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Plínio, o Velho, conta-nos apenas que o íman foi descoberto por um pastor chamado Magnes, quando este fazia a sua usual tarefa nos montes, e deu por si, com os pregos da sandália e parte do seu bastão, a serem atraídos por uma dada rocha.

 

Seria esta uma história verdadeira? O nome grego remete-nos para a sua origem na região da Magnésia, onde, segundo nos é dito, existiriam muitas pedras com estas propriedades, pelo que é provável que a história deste Magnes, como muitas outras, nos pareça correcta, mas também seja apenas uma falsa etimologia que, apesar de já não ser preservada na língua portuguesa, ainda o é em línguas como o Inglês ("magnet").

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O mito de Aglau

24.04.15

Quando Heródoto nos contou o confronto entre Creso e Sólon, as respostas dadas pelo sábio ao monarca são sobejamente conhecidas. Porém, uma outra história, bem menos conhecida, relata-nos que Creso, um dado dia, foi ao Oráculo de Delfos e, também aí, perguntou se existia algum homem mais feliz do que ele. Foi-lhe dito que sim, e contada a história de um dado Aglau de Psófis.

 

Quem era essa figura? Bem, tratava-se de um idoso que cultivava um pequeno campo, cujas culturas eram suficientes para a sua subsistência anual. Nunca tinha saído da sua remota região, localizada na Arcádia, e, como tal, tinha muito poucos desejos, pelo que também sofreu pouco na sua vida.

 

Esta descrição, uma paráfrase do pouco que nos é revelado sobre esta elusiva figura, remete-nos, novamente, para o encontro de Creso e Sólon, e para a ideia de que a felicidade passa não por termos muito, mas em contentar-nos com o que já temos, por pouco que seja.

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Creio que em todas as civilizações contemporâneas um dia oficial é definido como um espaço de 24 horas compreendido entre aquilo a que chamamos duas meias-noites, ou seja, entre as 00h e as 23:59h. Porém, nem sempre assim o foi.  Como nos informa Plínio o Velho, no livro II da sua História Natural, diversas civilizações da Antiguidade tinham conceitos diferentes para este período, que definiam como um espaço entre:

 

Babilónios - dois nasceres do sol

Atenienses - dois pores do sol

Umbrianos - dois meios-dias

População em geral - o nascer do sol e a escuridão

O dia oficial romano, os Egípcios, e Hiparco [autor grego, que parece ter escrito sobre temas como estes] - período entre duas meias-noites

 

O que distingue estes conceitos parece ser os dois pontos-chave que considera como os limiares de um "dia"; se os quatro primeiros casos se referem a fenómenos naturais, que todos poderiam constatar e verificar, já o último necessita de algum método para verificar as horas, seja ele um relógio solar ou de água.

Agora,poderíamos perguntar-nos o seguinte, porque foi o conceito romano adoptado para a generalidade das populações, ao longo dos séculos, em detrimento de outros que, de uma forma natural, nos poderiam parecer mais lógicos? A resposta parece advir da necessidade de conjugar dois elementos cruciais, a presença de um conceito estático e a necessidade de conveniência.

 

Se o dia fosse, para nós, definido como o faziam os Babilónios ou os Atenienses, a sua duração acabaria por variar ao longo do ano. Ao mesmo tempo, se seguissemos a visão dos Umbrianos, o que também poderia acontecer era uma interrupção constante do trabalho diário, para que se soubesse, por exemplo, se uma dada transacção comercial ainda estava a ocorrer num dado dia, ou já estava a ter lugar no seguinte, o que também não seria muito conveniente.

Assim, poderá mesmo ter sido por estas razões que o dia, como o definiam os Romanos, foi sendo adoptado pelas diversas populações...

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Nesta obra, Boécio, muitas vezes considerado como o último dos autores da Antiguidade, passa por uma experiência interessante, na medida que, num momento de enorme dor, dá por si a interrogar-se sobre o sentido da existência humana. Surge-lhe, então, a Filosofia sob a forma de uma mulher, que o leva a compreender o porquê de determinados eventos ocorrerem de uma forma específica, que nem sempre nos pareceria a mais justa ou compreensível, aos olhos dos seres humanos.

 

Poderia, portanto, pensar-se que esta obra estaria pejada de referências aos antigos deuses, à ideia do Destino, mas esta é uma obra que, quase sempre, parece falar de uma figura divina, mais do que de um conjunto de expressões mais próprias de um politeísmo. Isso até nos poderia levar a concluir que Boécio já era um cristão, mas, ao mesmo tempo, também não aqui existe qualquer evidência palpável e indisputada disso mesmo. O autor parece, então, preso entre uma concepção do divino que, em dados momentos, o aproxima mais do Paganismo (em particular, através da Filosofia personificada, de referências às musas, etc.), e momentos em que se assemelha a um cristão, na sua ideia de um único deus.

