Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O touro representado no Zodíaco é, muito provavelmente, o mesmo que transportou Europa para a ilha de Creta. O mito que o envolve é talvez um dos mais famosos da cultura ocidental - quando a jovem apanhava flores numa zona costeira viu um enorme e belo touro. Por razões pouco claras decidiu subir para o dorso deste; quando isso teve lugar o touro pôs-se a correr sobre as águas, transportando-a para Creta, onde lhe revela a sua divina identidade, fazendo depois amor com a princesa e gerando o rei Minos, pai do Minotauro.

 

Porém, esta versão da história põe-nos um problema - se este touro era uma das metamorfoses de Zeus, se não tinha uma existência real, como poderia ele ser colocado entre as estrelas? É para colmatar essa dificuldade que alguns autores dizem tratar-se não de uma só e única figura, mas de duas - o touro que transportou a princesa fenícia era um mero animal, enquanto que Zeus apenas aguardava por este (e pela convidada por ele transportada) para consumar a sua paixão. Seja como for, se este animal foi colocado entre as estrelas, não creio ter lido qualquer autor que diga que a figura celeste se tratava do próprio deus.

 

Outras hipóteses para a história deste signo poderão ser a figura de Io, uma das muitas jovens amadas por Zeus e que acabou por ser transformada em vaca para a ocultar da ira da esposa do deus, ou até o Touro de Creta, defrontado por Héracles num dos seus famosos trabalhos.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

O quarto evangelho da Bíblia é normalmente atribuído a João, mas nada no seu texto o identifica explicitamente, sendo apenas feitas algumas vagas referências à identidade do autor como se tratando de um “apóstolo que Jesus amou”. De facto, a ligação com João só foi feita de uma forma directa já no século IV por Eusébio de Cesareia, que na sua História da Igreja menciona uma epístola de Polícrates de Éfeso (século II) na qual João era referido como o apóstolo “que se reclinou no seio do Senhor” (V.24). Além desse elemento não há qualquer prova mais conclusiva de que o autor tenha realmente sido João.

 

Pessoalmente, e na senda de alguns estudiosos, sempre pensei que esta figura se tratava de Lázaro. Foi trazido da sua morte de volta à vida, fazendo dele um ser humano bastante especial mesmo no contexto dos milagres bíblicos (a filha de Jairo é referida como estando apenas a dormir, não constituindo uma verdadeira ressurreição).

Além disso, esta figura é referida a Jesus como “aquele que amas” na sequência 11:3 desse evangelho.

Em terceiro lugar, a famosa fórmula associada ao autor do evangelho nunca é mencionada até ao episódio de Lázaro e a sua respectiva ressurreição.

Para terminar, só nesse mesmo evangelho é que nos é dito que os sacerdotes decidiram matar Lázaro juntamente com Jesus (sequência 12:10-11), mas sem que a morte do primeiro alguma vez torne a ser mencionada; Jesus deixa claro que o autor do evangelho até poderia não vir a morrer (sequência 21:21-23), levando-nos novamente a uma ligação importante entre as duas figuras.

 

Se ouvi falar de outras teorias relativas à autoria deste evangelho específico, esta sempre me pareceu a mais convincente. O ponto a reter, no entanto, é que nem os autores mais antigos tinham a certeza absoluta da identidade deste "apóstolo que Jesus amou". Porém, tenha ou não sido ele o autor, a menção a João como aquele que “se reclinou no seio do Senhor” parece ter tido alguma importância, já que, muitos séculos mais tarde, Da Vinci representou na sua "Última Ceia" uma figura muitas vezes identificada como João numa posição semelhante a esta.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Esta expressão advém de um famoso mito grego. Segundo nos contavam, originalmente, os perdidos Poemas Cíprios, numa dada altura teve lugar o casamento de um mortal com uma deusa, Peleu com Tétis, que acabaria por gerar Aquiles. Todos os deuses foram convidados, com excepção da Discórdia (i.e. "Éris"); esta, para se vingar, fez entregar no local uma maçã de ouro na qual estava inscrito "Para a mais bela". Afrodite, Atena e Hera disputaram o invulgar fruto, o que levou depois ao Julgamento de Páris e à Guerra de Tróia, ambos temas que já cá foram tratados múltiplas vezes.

 

O "pomo da discórdia" é então esta invulgar maçã, um metafórico fruto ou elemento que gera algum tipo de incompatibilidade entre aqueles que o disputam, sejam eles as deusas do Olimpo ou simples mortais.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Secções:

Muitas são as histórias de animais na Antiguidade. Desde as fábulas de Esopo até à história de Incitatus, o cavalo que Calígula (supostamente) quis tornar senador, um grande número de animais ocupa as muitas páginas das histórias gregas e latinas. Porém, quando há uns tempos me pediram uma sobre um gato, não me pareceu existir qualquer que fosse especialmente notável, até ter encontrado a que reconto em seguida.

