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Pseudo-Apolodoro faz deste trabalho o oitavo na sua sequência, mas é um mito muito mais complexo do que nos poderia parecer a uma primeira vista, sendo apenas constantes dois elementos em todas as suas versões - que as éguas eram antropófagas e que o seu dono e criador, Diómedes, morreu ao defendê-las. No decurso de trama pelo menos uma figura é devorada pelas éguas; frequentemente é o próprio Diómedes a sofrer esse destino, sendo-nos dito que consumi-lo acalmou os animais, facilitando a tarefa de os transportar. Também o destino final desse equídeos varia de versão para versão, sendo elas destruídas ou consagradas aos deuses.

Hércules e as éguas de Diómedes

Se este tema parece não ter sido muito popular na arte (reproduz-se acima parte de um raro exemplo provindo de um friso de Delfos), sabemos que existiria certamente aqui um confronto do herói com as próprias éguas e pelo menos uma figura a ser devorada por elas, já que esse é um elemento sempre presente nas fontes literárias.

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Entre os poucos trabalhos que nos chegaram da autoria de Mosco conta-se "Europa", um pequeno poema sobre o rapto da famosa princesa. De uma forma muito básica pode ser dividido em três momentos - um sonho profético que surge a Europa; esta e duas amigas colhem flores num campo, encontrando um dócil touro; a princesa monta-o, começando este a dirigir-se por mar para um local que posteriormente vimos a saber tratar-se de Creta.

Se este poema nem é muito complexo (é possível lê-lo em menos de 5 minutos, estando uma tradução inglesa disponível aqui), cada um dos seus momentos é detalhado com alguma profundidade, dando algum charme inesperado a toda a composição.

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Sétimo trabalho na contagem de Pseudo-Apolodoro, foi aqui pedido a Hércules que capturasse vivo o touro de Creta; este requisito de não matar o animal é de alguma importância, já que Teseu acabaria por mais tarde defrontar o mesmo animal nas planícies de Maratona. De um modo geral sabemos que Hércules cumpriu esta tarefa com alguma facilidade, mas um aspecto extremamente importante deste mito passa pela identidade do próprio touro. Poderá parecer uma afirmação estranha para leitores mais incautos, mas mediante a fonte consultada são dadas diferentes proveniências ao animal, podendo tratar-se do touro que transportou Europa para Creta (que, como é óbvio, então não se trataria de uma transformação de Zeus), do que foi enviado pelo deus dos mares e por quem a esposa de Minos se apaixonou (o pai do Minotauro, frise-se), ou de algum outro animal que em comum com os anteriores bastaria ter a forma bovina.

Hércules e o Touro de Creta

O herói pode aqui ser visto a submeter o touro, antes de o levar de volta para a Grécia e apresentar em Micenas.

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O mito de Palamedes já aqui foi falado há algum tempo. Nessa altura foi referido que o herói se viu "acusado de (falsa) traição"; é dessa acusação precisa que Górgias se defende neste texto, apontando alguns argumentos que o filho de Náuplio poderia ter usado em seu favor. As provas que utiliza são bastante razoáveis, de um ponto de vista retórico certamente que poderiam ter convencido os líderes dos gregos a absolvê-lo de quaisquer culpas, mas devemos ter em conta que, como sabemos através do respectivo mito, os seus opositores não eram imparciais, algo que certamente contribuiu para o desfecho do episódio.

 

Contudo, este é um texto simples e fácil de ler, apesar de só poder ser totalmente compreendido por aqueles que conheçam bem as acusações de que Palamedes foi alvo, visto que Górgias só se refere a elas de uma forma subetendida e, evidentemente, para delas se defender.

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Para Pseudo-Apolodoro o sexto trabalho do herói. Ele tinha aqui de defrontar os pássaros do Lago Estínfalo, com alguns autores a dizer que essas criaturas eram carnívoras. No entanto, mediante as fontes o objectivo final deste trabalho parece diferir, existindo grandes duas versões; na primeira delas é-nos apenas dito o que o herói tinha de afastar esses pássaros do local, enquanto que na segunda também tinha de os destruir. Em ambos os casos o herói afasta-os com recurso a um qualquer tipo de instrumento musical, mas quando também tem de os matar fá-lo com as suas flechas ou com os projécteis lançados por uma espécie de fisga.

Hércules e os pássaros do Lago Estínfalo

 Esta imagem do episódio permite-nos ver que não parece ter existido uma forma totalmente concreta para estas aves. Sabemos, evidentemente, que voavam, mas se aqui se assemelham a cisnes e patos, também podem parecer pinguins ou pombos, como visto abaixo.

Hércules e os pássaros do Lago Estínfalo

 

Hércules e os pássaros do Lago Estínfalo

Seja qual tivesse sido a sua forma original, essa também é uma característica secundária do mito, com estes mosaicos a nos mostrarem a fama do episódio para uma audiência romana, numa versão em que, como é facílimo notar, Hércules tinha mesmo de matar os alados opositores e não somente afastá-los do local em que viviam.

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Face a todo o contexto dos mitos de Héracles poderia parecer-nos que as preferências sexuais do herói fossem bem conhecidas, mas Ateneu, no seu 13º livro, leva-nos a uma ideia intrigante: segundo ele, um Diotimo (hoje desconhecido) escreveu uma "Heracleia", na qual Euristeu e este filho de Zeus eram amantes, tendo o segundo empreendido os seus famosos trabalhos para agradar ao primeiro.

Tendo em conta que esta informação aparece inserida num conjunto de referências a pares semelhantes e que o autor dá referências bibliográficas para cada um deles, torna-se fácil concluirmos que esta era a opinião de um só autor e que, como pode ser visto através da mesma sequência no texto, não representava a opinião de nenhuma maioria.

São conhecidas várias relações do herói com mulheres, este também teve vários filhos, e se existem algumas referências à relação (não necessariamente amorosa) desta figura com Iolau ou Ílas, entre outros, é provável que a opinião de Diotimo seja exclusivamente isso mesmo, uma opinião de um só autor, até porque a obra que lhe é atribuída não nos chegou, dificultando a tarefa de averiguar em que medida Euristeu e Héracles até poderão ter tido alguns episódios de paixão.

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O quinto trabalho na sequência seguida por Pseudo-Apolodoro é pautado por alguma incerteza. Sabemos, efectivamente, que Hércules teve de limpar os estábulos dos imensos rebanhos de Áugias e que na sequência dessa tarefa o rei lhe negou um pagamento prometido, dizendo-lhe que era a sua tarefa fazer o que tinha feito sem esperar qualquer tipo de recompensa. Então, a personagem principal matou o rei e deu esse reino ao filho deste, Fileu.

É possível que tenha existido uma versão em que a figura faz todo o trabalho com as próprias mãos, mas nas versões mais famosas a situação tende a ser resolvida com o desvio de um curso de água próximo. A menção de que o herói tinha de cumprir a tarefa num só dia é mais recente que o resto da trama.

Deve também adicionar-se que graças ao facto do herói (possivelmente) ter empreendido esta tarefa por dinheiro, Euristeu lhe negou o crédito, acrescentando ao seu número original de 10 trabalhos mais um.

Hércules a desviar o rio

Este mosaico romano do século III d.C. parece mostrar um dos poucos exemplos deste trabalho representados na arte, até porque, de um ponto de vista mais realista, não haveria muito mais para ver.

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