 

Além disso, esta é uma obra que tem alguns momentos interessantíssimos, mas, também, outros momentos que se apresentam como complexos e de difícil compreensão, como quando o autor parece argumentar que algumas respostas estão vedadas às inteligências humanas. E, nesse contexto, também é um texto pouco gratificante, já que o autor pega num tema de grande importância e, infelizmente, nem sempre o concretiza da melhor forma.

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Esta é uma questão sobre a qual, indubitavelmente, todos aqueles que estudam áreas como a Linguística já se interrogaram. Se existe uma qualquer espécie de evolução na raça humana, terá existido uma altura em que todos os humanos falavam uma mesma língua, mas qual seria ela? Não é uma questão fácil, e não proponho resolvê-la aqui, mas na Antiguidade um faraó egípcio interrogou-se sobre este tema, e, como nos informa Heródoto no segundo livro das suas Histórias, tentou descobrir a resposta.

 

Para tal, pegou em dois recém-nascidos e fez com que fossem criados sem nunca ouvirem qualquer língua, sendo só visitados por uma mulher que, diariamente, os alimentava. Um dia, começaram a falar, dizendo "bekos". Sabendo disto, o faraó decidiu investigar a que palavra pertencia essa língua, e visto que "bekos" significava "pão" em Frígio, o monarca foi levado a pensar que, então, essa era a primeira de todas as línguas, aquela com que nascemos.

 

Mas estaria ele correcto? Se esta é a versão mais famosa de toda a história, e nos poderia levar a conclusões precipitadas, convém acrescentar que os autores posteriores revelam menos certezas. Segundo, pelo menos, um deles, a mulher que alimentavam os dois pequenos humanos tinha falado com eles, pelo que toda a experiência estava adulterada... mas mesmo que assim não o fosse, importa relembrar que este é um mito, podendo ter algum fundo de verdade, mas que não deve ser usado para acreditar que o Frígio era, mesmo, a primeira das línguas, algo que é, nos nossos dias de hoje, fácil de refutar recorrendo a casos como os das crianças-lobo.

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Nesta sua pequena obra, Parténio de Niceia conta-nos cerca de 36 histórias de amor, que pretendia deixar por escrito com vista a que um seu amigo as conhecesse, e sobre elas pudesse escrever versos. Um aspecto curioso nesta obra é mesmo o facto dela conjugar mitos com outras histórias; se algumas das histórias até são desconhecidas, noutros casos o texto parece pegar em episódios mitológicos mais conhecidos e adicionar-lhes factos que, de alguma forma, lhes torna possível incluirem uma qualquer espécie de trama amorosa. Porém, há que ter em conta que estas inovações, muito provavelmente, até não vinham deste autor; visto que, muitas vezes, ele menciona as suas fontes, isso permite-nos perceber que, muito certamente, estas se tratariam de versões regionais dos vários mitos, que, em si mesmas, já adicionavam algo às tramas mais famosas, que encontramos melhor atestadas.

 

Se esta é uma obra simples, e de fácil leitura, não nos podemos esquecer que se encontra incompleta, e que as tramas recontadas por este autor nem sempre correspondem às suas versões mais atestadas, sendo complicado, em muitos casos, perceber de que formas foram alteradas para apresentarem os episódios a que este autor (ou alguns dos seus predecessores) dá mais relevo. É, nesse contexto, necessário ter alguma prudência quando se julga que este texto, e somente este, poderá apresentar alguma versão única de algum mito.

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O mito de Niobe

02.04.15

Na sua versão mais conhecida, o mito de Niobe é o de uma mãe que, ao ter 14 filhos, sete de cada sexo, se considerou superior à deusa Leto (que só tinha dois gémeos, Apolo e Artémis). Então, essa divina figura vingou-se pedindo aos próprios filhos que matassem os muitos rebentos de Niobe, levando-a a uma enorme tristeza e ao suicídio.

 

Parténio, porém, conta uma versão do mito que é ligeiramente diferente. Se também aqui Niobe ofende Leto, essa é uma disputa que parece dever-se à beleza das crianças, mais do que ao seu número. A vingança dos deuses (que, aqui, não são identificados explicitamente) tem lugar ao longo de três momentos - o marido de Niobe morre durante uma caçada; o pai de Niobe apaixona-se por ela; quando a filha o rejeita, esse invulgar pai convida os netos para um banquete e queima-os vivos. É na sequência dessas acções que, também nesta versão, Niobe se suicida, atirando-se de um rochedo, e que o pai desta também acaba por se suicidar de forma desconhecida.

 

Este é, portanto, mais um daqueles mitos que instava a uma prudência face aos deuses, já que a sua vingança, quando eram desafiados, podia ser terrível, como é aqui tão bem visto, sendo esta até uma moral muito repetida nos mitos gregos.

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