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Há alguns dias fomos contactados por um estudante da Universidade de Brasília que pretendia usar alguma da informação deste espaço num projecto. Ele tinha, no entanto, um pequeno problema - não sabia a quem creditar as linhas aqui apresentadas. Visto que essa se tratava de uma preocupação legítima, após alguma discussão interna essa informação (parcial) foi adicionada à página, apesar de dois dos envolvidos preferirem, por recomendação de uma professora catedrática, continuar anónimos.

 

Também, este espaço terá agora mais uma nova secção, "histórias do Cristianismo", na qual serão apresentados temas relativos a essa religião. Deve, porém, frisar-se que o uso de "histórias", em detrimento de "mitos" (como nas secções anteriores) deverá ser interpretado como uma total ausência de julgamento em relação à veracidade das mesmas.

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Margites era uma obra atribuída quase sempre a Homero, e a sua grande importância pode ser vista pelo facto de Aristóteles ter dito, na sua Poética, que esta criação estava para as comédias como a Ilíada e a Odisseia estavam para as tragédias da altura. Agora, esta obra está hoje perdida, mas através dos seus fragmentos e das poucas citações que os autores posteriores lhe fazem podemos saber o seguinte:

 

Uma das frases da obra dizia que a raposa sabia muitos truques e o ouriço-cacheiro apenas um, mas um muito bom. É provável que esta frase surgisse no contexto de um qualquer engano reportado na obra, à qual o titular Margites acabaria, como o próprio ouriço, também por se safar repetidamente; esta é uma suposição que fará algum sentido se tivermos em conta o contexto da presença dos animais, e sua ligação com as acções dos humanos, nos poemas homéricos.

 

A personagem titular, Margites, era representada como estultíssimo. Entre os exemplos dessa sua característica surgem a sua incapacidade para qualquer arte; o facto de este não saber quem o tinha dado à luz (se pai, ou mãe); a sua recusa em fazer amor com a esposa mesmo após o casamento, para que esta não pudesse depois dizer mal dele aos seus familiares.

 

Infelizmente, se alguns vagos fragmentos foram sendo encontrados ao longo dos anos, parecem referir-se quase todos à mais singular característica de Margites, a sua evidente falta de saber. Será que a personagem acabaria por se redimir? Apresentar-nos-ia esta aventura um herói que, apesar de desconhecedor, acabaria por vencer as mais diversas dificuldades que se lhe punham? Não sabemos, mas a informação que Aristóteles nos dá deixa claro que a obra, qualquer que tenha sido a sua autoria real, se destinava a fazer rir a audiência. Disso é um enorme exemplo uma alusão menos conhecida, provinda das obras de Eustácio de Tessalónica - para que Margites finalmente fizesse amor com a esposa, esta disse-lhe que tinha uma maleita que só podia ser curada se este enfiasse os seus genitais na vagina da sofredora.

Acabou o herói por fazê-lo? O que viria a pensar Margites dessa sua experiência sexual? Na ausência real da obra, ou de uma sinopse, ficam as questões...

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Datada do século que precedia a era cristã, estas Sentenças de Públilio (ou Públio) Siro apresentam mais de um milhar de pequenas frases de sabedoria, hoje tão intemporais como quando foram sendo postas por escrito. Aqui ficam algumas das que nos pareceram mais interessantes, com alguma ênfase naquelas que se referem aos deuses e eventos mitológicos:

 

1- Como homens, todos somos iguais na presença da morte.

12- Um pequeno empréstimo faz um devedor; um grande, um inimigo.

25- Um deus dificilmente pode amar e ser sábio.

49- Um homem sábio controla as suas paixões, um louco obedece-lhes.

101- [A deusa] Vénus cede às carícias, não à coação.

155- Dificilmente pode um deus perturbar um homem realmente feliz.

190- Os deuses devem rir-se quando um homem próspero reza [por mais].

213- Quanto menos um mortal deseja, de menos precisa.

239- O ganho de dinheiro foi o que primeiro sugeriu aos homens fazer da Fortuna uma deusa.

280- A Fortuna é como vidro; quanto mais brilha, mais facilmente parte.

321- Os homens fizeram da Fortuna uma deusa para que o infortúnio pudesse ser certo.

357- Um galo tem muita influência no seu monte de esterco.

410- Os deuses dão ao homem um bem para compensar dois males.

425- Quando um leão está morto até cachorros conseguem mordê-lo.

466- A mulher é superior ao homem na astúcia.

491- Quanto menos a Fortuna deu, menos ela pode tirar.

548- Sê o primeiro a rir dos teus próprios erros e ninguém se irá rir de ti.

571- Apenas o ignorante despreza a educação.

617- Uma consciência pesada nunca se sente segura.

