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A história de Hero e Leandro parece ter sido de alguma popularidade na Antiguidade, mas as linhas que se seguem referem-se, mais particularmente, a um poema de Museu Gramático (nome que lhe é dado para o diferenciar do mais famoso, e antigo, Museu), em que este abordava, de uma forma belíssima, a história de amor dessas duas figuras.

 

Hero era uma virgem sacerdotisa de Vénus que vivia numa torre. Um dia, num festival da deusa, Leandro viu-a e apaixonou-se por ela... Mas desta vez, mais do que contar o resto desta história - que dificilmente faria justiça ao poema de Museu - irei apenas dizer que quando Leandro pretende incitar Hero à prática do amor, começa a surgir uma sequência retórica de uma beleza esplêndida, e que só poderá ser julgada devidamente quando lida em primeira mão. Fica, portanto, o convite para que este texto seja lido, por exemplo, em tradução inglesa aqui, ou em grego e francês aqui.

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Sócrates, imortalizado nas linhas de Platão, é uma figura muitíssimo bem conhecida na Filosofia, mas, ao longo de toda a literatura da Antiguidade, existem momentos em que outras faces da mesma figura são reveladas. Estrabão, ao referir a Batalha de Délio, coloca então Sócrates do lado dos vencidos, e diz que este, após ter perdido o cavalo, encontrou Xenofonte caído, e transportou-o às costas para fora de combate. Muitos outros autores referem a presença do (futuro) filósofo nessa batalha, mas são momentos como estes que nos permitem constatar que existe um outro Sócrates antes do filósofo.

 

Alguns autores mencionam, por exemplo, que esta figura trabalhou na estatuária, tendo criado umas estátuas das Graças que estavam na Acrópole de Atenas, mas nem todas essas afirmações são igualmente credíveis. Se a presença da figura na batalha aqui referida até aparece bem atestada, outros elementos (como o das estátuas) nem sempre têm o mesmo valor, devendo ser vistos, muitas vezes, com alguma prudência.

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Erisictão era um rei que mandou destruir um bosque consagrado a Deméter, deusa da agricultura. Então, esta castigou-o com um apetite infindável, que o rei nunca conseguia saciar. Eventualmente, esgotou todos os seus recursos, mas continuava sempre com fome. Então, decidiu vender a sua filha, Mestra, por diversas vezes, para poder comprar mais comida. Porém, esta filha sempre retornava a casa, transformando-se em diversos animais e escapando de quem a tinha adquirido, uma mágica capacidade que lhe tinha sido dado por Poseidon, rei dos mares e seu antigo amante. O mito termina com Erisictão, numa derradeira refeição, a devorar-se a si próprio.

 

Muitas poderiam ser as ilações a retirar deste mito, mas, num nível de leitura mais superficial, pode apontar-se a necessidade de respeito pelos deuses, e uma, sempre actual, necessidade de alguma contenção no aproveitamento dos recursos naturais. O mito fala-nos de um bosque, mas, associado à figura de Deméter, o local afectado também poderia tratar-se de um campo de cultivo, que, quando destruído, levava, de uma forma muito directa, à fome das populações, como levou à do próprio Erisictão. Claro que a fome desse rei era, no mito, sobrenatural e insaciável, mas algo parecido até poderá passar-se com cada um de nós, se decidirmos desrespeitar a natureza. Este é, portanto, um mito hoje tão actual como quando foi escrito, há já muitos séculos, e cuja lição subjacente jamais devemos esquecer.

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Se pensássemos nesta obra de Estrabão como composta por elementos meramente geográficos, parece-me claro que não poderia deixar de tratar-se de um texto enfadonho. Porém, Estrabão, mais do que meramente descrever o mundo que então conhecia, composto por três grandes continentes, também inclui nos seus relatos informações que, no contexto deste espaço, merecem ser referidas:

 

- Sempre que possível, o autor confronta o que sabe, ou que viu, com aquilo que os textos de Homero (mais frequentemente, a Ilíada) lhe dizem. É essa a principal fonte que parece ter sempre presente a seu lado, e Estrabão vê-a como uma prova incontornável da geografia que existia no tempo do seu possível autor.

