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Esta expressão já ocorria nas Vidas Paralelas de Plutarco, inserida num relato da vida de Cícero.

O seu significado remete-nos essencialmente para a ideia de que devemos sempre agir de uma forma que nos apresente acima de todas as suspeitas, mesmo que nada de errado tenhamos feito. Poderíamos até recordar a história de um dado político português, "engenheiro", que, face a um conjunto repetitivo de processos em tribunal, se defendeu repetidamente dizendo que andava a ser perseguido, argumento que só convence aqueles que nele sempre acreditariam, mesmo face a qualquer tipo de prova real em contrário. Isso não o faz parecer honesto, mas muito menos o será.

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Os mitos gregos e romanos atribuíam um labirinto em Creta a Dédalo, mas não é totalmente certo se, para eles, esse seria o primeiro recinto do estilo. Porém, o labirinto do Minotauro é certamente o mais famoso do género na Antiguidade, sendo até representado seja apenas com a sua forma característica, com um ou múltiplos caminhos possíveis de seguir e até com a monstruosa figura no seu interior. Na ausência do monstro, também pode aparecer com um intuito mais decorativo, que já ocorria em vasos gregos de bastante idade (perdão, "do período geométrico", para quem gosta dessas coisas), mas seria difícil alguém querer argumentar que esse labirinto não se encontra quase sempre ligado a um mito muito específico.

Um Labirinto romano, com Jasão e o Minotauro no seu centro

 

Alguns séculos mais tarde começaram a surgir figuras de labirintos na entrada e no interior de algumas igrejas cristãs. Qual é o seu significado, já que dificilmente ainda se poderia apoiar uma ligação ao Minotauro? Existem muitas teorias, mas uma das mais convincentes parece ser a de uma metáfora para a complexidade dos caminhos da nossa vida e da dificuldade que é a chegada a Deus.

 

Em ambos os casos parece existir a colocação de um elemento de grande importância no seu centro (ou na sua saída), seja o Minotauro de Jasão ou um invisível Deus cristão, entre outras figuras menos frequentes e eminentemente mais decorativas. Na ausência de qualquer figura, o labirinto, por si só, parece ser um elemento decorativo.

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Por razões de foro pessoal no futuro poderão vir a existir menos publicações novas neste local. Porém, também passará a existir uma nova secção, na qual irão ser publicadas algumas ideias provindas da Antiguidade que ainda têm especial relevo nos dias de hoje.

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Este poema de Chaucer apresenta-nos um sonho do seu autor, no qual lhe aparecem o antigo deus do amor e Alceste, figuras que o instam a escrever sobre a virtude das mulheres, já que, como ele próprio nos conta, anteriormente tinha escrito sobre elas de uma forma menos boa. Essa é uma tarefa que empreende após acordar, falando dos amores de figuras históricas e mitológicas como Cleópatra, Dido de Cartago e Medeia.

 

Se em termos de mitologia o texto nem nos apresenta algo de muito notável - o autor assenta muito nas "Epístolas das Heroínas" de Ovídio - há pelo menos um elemento curioso no mito de Teseu. Quando Ariadne refere ao herói como este poderá derrotar o Minotauro não é feita qualquer referência à hedionda forma do monstro, mas é aconselhado ao grego que coloque uma bola na boca do seu opositor, de forma a que este não o pudesse atacar com a boca. Não se tratará de uma corrupção do novelo que o herói usa para escapar do labirinto, que só é mencionado mais à frente, mas de um elemento totalmente novo que não me recordo de ter visto em qualquer referência clássica ao mito.

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Para terminar esta sequência semanal dos trabalhos atribuídos a Hércules importa ainda abordar um último tema, o da sua ordem e composição. Se aqui foi seguida a versão da Biblioteca atribuída a Apolodoro, existiam muitas outras ordens e composições na Antiguidade e na Idade Média. Todas elas parecem ter em comum o facto de principiarem com a aventura do Leão da Nemeia (uma necessidade para que o herói possa ter o seu aspecto característico), sendo muitas vezes - mas nem sempre - apresentado em seguida o mito da Hidra. Os mitos finais - em particular o das maçãs e o de Cérbero - tendem também muitas vezes a aparecer nessa posição, mas já os intermédios nem sempre ocupam o mesmo lugar.

