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Esta obra, creio que datada do século XVIII, está pejada de histórias ficcionais pelas quais, alegadamente, o famoso barão teria passado. Entre elas contam-se duas que merecem uma pequena menção.

Este barão visita o reino da lua por duas vezes, sendo que numa delas encontra todo um reino em combate com o reino do sol. A descrição recorda-me das palavras de Luciano na sua História Verdadeira, e penso que a relação até possa ter sido intencional.

Mais tarde, o barão visita também o interior de um vulcão (o Etna, creio?), onde encontra alguns dos antigos deuses romanos. Fala até com eles, mas quem quiser saber mais deverá ler a própria obra.

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A expressão "Calcanhar de Aquiles" é ainda hoje usada para designar uma qualquer fraqueza particular em algo. Assim, ao dizer-se algo como "O calcanhar de Aquiles daquela equipa é a defesa", pretende-se dizer que o seu ponto fraco era a incapacidade para defender correctamente. Muito simples, até porque a expressão é sobejamente conhecida, mas de onde vem ela?

 

Descortinar essa história é muito menos simples do que nos poderia parecer. Na Ilíada não existe qualquer referência a uma especial vulnerabilidade que Aquiles possa ter tido, até porque este herói é aí ferido e sangra. Saltando alguns séculos mais à frente, é somente já no início da nossa era que um primeiro autor, Estácio, alude a uma pequena história na qual este herói, ainda muito jovem, tinha sido banhado pela mãe no rio Estige; isto deveria torná-lo invencível, mas como Tétis o segurou por um dos calcanhares, a figura teria sempre essa vulnerabilidade. Poderíamos então pensar que teria sido Estácio, na sua incompleta Aquileida, a originar a expressão, mas a verdade é que nos muitos séculos que separam os Poemas Homéricos desta criação latina existem múltiplos vasos que têm representados alguma sequência da morte de Aquiles, com o herói a ter, muito frequentemente, uma flecha a trespassar um dos pés.

 

Teria ele morrido dessa ferida? Estaria a flecha envenenada? Muitas poderiam ser as questões relativas ao episódio mitológico, mas seriam um pouco secundárias para o tema aqui em discussão. Nas fontes a que ainda temos acesso, a ideia de uma vulnerabilidade do herói só aparece, como já dito, no primeiro século da nossa era, vindo depois a ser popularizada não através de uma única obra - como poderíamos crer - mas de todo um conjunto de obras que, ao longo dos séculos, a foram repetindo. Esta é, portanto, uma ideia de um autor desconhecido, que a cultura popular foi disseminando com o decorrer do tempo.

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Seria importante dizer-se que não terminei este jogo, disponível para Xbox 360 e Playstation 3, mas deixo aqui um vídeo que mostra diversas sequências do jogo. Estas cobrem não só os eventos da Ilíada, com algumas alterações, mas também outras sequências da mesma guerra, como as de Pentesileia.

Por muito interessantes que estas sequências nos possam parecer, há que ter em conta que foram inegavelmente adaptadas para o contexto do jogo. Assim, aqueles que procurem um estudo mais realista e concreto do tema deverão sorver os eventos aqui representados com alguma prudência.

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What is a human being? A paradigm of weakness, a captive of opportunity, a plaything of Fortune, an icon of deterioration, a balance-beam between resentment and misfortune; and the rest is phlegm and bile.

 

É possível, mas não certo, que a citação que deu origem a esta tradução tenha provindo do Protréptico de Aristóteles, em que Heraclides era um dos intervenientes.

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Realizado pelo brasileiro Marcel Camus, este filme transporta o famoso mito de Orfeu e Eurídice para o Carnaval do Brasil de meados do século XX, com a grande reviravolta de que acaba por ser Orfeu a matar a sua amada. Fá-lo de uma forma indirecta, sem conhecimento de causa, mas quem conhecer bem o mito poderá encontrar ao longo de todo o filme diversas referências ao mito grego. Não serei a melhor pessoa para avaliar todo o filme, mas posso dizer que mais do que se basear no mito grego, a sua inspiração proveio de uma tragédia de Vinicius de Moraes, Orfeu da Conceição, que pode ser lida online gratuitamente aqui e que reservarei para um artigo futuro mais alongado.

 

De forma sucinta devo referir que é um filme interessante, quase sempre muito harmonioso e alegre, mas que também consegue capturar diversos elementos do mito de uma forma curiosíssima - o poder musical do herói, como este tenta recuperar a sua amada, ou mesmo a sequência da morte das suas duas figuras essenciais. Eu consideraria este um filme imprescindível para todos os leitores do Brasil, mas é provável que esses também já o conheçam - se for esse o caso, o que acharam dele?

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