e Hera.

16- [A lança de] Heitor mata Pátroclo.

17- Gregos e Troianos lutam em redor do corpo.

18- Tétis leva a Aquiles armas feitas por Hefesto.

19- Aquiles abandona a sua cólera e junta-se ao combate.

20- Luta entre os deuses, que traz vitória aos Gregos.

21- Aquiles derrota os Troianos perto do rio, através da sua força individual.

22- Aquiles mata Heitor depois de o perseguir por três vezes em redor da muralha.

23- Aquiles celebra jogos com os Gregos [i.e. os jogos funerais de Pátroclo].

24- Aquiles aceita presentes e dá a Príamo o corpo do [respectivo] filho.

 

Se este é, como até nem poderia deixar de ser, um resumo muito redutor, permite-nos constatar quais eram, pelo menos para o escritor dessas linhas, os episódios mais significativos de cada livro e de toda a obra. Não é, como é evidente, um resumo perfeito, mas deixa-nos aceder, de uma forma muito sucinta, ao que aí toma lugar.

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Hoje em dia ainda temos, seja para assustar as crianças ou para as incitar a seguir algum bom caminho, histórias como as do Papão, do desconhecido que oferece doces (ou que carrega telemóveis, que os tempos têm mudado!) em troca de "nada", do Pai Natal e da Fada dos Dentes, etc. Porém, histórias como essas também já existiam na Antiguidade, e a maior dificuldade que temos, em relação a elas, é o facto dos vários autores nunca as contarem de uma forma muito directa, provavelmente porque já seriam do conhecimento geral. Estrabão, na sua obra, até faz uma referência casual a quatro dessas figuras, mas, infelizmente, também não nos diz de que forma estas influenciariam as crianças. Eram elas a Lâmia, a Górgone, Efialtes e Mormolica.

 

A primeira destas já cá foi falada por várias vezes, mas sabemos que também era suposto ser uma figura que comia as crianças. A Górgone (que não deve ser confundida com a Medusa) é uma figura que acabaria por se desdobrar em três, mas sobre a qual pouco sabemos, na sua forma original. Efialtes era um dos gigantes que, juntamente com o irmão, tentou empilhar várias montanhas para chegar ao Olimpo, sendo precipitado por um dos relâmpagos de Zeus. Sobre Mormolica, sabemos que era um espectro que assustava as crianças, mas nada mais.

 

Se, baseados nas linhas desse autor, até podemos aceitar que estas quatro figuras tinham, de alguma forma, a função de, como as nossas, assustar as crianças ou incitá-las a boas acções, talvez nunca venhamos a saber as histórias infantis associadas a cada uma delas, que, pelo menos de uma forma parcial, até poderiam ter sido diferentes dos mitos descritos acima.

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Tu tens os olhos de Hera, Melite,

As mãos de Atena,

Os seios de Afrodite,

E os pés de Tétis.

Abençoado é aquele que olha para ti,

Três vezes abençoado quem te ouve falar,

Um semideus aquele que te beija,

E um deus aquele que te tiver para esposa.

(Antologia Grega, V.94, atribuído a um Rufino)

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Estrabão conta-nos a história de uma Rodópe, figura que poderá ter sido uma das origens da história de Cinderela.

 

Quando essa mulher tomava banho num rio, uma águia roubou-lhe um peça de calçado, que depois largou no colo de um rei. Dada a estranheza do episódio, e a beleza desse calçado, o rei mandou decidiu procurar a pessoa a quem pertencia, e quando acabou por a encontrar, casou com ela.

 

Se também são muitos mais os elementos que compõem a história de Cinderela, nas suas versões mais modernas, a ideia de encontrar alguém exclusivamente através de uma peça de calçado que perdeu é singular ao ponto de nos poder fazer pensar que, muito provavelmente, esta pequena história poderá ter sido uma das que, séculos mais tarde, a viria a inspirar.

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A figura de Odisseu, também chamado Ulisses, é provavelmente uma das mais famosas dos mitos gregos, tendo as suas aventuras sido tratadas, em grande parte, na famosa Odisseia de Homero. A ela se juntam, depois, as aventuras que teriam lugar no resto do Ciclo Épico, em que o herói acabaria por ser morto por um filho que teve com Circe, e que não o conhecia. Agora, se é famosíssima essa versão do mito, alguns autores também mencionam uma outra, em que o herói é transformado num cavalo. Pode parecer muito estranho, mas convém, então, recordar esse curioso mito.

 

Segundo Ptolomeu Queno, Odisseu visitou uma companheira de Circe, que o transformou em cavalo recorrendo a ervas mágicas. Sexto Empírico, ao referir três versões da morte deste herói, menciona também essa transformação, mas sem referir qualquer mito a ela associada. Já Sérvio, ao comentar a Eneida, fala igualmente de três versões da morte do herói, uma delas sendo uma transformação em cavalo por parte da deusa Atena.

 

Se nada sabemos sobre as fontes que os três autores tinham para este singular mito, uma questão que não podemos deixar de pôr é o porquê dessa transformação num cavalo, em detrimento de qualquer outro animal. E, sobre isso, infelizmente não temos qualquer informação para concluir seja o que for; muitas poderiam ser as teorias, mas não passariam disso, teorias, sem um fundo muito credível.

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