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Erasmo de Roterdão diz-nos que "falar às paredes" (ou aos muros) é algo que os amantes muito tendiam a fazer, e sabemos que esse acto até é uma parte importante da trama do mito de Píramo e Tisbe (ver aqui), mas o autor não nos dá qualquer fonte explícita para a sua informação, frisando apenas que a expressão já ocorria numa das peças de Plauto. O seu significado é simples - "falar às paredes" é o mesmo que fazer algo de muito absurdo, sem qualquer sentido real.

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"Quimera"

22.12.17

Nos seus Adágios Erasmo dizia que "Quimera" era um epiteto que se poderia dar a um homem que é inconstante, instável, imprevisível. A mesma expressão também podia ser usada - como hoje - relativamente a obras literárias de conteúdo incoerente (i.e. um "texto quimérico"), mas quem era, final de contas, a figura mitológica por detrás deste conceito?

 

Dizem-nos diversos autores que a quimera era um monstro mitológico composto por partes de diversos animais, frequentemente (e como pode ser visto na imagem acima) um leão, uma cabra e uma serpente. Era também filha dos monstruosos Tífon e Equidna, mas o mito mais famoso que temos em relação a ela passa pelo seu combate com o herói Belerofonte, que acabour por a destruir com o auxílio de Pégaso (ver aqui). Os contornos dessa batalha nem sempre estão bem fixos, mas o seu final é conhecido - este monstro foi, como já referimos, destruído pelo herói.

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É famosa a fábula do cordeiro e do lobo, da autoria de La Fontaine, mas a expressão aqui apresentada nada tem a ver com ela, contrariamente ao que se poderia pensar. Já existiam alusões a esta ideia no canto 22 da Ilíada, e continuam a ocorrer em diversos autores da Antiguidade, mas a sua ideia essencial passa pelo absurdo que é deixar alguém entregue a quem até possa nem ter os seus melhores interesses em mente. Tal como um cordeiro facilmente seria devorado por um lobo, também há que ter cuidado com aqueles a quem confiamos os nossos tesouros pessoais.

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Dizem-nos as histórias que num dado dia a viajante Sibila de Cumas se encontrou na corte de Tarquínio, o último rei de Roma. Dos nove livros que tinha em sua posse, ofereceu-os ao monarca por uma soma avultada (curiosamente, a história não nos preserva quão elevada seria...), mas este rejeitou comprá-los. Então, a Sibila atirou três deles para o fogo e propôs que Tarquínio comprasse os seis restantes ao mesmíssimo preço. Pela segunda vez o monarca rejeitou essa proposta, e pela segunda vez a viajante destruiu três dos volumes que tinha em sua posse. Finalmente, a desconhecida ofereceu os três últimos livros pelo preço original. Inesperadamente, Tarquínio acabaria então por comprá-los - são os Livros Sibilinos, famosos da cultura e religião romana - enquanto que essa Sibilia desapareceu misteriosamente, para nunca mais ser vista pelos homens.

 

Muito se poderia escrever relativamente a este pequeno mito, mas os seus mistérios são maiores do que a informação que ele nos revela. Está envolto na neblina dos tempos, surgindo numa espécie de vácuo histórico e mitológico cujos contornos estão aqui representados. Seja quem tiver sido essa Sibila, os livros que supostamente vendeu a Tarquínio acabaram por se tornar de extrema importância na religião romana, mas também foram perdidos nos primeiros séculos da nossa era, fruto de dois incêndios.

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Já todos ouvimos falar das proverbiais "lágrimas de crocodilo", mas a que se deve essa expressão?

Segundo diversos autores da Antiguidade o crocodilo chorava as suas crocodili lachrymae por uma determinada razão. Alguns diziam que o fazia para atrair uma presa que depois atacava e devorava. Outros, mais particularmente os autores cristãos, diziam que o mesmo animal o fazia pelo arrependimento dos seus actos - mas tenha-se também em atenção que, como um falso arrependido, nunca mudava o seu comportamento. Qualquer que tenha sido a razão por detrás de esse suposto choro, os mais variados autores eram horizontais na ideia de que não era um choro sincero. E é precisamente daí que vem a expressão - as lágrimas do animal eram dissimuladas, sendo por isso ainda hoje símbolo de um falso arrependimento.

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Muitas são as referências aos Ciclopes, enquanto figuras mitológicas, na literatura da Antiguidade, mas a mais famosa de todas elas é indubitavelmente aquela que ocorre na Odisseia de Homero. O episódio de como o herói Ulisses o cegou (momento que até pode ser visto na imagem acima) é sobejamente conhecido, bem como a forma brutal como Polifemo e os seus companheiros ciclopes conduziam a sua vida.

De onde vem então a expressão "à maneira dos Ciclopes"? Se esta expressão já não é utlizada nos nossos dias, remetia-nos para a ideia de uma vida desregrada, "bárbara" no sentido grego da palavra, contrária às regras da civilização, como aquela do ciclope de Homero, que comia seres humanos e bebia muitas vezes em excesso.

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Que a expressão "lana caprina" significa algo de pouca importância já muitos certamente saberão (não sabiam? Podem ver, por exemplo, este artigo), mas qual a origem do provérbio? Erasmo de Roterdão diz-nos que terá nascido de uma disputa entre duas pessoas que, acerrimamente, discutiam se uma cabra estava coberta de lã ou pêlo - um tema de pouca importância, como facilmente nos podemos aperceber. O autor, infelizmente, não nos diz que fonte utilizou para obter essa informação, mas a expressão já era motivo de alusão numa das epístolas de Horácio, sendo provável que fosse bem mais conhecida entre os estratos mais baixos da população da altura.

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