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Conta-nos uma das histórias medievais do Rei Artur que, numa dada altura, Perceval foi o primeiro dos cavaleiros a ver o Santo Graal. Porém, pela sua juventude, ou quiçá pela sua falta de experiência, acabou por não conseguir atingir esse seu objectivo. Disseram-lhe, posteriormente, que para salvar o rei e obter o Graal ele deveria ter feito "(um)a pergunta". Mas que pergunta era essa? O texto nunca é muito claro nesse ponto, até porque o autor original, Chrétien de Troyes, parece ter falecido antes de completar a sua história, mas a nossa pesquisa revelou uma potencial resposta - Perceval deveria ter inquirido sobre a natureza e a proveniência do estranho prato/cálice. A curiosidade do cavaleiro face à estranha procissão seria, nesse ponto, a do próprio leitor; sem a sua pergunta, também a nossa ficaria sem resposta - e ficou, recorde-se, no texto de Perceval, ou o Conto do Graal, como já cá discutimos há uns anos.

 

P.S.- Para quem não estiver familiarizado com estas histórias, mas até quiser saber mais sobre elas, pode ver este pequeno vídeo (em Inglês). Também podemos falar mais sobre esses temas no futuro, caso hajam vários interessados.

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Pouco se sabe sobre Semónides de Amorgos (que não deverá ser confundido com o, mais famoso, Simónides [de Ceos]), excepto que entre os poucos fragmentos que dele nos chegaram se conta um poema Contra as Mulheres. Nele, o autor equipara jocosamente diversos tipos de mulheres a diversos animais. Termina o seu poema, na forma em que o temos hoje e que até poderá não ser o final original, dizendo algo como:

 

Cada homem irá elogiar activamente a sua própria

E culpar a mulher do próximo; mas não vemos

Que todos partilhamos esta pobre sorte.

Pois Zeus fez desta a maior de todas as dores

E fechou-nos numa corrente forte como ferro,

Para nunca ser quebrada,

Desde aquele dia em que Hades abriu os seus portões

A todos os homens que lutaram a guerra daquela mulher.

 

É para nós um pouco chocante, essa ideia da mulher como destruidora do homem, mas também era uma ideia bastante repetida nas mais diversas obras da Antiguidade - temos a Eva cristã, que levou à expulsão do Paraíso, mas também figuras como Pandora (representada acima), e Helena, esposa de Menelau, aqui criticada no último verso. Por isso, por muito ofensivo que esse poema (hoje) nos possa parecer, devemos é interpretá-lo como um sinal dos seus tempos, e de quanto a cultura europeia foi mudando ao longo dos séculos.

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Esta expressão, rara avis, já ocorria nas obras de Pérsio e Juvenal, em que nos era dito que - por exemplo - cisnes negros e corvos brancos eram as proverbiais "aves raras". Porém, a maior delas era certamente a fénix, pela sua raridade - recorde-se que, como já cá foi dito, ela somente podia ser vista na cidade de Heliópolis uma única vez a cada 500 anos.

O significado da expressão remete-nos, essencialmente, para a ideia de que algumas coisas são muito invulgares nas nossas vidas. Ainda assim, devemos ter em conta que a expressão original não tinha qualquer conotação negativa, contrariamente ao que acontece com a dos nossos dias.

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"O que nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?" - quem nunca se fez essa pergunta? É, de um ponto de vista filosófico, uma das questões que até hoje mais parece ter assolado a humanidade, mas um dos tratados de Censorino, referindo-se às opiniões de alguns filósofos, dá uma possível solução - diz-nos então que as coisas que existem nunca tiveram um princípio e jamais terão um término. Não nos é explicado, directamente, como isso iria influenciar a questão, mas é provável que estivessem a referir que nunca existiu um ovo de onde tenha nascido a primeira galinha, ou uma galinha que tenha posto um primeiro de todos os ovos.

 

Portanto, permanece a questão - quem nasceu primeiro, afinal de contas? Fica, como sempre, o convite para que partilhem as vossas opiniões nos comentários!

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Como diziam os antigos, in vino veritas, ou seja, a verdade podia ser obtida através da influência do vinho.

Dioniso e o vinho

A expressão leva-nos essencialmente à ideia, difícil de refutar, de que as pessoas que já beberam demasiado frequentemente revelam muito mais do que deveriam, chegando até ao ponto de dizer coisas que, mais cedo ou mais tarde, até acabarão por prejudicá-las. Essa é uma dualidade da bebida do famoso deus que bem pode ser apreciada nas mais diversas obras, entre elas a Dionisíaca de Nono.

Mas qual a origem da expressão? Muitos são os autores da Antiguidade que a repetem, não só em letra como em espírito, sendo bastante provável que se tenha tratado de uma expressão muito popular já desde esses tempos. Bebamos, então, aos encantos trazidos pelo deus, mas sem excessos!

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Muitas são as aventuras, tanto literárias como cinematográficas, dos nossos dias em que os heróis procuram um grande tesouro, apenas para o encontrarem protegido por alguma criatura, tipicamente um dragão. Mas de onde vem essa invulgar ideia, e porque razão estaria uma tal criatura a guardar um tesouro - durante dias, meses, anos, séculos?

 

Para quem estive curioso, a ideia vem de uma das fábulas de Fedro. Segundo este autor, num dado dia uma raposa escavou um buraco e encontrou-se no antro de um dragão. Rodeada pelos maiores tesouros, perguntou-lhe então sobre as circunstâncias da caricata situação, sobre o porquê de ele se encontrar num tal lugar. O dragão respondeu-lhe que Jove (i.e. Júpiter) a isso o destinou, antes da visitante o criticar por ter acesso a uma tão imensa fortuna mas nunca poder tomar proveito dela.

 

A moral por detrás desta fábula é simples de descortinar, mas a sua trama parece ser uma das primeiras referências aos dragões guardarem tesouros, e à razão para tal - fazem-no por a isso estarem destinados, na natural ordem das coisas. Era, para Fedro e como o voltará a ser para autores posteriores, pura e simplesmente o seu destino, aquilo para que tinham sido criados, e se a sua forma física ainda não era a nossa (o drakon dos gregos e romanos era pouco mais do que uma forma de serpente), foi esta base que, a longo prazo, levou a episódios como os que hoje tanto vemos na nossa ficção.

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