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Muitas vezes, de livre e espontânea vontade, [a jovem de que nos fala uma história] chegava a alegar doença para fugir às companhias que pudessem levá-la ao pecado, principalmente nas festas, nos folguedos e nos bailes, que são ocasiões para excessos. Como se vê, são essas coisas que tornam as crianças maduras e atrevidas antes do tempo, o que constitui um perigo. Afinal, as meninas podem esperar um pouco, deixando para perder o acanhamento quando se casam.

(...)

Pais e mães, não importa quantos filhos tenham, é seu dever vigiar a todos enquanto estiverem sob a sua custódia. Cuidem para que não se percam, nem por seu mau exemplo, nem por sua negligencia em castigá-los. Se assim não agirem, asseguro-lhes que irão pagar por isso. Quando o pastor é mole e descuidado, o lobo encontra muitos cordeiros e ovelhinhas para dilacerar.

Fonte: Contos da Cantuária, tradução de Paulo Vizioli

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Este seria, de acordo com Pseudo-Apolodoro, o 12º e último dos trabalhos de Hércules, que muitos autores equacionam a uma vitória sobre a própria morte. Ainda assim, pouco sabemos sobre as circunstâncias em que teve lugar a captura de Cérbero; é provável que tenha passado por algumas dificuldades na sua descida ao reino dos mortos, que o herói tenha obtido permissão de Hades e/ou Perséfone para "levar emprestado" Cérbero, que possa ter existido uma qualquer condição para esse empréstimo e que Euristeu se tenha (novamente) escondido ao ver a terrível figura do monstro, mas pouco sabemos sobre cada um desses eventos, fruto de falta de informação horizontal consistente sobre este derradeiro trabalho. Sabemos, porém, que mais tarde o herói levou este cão de três cabeças de volta ao reino de onde tinha vindo, provavelmente um dos requisitos que os deuses do submundo lhe tinham imposto.

Hércules e Cérbero

 

Hércules, Cérbero e Euristeu

Estas imagens ilustram dois momentos do mito, com o herói provavelmente a aproximar-se pela primeira vez de Cérbero na primeira e já a mostrá-lo a Euristeu na segunda. Se no primeiro caso são visíveis duas da cabeças do monstro (um possível vestígio de outra versão do mito), na segunda também se poderão notar algumas cobras no próprio corpo deste, outra estranha característica que lhe é dada em outras versões.

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Os que se amam devem respeitar-se mutuamente, se quiserem viver juntos muito tempo. O amor não tolera imposições. Quando surge a imposição, o deus do Amor bate as asas, e então, adeus! vai-se embora. O amor, como tudo o que é do espírito, tem que ser livre. As mulheres, por natureza, desejam a liberdade, e não gostam de ser coagidas como escravas; assim também são os homens, para dizer a verdade. No amor leva vantagem aquele que for mais paciente; sim, virtude sublime é a paciência, dizem os doutos, pois vence onde fracassa a intolerância. Não se deve esbravejar, ou responder, a cada palavra: quem não aprende por si mesmo a controlar-se, ou por bem ou por mal será ensinado. Além disso, não há ninguém neste mundo que, uma vez ou outra, não faça ou não diga alguma coisa errada; a ira, a doença, a influência astral, o vinho, o desequilíbrio dos humores, – tudo pode levar a atitudes ou palavras insensatas. Eis porque não convém ficar zangado a cada deslize; e quem entende a essência da verdadeira autoridade deve com o tempo cultivar o equilíbrio.

Fonte: Contos da Cantuária, tradução de Paulo Vizioli

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Para Pseudo-Apolodoro o 11º trabalho, mas que alguns autores também dizem ter sido o último, invertendo a ordem com a captura de Cérbero. Hércules procura aqui apanhar as famosas maçãs, mas depara-se desde logo com o enorme problema de descobrir a sua localização concreta. Após diversas viagens, em que usa (novamente?) a taça de ouro de Hélio que já foi referido no mito anterior, salva Prometeu da água que o atacava todos os dias. É nessa sequência que o titã o aconselha a não continuar a procura por si mesmo, mas sim pedir a Atlas que as traga; este acede em fazê-lo, mas depois do filho de Alcmena tomar o globo do mundo nas suas costas volta atrás na sua palavra, escapando Hércules da árdua tarefa através de um pequeno subterfúgio.

Hércules e Atlas

Se esta imagem ilustra essa versão mais famosa do mito há que também ter em conta a existência de versões menos conhecidas em que o herói procura as maçãs por si mesmo, acabando por derrotar, de alguma forma, o dragão que as guardava.

Hércules no jardim das Hespérides

Podem aqui ser vistas algumas Hespérides, um dragão (tomando a forma de uma serpente aqui enrolada numa pequena árvore) e Hércules sentado sob a pele de leão e apoiado numa clava, só parcialmente visível no lado direito, dando ainda mais crédito à ideia da existência efectiva de versões desta história em que o herói obtinha o que pretendia sem a ajuda directa de Atlas.