 

Menos comum é a alteração da composição dos trabalhos do herói. Diversos autores adicionam-lhe, por exemplo, um combate com Aqueloo (em que o herói lhe partia um corno, posteriormente transformado no famoso corno da abundância) ou a destruição de Anteu, uma figura mitológica que reganhava toda a sua força sempre que tocava no chão (o que faz sentido se tivermos em conta que nasceu da Terra). Estas adições não são muito frequentes, mas devemos referir que tiveram algum impacto em fontes mais tardias.

Para dar um único exemplo, quando Chaucer, nos seus Contos da Cantuária, refere os trabalhos deste herói, menciona os seguintes - Leão de Nemeia; destruição dos Centauros; destruição das Hárpias; roubo das maçãs de ouro do dragão [i.e. o trabalho das Hespérides, numa versão em que o próprio herói as obtém por si próprio]; Cérbero; morte do dono das éguas antropófagas; Hidra de Lerna; Aqueloo; Caco [um mito mais famoso na mitologia latina, já abordado de forma muito breve aqui]; Anteu; Javali do Erimanto; a tarefa de carregar os céus com o pescoço.

 

Estes são naturalmente mais que os 12 (ou 13) habituais, mas isto também nos permite ver que existiam muitos outros trabalhos associados ao herói e que raramente surgem na listagem dos seus maiores feitos. Mas porque sucedeu essa fixação em 12, em detrimento de um número maior ou menor? É provável que a sua selecção se tenha devido a Pisandro (séc. VII a.C.), que numa das suas obra parece ter abordado o tema e nomeado especificamente 12 trabalhos, sendo provável que este autor também possa ter dado uma ordem parcial ás aventuras do mais famoso filho de Zeus.

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Os "Contos da Cantuária" são uma colectânea de pequenas histórias que numa viagem para a Cantuária um conjunto de peregrinos, cada qual com a sua profissão, partilha entre eles. É uma obra interessante, talvez uma das mais famosas da literatura inglesa, mas não estaria a ser mencionada aqui se não fosse pelo facto de entre as histórias contadas pelos seus intervenientes se contassem algumas provindas da Antiguidade ou inspiradas nos mitos greco-latinos.

Para dar um pequeno exemplo uma das últimas histórias partilhadas principia com a derrota da Píton por Febo [Apolo]. Prossegue com a referência a uma esposa desta figura cuja fidelidade o "deus" (não é totalmente claro que ele aqui ainda se trate de uma figura divina) tentou preservar, colocando um corvo a guardá-la. Quando este falha no seu trabalho, perde a sua voz cantora e é tornado negro. As semelhanças com o mito de Coronis são inegáveis, mas também existe algo de invulgar na história, que a faz soar mais como uma trama amorosa do que um antigo mito.

É esse espírito de romance que parece pautar toda a obra, tanto ao nível de histórias mais recentes como em relação àquelas que provinham da Antiguidade. A isso se acrescente o facto de pelo menos duas enormes histórias estarem profusamente ilustradas com exemplos dos mais diversos autores - figuras como Cícero, Ovídio ou Boécio, apenas para mencionar três dos mais óbvios - e assim se poderá justificar a importância desta criação de Chaucer no estudo da recepção da cultura greco-latina na Idade Média.

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Convém ainda mencionar aquele que alguns autores consideram o 13º trabalho do herói. É muito menos conhecido que os anteriores e não costuma aparecer nas contagens "oficiais", mas conta-nos como o herói dormiu com as filhas de Téspio ao longo de 50 noites consecutivas, engravidando-as a todas, ou a quase todas (em algumas versões uma delas não tem relações sexuais com o herói, tornando-se depois uma sacerdotisa virgem), de forma a cumprir um desejo do pai destas. Importa esclarecer que se tratariam de gémeas, razão pela qual o filho de Alcmena provavelmente pensava que se estaria a deitar com a mesma por múltiplas vezes.

Cronologicamente não poderia tratar-se do último trabalho (tomou lugar antes de todos os outros), apesar de alguns autores, como Tzetzes (Quilíadas 2.503), se referirem a ele como tal.

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