 

- O autor também refere, ao longo dos seus livros, os locais em que dados eventos mitológicos tomaram lugar. Se alguns deles são relativamente óbvios (por exemplo, a luta de Jasão com o Minotauro só poderia ter tido lugar em Creta), já outros, como os de transformações, o rapto de Perséfone, etc., também são associados a alguns locais, muitas vezes sem que possamos compreender a razão para tal. Tratar-se-ia de simples tradição, ou teria o autor mais algumas razões para associar cada um desses mitos a um qualquer local? Não sabemos.

 

Esta texto é, portanto, mais do que uma obra meramente geográfica, uma que conjuga os locais que o autor vai descrevendo com alguns dos eventos que lá tomaram lugar, e algumas das coisas que lá existem. Não é, em alguma altura, tão detalhado como a obra de Pausânias, mas, aqui e ali, também preserva informações que podem ser interessantes para alguns leitores.

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A figura do ciclope Polifemo é muitíssimo bem conhecida da Odisseia homérica, em que aprisiona Odisseu e os companheiros numa caverna. Porém, esse não é o único mito atribuído à figura; a presença das ovelhas, sob as quais Odisseu e seus companheiros acabam por fugir, dá-nos a supor uma outra ocupação por parte deste monstro, que tem alguma importância num outro mito:

 

Polífemo, enquanto trabalhava nos campos, conhece uma ninfa, chamada Galateia, que tenta seduzir com a sua música e alguns presentes campestres. Esta, no entanto, rejeita-o em favor de um mortal, Ácis. Quando vem a saber dessa relação, o ciclope, filho de Poseidon, nos seus cíumes acaba por matar Ácis com uma enorme pedra. Depois, infeliz, Galateia transforma o defunto num curso de água.

 

Este mito é muito mais recente que o episódio homérico, mas em termos de trama, só pode antecedê-lo (recorde-se que, para escapar da caverna, Odisseu cega Polifemo), e permite-nos compreender, de alguma forma, potencial relação pastoral que Polifemo tinha; como qualquer outro pastor da altura, também é provável que esta figura mitológica passasse o seu tempo nos campos a tocar flauta, a vigiar as ovelhas, a produzir queijos (entre outras tantas possibilidades), fazendo dele, mais do que um mero monstro (como o eram Tífon, Equidna, Cérbero, etc.), uma criatura civilizada, também ela propensa ao amor, ao cíume e à dor. Esses são aspectos a que aqui temos um acesso mais directo, mas em relação aos quais Homero apenas fazia algumas alusões, mais evidentes através da presença das ovelhas desta figura.

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O mito de Minta

12.05.15

O mito de Minta, também conhecida por Menta, é muitíssimo simples: essa era uma ninfa que se apaixonou por Hades, e que foi transformada numa planta (evidentemente, a menta) pela esposa desse deus, Perséfone. Trata-se este mito, então, de mais um criado para justificar a existência de uma dada planta, como tantos outros que ocupam as páginas das Metamorfoses de Ovídio.

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Está agora disponível, aqui, a tradução do segundo livro das Quilíadas.

 

Se, aqui, o autor continua o mesmo trabalho que principiou no primeiro livro (recorde-se que a divisão desta obra em diferentes "livros" não proveio de Tzetzes), contando muito mais mitos associados às mais diversas figuras, é curioso que, entre eles, se conte já uma figura do Cristianismo - Sansão, mais conhecido pela sua relação com Dalila, mas cujas aventuras o autor até conta de uma forma mais abrangente. É também nessa sequência que é mencionado o poder mágico do cabelo desse herói, ao que o autor acrescenta que nos mitos gregos também existiam duas outras figuras cujos cabelos tinham poderes sobrenaturais.

 

Além dessa história, que me pareceu importante mencionar, este segundo livro (que, para usar uma expressão mais moderna, se poderia equiparar a um segundo capítulo) também reconta algumas histórias de figuras como Arquimedes, Héracles (mais conhecido como Hércules entre os romanos), Protesilau, Alceste, ou Apolónio de Tiana, entre outros.

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