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Aqui fica a resposta, provinda de um dos Contos da Cantuária, numa história que parece ter alguma influência da Antiguidade e que deverá ter sido bastante popular nos séculos que se seguiram, dado o número de fontes que também a referem:

Wommen desiren to have sovereyntee
As wel over hir housbond as hir love,
And for to been in maistrie hym above.

 

O que quer isto dizer, para todos aqueles que têm alguma dificuldade em compreendê-lo? As mulheres desejam ser soberanas e mestres de quem amam.

Será que os leitores, como as mulheres que apareciam na mesma história, também concordam?

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Décimo trabalho de Hércules, seguindo a contagem de Pseudo-Apolodoro. E neste ponto devemos relembrar que se inicialmente teriam sido propostas ao herói 10 diferentes tarefas, este número foi sendo aumentado para 12 devido a duas que Euristeu se recusou a considerar na sua própria contagem; falo, como já foi indicado antes, das relativas à Hidra (na qual o herói teve ajuda de Iolau) e aos estábulos de Áugias (que o herói completou também devido a uma promessa de compensação monetária). Faltam, então, neste ponto da trama ainda três tarefas adicionais.

O principal objectivo desta aventura era capturar o gado de Gerião, trazendo-o a Micenas e Euristeu. Porém, dada a sua extensão (é, creio eu, o mais complexo de todos os trabalhos deste herói), parece-me justo dividir a aventura em três sequências.

 

Na primeira parte do mito Hércules precisa de viajar até ao local onde vivia Gerião, que muitos autores diziam tratar-se de Gadeira (actual Cádiz, em Espanha). Fez parte da viagem a pé mas mais cedo ou mais tarde sentiu tanto calor que acabou por ameaçar Hélio, o sol, com as suas flechas.

Hércules e Hélio

Hélio pode então aqui ser visto com duas flechas cravadas no seu escudo, enquanto conduzia o seu carro alado. É na sequência desta invulgar acção que o herói recebe algum apoio do mesmo deus, que depois lhe empresta uma enorme taça de ouro com a qual se torna capaz de cruzar as águas do oceano.

 

Chegando depois ao local onde residia Gerião, Hércules combateu contra o cão (ou cães) e o pastor de Gerião, antes de defrontar essa figura, uma das mais singulares de toda a mitologia grega, em relação à qual é dito que tinha "três corpos". Seria difícil de definir, essa sua figura, se não fosse o facto de ser muitas vezes representado em combate nessa sua invulgar junção.

Hércules contra Gerião

Com o derrotado cão em pano de fundo (note-se uma flecha no seu ventre), o filho de Zeus pode aqui ser visto em pleno combate com Gerião, sendo essa figura representada como se de três diferentes homens num só corpo se tratassem. Muito mais se poderia escrever sobre esta imagem específica mas os elementos essenciais já aqui estão cobertos.

 

Após este episódio é claro que o herói capturou o gado de Gerião, levando esses touros de volta para Micenas por terra. São muitas as aventuras que também então tomaram lugar, devendo ser feita uma referência ao facto de diversos mitos etiológicos derivarem da pessagem do herói por diversas regiões, incluíndo algumas invulgares inovações gnósticas que só ocorrem já nos primeiros séculos da nossa era.

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"[O debate de] Helena e Ganímedes" é um poema medieval em que as duas figuras discutem diferentes visões da homossexualidade e da heterossexualidade. Helena apoia, como nos parecerá fácil entender, o amor entre um homem e a uma mulher, enquanto que Ganímedes é aqui apresentado como um adepto do amor entre dois homens. Porquê essa segunda figura? Não é totalmente claro, mas é possível que se deva ao facto de Zeus/Júpiter o ter escolhido pela sua beleza particular, fazendo dele (provavelmente) um símbolo da beleza masculina em algumas concepções medievais.

Poucas são as menções mitológicas no poema - nenhum dos dois intervenientes refere episódios dos mitos em seu favor e apenas nos é dito que o debate tomou lugar numa assembleia dos deuses pagãos - sendo que estas figuras da Antiguidade servem apenas como pano de fundo para toda a discussão. Não valerá a pena estar aqui a referir os argumentos usados por cada um, mas não se pode deixar de referir que a heterossexualidade acaba por vencer o debate, com Ganímedes até a corar face a alguns dos seus actos particulares.

Contudo, uma referência adicional deve ser feita à forma como o poema termina - todo o debate parece ter tido lugar num sonho do seu autor, sendo que este termina as suas linhas com uma referência aos pecados de Sodoma e Gomorra (i.e. a sodomia), antes de proclamar que "Se um dia eu pecar assim, que Deus tenha misericórdia de mim", numa óbvia reprovação aos pecados advindos da relação sexual entre dois homens. Poderá, por isso, ser um importante recurso para o estudo da visão da sexualidade na Idade Média.

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