650- Poucos apreciam o que Deus dá a todos.

656- Só o dinheiro faz todo o mundo girar.

678- Deus costuma encontrar uma forma de dois iguais se conhecerem.

715- Deus olha para as mãos limpas, não para as cheias.

784- O que é praticar a benevolência? É imitar a Divindade.

854- É correcto magoar um homem para salvar a sua vida.

864- É melhor aprender tarde do que nunca.

1015- O raio é forjado quando raiva e poder se encontram.

1024- Aquele que naufraga uma segunda vez faz mal em acusar Neptuno.

1076- Se ganhares novos amigos não te esqueças dos antigos.

1087- A vida de um homem é curta, e portanto uma morte com honra é a sua imortalidade.

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Como já foi escrito em 2012, a presença da balança nos céus poderia ser difícil de explicar excepto se pela associação com uma figura próxima, hoje quase sempre chamada "a Virgem". Mas de onde vem o nome desta última, e qual é mesmo a história que a coloca nos céus?

 

Infelizmente, se muitas são as potenciais histórias para essa figura - por exemplo, poderia associar-lhe Astreia, Deméter ou Erígone, entre outras - a mais natural seria mesmo a da presença de uma deusa da justiça nos céus, juntamente com a sua imparcial balança. Não me recordo de qualquer razão muito contundente para as suas colocações gerais entre as estrelas, mas em relação ao nome moderno dessa figura feminina, sempre ouvi dever-se ao facto de, já na Idade Média, esta ter sido equiparada com a mais famosa das virgens do Cristianismo - Maria, mãe de Jesus Cristo.

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Na sua Cronográfica João Malalas (ou Malelas) conta-nos a história do mundo desde o seu início até ao próprio tempo de vida do autor, por volta de 550 d.C. . Tanto o início como o final da obra estão parcialmente perdidos, mas no contexto deste espaço é de alguma importância os primeiros livros da obra; segundo outras fontes nele baseadas, a obra de Malalas começava com a criação do mundo segundo o Antigo Testamento, prosseguindo depois com as histórias que se seguiam a este evento.

 

Muitos outros autores criaram obras semelhantes, mas o que esta tem de especial é o facto de proceder a uma cristianização dos muitos mitos gregos. Zeus, por exemplo, torna-se Pico Zeus, um rei do qual vão nascendo um grande número de heróis, todos eles somente humanos, que vão povoando a obra através de uma humanização das aventuras mitológicas. Poderia ser uma boa ideia para a sua audiência, agora já crescentemente cristã, mas essa adaptação nem sempre é feita da melhor forma, como podemos constatar no caso da morte de Perseu, de que já falámos antes (ver aqui); se à cabeça da Medusa é, inicialmente, retirada qualquer elemento mágico, no momento fulcral do mito, e sem qualquer explicação, esta torna-se novamente capaz de transformar, por magia, as pessoas em pedra.

 

Estes elementos, apesar de imperfeitos, tornam esta uma obra interessante para o estudo dos mitos gregos e latinos num período mais tardio, mas também importantes para o estudo dos eventos que tiveram lugar durante o tempo de vida do próprio autor, em que a obra se torna mais detalhada.

Creio que não existe em Português, pelo que a edição consultada foi a inglesa de Jeffreys e Scott (1986).

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Tal como acontecia no caso do caranguejo, também a presença deste leão nos céus era de fácil justificação para os Antigos. Tratava-se do Leão da Nemeia, o feroz (e invulnerável) animal que Héracles defrontou no primeiro de todos os seus trabalhos; se este foi derrotado e morto pelo herói, que depois passou a usar a sua pele como uma espécie de armadura, a razão da colocação entre as estrelas não é totalmente clara, podendo ter-se tratado apenas de uma forma de imortalizar o primeiro dos feitos do mais famoso filho de Zeus. Parece-me uma razão tão boa como qualquer outra, até pelo facto de nem todos os trabalhos do herói estarem colocados nos céus, levando-nos a pensar que este, em específico, deveria ter alguma razão especial para aí ser representado.

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Infelizmente, creio que nenhum autor da Antiguidade nos diz como foi criado o famoso "Triângulo de Pitágoras", mas todos tendem a repetir que foi esta figura, e somente ela, a criar a famosa fórmula. Depois, é-nos também dito que fez um sacrifício aos deuses, seja de um boi, de várias dezenas, ou, como até nos diz Porfírio, um boi feito de farinha (poderá parecer uma opção invulgar, mas só assim não violaria algumas das regras do Pitagorianismo).

Sabemos agora que a famosa fórmula precede Pitágoras, mas mesmo assim tanto os Gregos como os Latinos nunca parecem ter duvidado dessa sua autoria.

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