 

Diz então a história que a esposa de Constantino IX Monómaco tinha um gato com os seus próprios servos, que lhe compravam a comida e o transportavam numa cesta. Este gato comia até num prato de ouro, e quando o animal subiu para um telhado a imperatriz decidiu queixar-se perante o senado, cujos membros parecem ter tido alguma dificuldade em suprimir o riso. Pouco mais se sabe sobre as aventuras deste animal, excepto que após o falecimento do feliz animal (provavelmente não relacionado com a sua subida a um telhado, mas as fontes consultadas não clarificam esse ponto), a imperatriz obteve um cão, que depois foi criado da mesma forma e continuou a usar as ricas tigelas do seu antecessor.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Secções:

O tema dos 12 signos do zodíaco já cá foi abordado, de forma muito simples, no ano de 2012, mas face à curiosidade de algumas pessoas achei que poderia dedicar mais algumas linhas ao mesmo. Assim, as histórias desse ciclo celeste irão ocupar as próximas semanas deste espaço.

 

Se o signo do carneiro até poderá ter tido uma origem mais antiga (como ocorre com diversos outros, importa frisar), em específico através de uma figura com cabeça de carneiro que já existia na religião egípcia, a sua história mais famosa provém dos mitos gregos. O mito dos Argonautas, de que nos falam as obras de Apolónio de Rodes e Valério Flaco (entre outras), apresentava os viajantes da Argo, comandados por Jasão, a tentar obter um tosão de ouro que existia em terras de Cólquida. Esta trama é famosa, mas também tem um prefácio bem menos conhecido.

 

Alguns anos antes o rei Atamas tinha tido dois filhos, Frixo e Hele, fruto de um primeiro casamento. Casou depois com Ino, que tinha uma inveja enorme das duas crianças; para se livrar destas, a nova esposa induziu uma enorme fome nessas terras de Beócia (presume-se que tenha recorrido a magia negra) e falsificou uma mensagem de Delfos, segundo a qual o problema da região só acabaria com o sacrificio de Frixo.

Se o rei Atamas não gostou dessa mensagem, pelo seu dever régio decidiu que tinha mesmo de sacrificar o filho. No entanto, este, juntamente com a irmã, foram salvos por um carneiro voador enviado pelos deuses. Hele acabou por cair num local que viria a chamar-se Helesponto em sua honra (i.e. "Mar de Hele"), mas Frixo chegou com o carneiro até terras da Cólquida, onde foi bem recebido pelo rei Eetes - já famoso do mito dos Argonautas - a quem ofereceu o tosão do animal aí sacrificado. O carneiro também foi, nessa altura, colocado nos céus, onde ainda hoje pode ser visto, enquanto que a sua singular lã apareceria depois no mito dos Argonautas, de que já falei acima.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Uma questão relativamente comum prende-se com a simbologia por detrás das prendas dos três reis magos, hoje tão famosos do Novo Testamento. Tentarei explicá-lo, mas isso implica também alguma informação adicional.

 

Primeiro que tudo, os magoi (o seu nome grego) aí referidos tinham a sua designação pela religião que praticavam, o Zoroastrianismo. Não eram reis e nada tinham de mágicos, no sentido moderno da palavra, mas na sua religião existia uma enorme ênfase na observação do movimento dos astros. É por essa razão que quando viram uma estrela a mover-se nos céus a decidiram seguir, já que um dos preceitos da sua religião dizia que este invulgar astro acabaria por conduzi-los ao salvador do mundo.

Quantos eram os viajantes? Se hoje são considerados três, no relato bíblico e nas tradições mais antigas nada nos é dito sobre o seu número, com este elemento numérico a provir, muito provavelmente, do número dos seus presentes, como se cada um deles tivesse decidido que devia levar algo de diferente para o recém-nascido.

Poderia parecer-nos que esta era uma ideia com alguma lógica, mas a razão por detrás dos três presentes é bastante diferente e nada tem a ver com o potencial número de viajantes. Ao oferecerem ouro, incenso e mirra a Jesus, os viajantes pretendiam testá-lo, ver qual o presente que aceitaria em primeiro lugar, de forma a compreenderem se este era um rei (para quem o ouro seria uma prenda digna), um deus (que mereceria o incenso) ou um mero mortal (a quem se destinaria a mirra). Jesus aceitou todas as três prendas ao mesmo tempo, como que declarando que era um rei, um deus e também um mortal.

Licença Creative Commons

Autoria e outros dados (tags, etc)



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

  Pesquisar no Blog