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Conta-nos o mito de Cleomedes que durante um combate de boxe nos Jogos Olímpicos este matou acidentalmente o seu opositor. Por esse acto perdeu o prémio a que tinha direito e isso levou-o à loucura. Voltando a casa, destruiu uma escola, matando todos os seus ocupantes, sendo depois perseguido pelos habitantes da cidade. Escondeu-se numa enorme arca, mas quando esta foi aberta... Cleomedes tinha desaparecido, revelando o Oráculo de Delfos que, por razões que não são muito claras, ele se tinha tornado imortal!

Quão mais saberão os deuses do que nós, para considerarem os actos de Cleomedes dignos de nota ao ponto de ele ter sido elevado ao estatuto de herói imortal?! Acaba por ser um dos muitos mistérios dos mitos gregos...

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As Vidas Paralelas de Plutarco são, essencialmente, um conjunto de biografias de personagens lendárias e histórias, em que Plutarco apresentava uma figura grega (como Teseu) e uma figura romana (como Rómulo), a que se seguia uma comparação entre ambas. São opostos Licurgo a Numa Pompílio, Péricles a Fábio Máximo, ou até Alexandre Magno a Júlio César, entre muitos outros, numa espécie de antigo "qual dos dois era o melhor". Porém, mais do que por essas comparações, esta obra interessa é pelas próprias biografias individuais, desde personagens lendárias até figuras indisputavelmente reais. É, nesse sentido, uma obra de uma gigantesca importância para todos aqueles que se interessem pelas vidas e obras de algumas das mais importantes figuras da Antiguidade.

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O Malleus Maleficarum é provavelmente uma das mais famosas obras sobre bruxas. Foi inicialmente publicado em 1487, com o principal objectivo de detectar e proceder à destruição dessas figuras, objectivo que está bem patente na divisão tripartida da obra - uma primeira secção fala do conceito da feitiçaria e da forma como esta tem a capacidade de influenciar a vida humana, enquanto a segunda apresenta todas as estratégias usadas por essas figuras maléficas. A terceira, porém, é muito menos interessante para o contexto deste espaço, apresentando principalmente a forma legal como a Inquisição deveria lidar com as bruxas.

 

Se a primeira secção aborda a ideia de magia [negra] de um ponto maioritariamente teórico, será mesmo a segunda a parte mais interessante de toda a obra, demonstrando ao leitor tudo aquilo que as bruxas pareciam ter a capacidade de fazer em finais do século XV. Não só o autor explica os fundamentos por detrás das supostas capacidades, como também dá diversos exemplos de que parece ter ouvido falar. Isso acaba por ser bastante interessante e enriquecer o tema, fundindo uma espécie de discurso académico com situações muitas vezes totalmente inesperadas.

 

Para quem estiver interessado em temas relacionados com a feitiçaria, as duas primeiras sequências desta obra são de uma enorme importância. A terceira, no entanto, acaba por ser de valor secundário.

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Quando imaginamos a figura de uma bruxa, uma das características que mais facilmente lhe associamos é o facto de estas figuras esvoaçarem numa vassoura. Porém, se pensarmos um pouco na questão, acabamos por notar que essa relação é estranha - porquê uma vassoura e não um ramo de uma árvore, ou até uma carroça encantada?

 

De uma forma indirecta, o Malleus Maleficarum dá-nos a resposta, quando aponta que, seguindo as instruções do diabo, as bruxas produziam um unguento feito dos membros de crianças que matavam antes do baptismo. Depois, aplicando essa produção numa cadeira ou vassoura, davam-lhe poderes mágicos. Supostamente, entre esses poderes contar-se-ia a capacidade de voar.

 

Mas, voltando à questão original, porquê uma vassoura (ou uma cadeira)? Recorde-se que, como a própria obra mencionada acima dá bem a entender, as bruxas estavam a ser perseguidas, pelo que lhes convinha passar despercebidas. Não poderiam, como nos tempos de Medeia, continuar a viajar num carro puxado por dragões, ou algo em igualmente exuberante. Mas, como qualquer outra mulher, certamente que teriam em casa uma vassoura ou uma cadeira, bem como outros objectos naturais ao quotidiano da época e que passariam perfeitamente despercebidos. Não pretendemos, evidentemente, argumentar que essas bruxas existiram, mas sim que a opção por uma vassoura teria um fundo lógico e fácil de justificar no contexto da Idade Média, sendo provável que a nossa ideia de bruxa tenha, por vias nem sempre muito claras, provindo desses tempos.

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Na obra medieval Malleus Maleficarum (algo como "O martelo das maléficas [ou bruxas]"), a que voltaremos dentro de algum tempo, é revelado que as bruxas dessa altura veneravam essencialmente duas figuras, Diana e Herodias.

 

É natural que Diana se tenha tratado da deusa romana da caça, semelhante à Ártemis grega e que por diversas razões foi venerada até muito mais tarde que os outros deuses pagãos (como um templo existente em Sintra ainda parece atestar), mas quem foi Herodias? Não é fácil ter uma absoluta certeza, mas é provável que se tenha tratado de uma esposa do rei Herodes, a mesma que pela dança de uma filha levou à decapitação de João Baptista.

 

Também não será fácil explicar o porquê da associação destas duas figuras, em concreto, aos rituais mágicos, mas poderá ter-se devido ao sincretismo de um conjunto de características que pareciam atribuir-lhes poder especial sobre os homens, sejam, por exemplo, os poderes mágicos da primeira figura (recorde-se o desfecho do mito de Acteon), ou a persuasiva dança da filha de Herodias, a quem hoje chamamos Salomé.

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Aqui fica mais um pequeno e sucinto vídeo sobre a Antiguidade, desta vez apresentando uma pequena história daquilo a que hoje chamamos Império Bizantino.

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Na religião do Antigo Egipto muitas eram as coisas que tomavam lugar após a morte. A pesagem da ka (ou do coração) de um defunto, que não poderia exceder o peso de uma pena, é provavelmente uma das mais famosas para os leitores comuns, mas evidentemente que não era a única.

De facto, uma das mais interessantes era o defunto ter de passar por um período em que fazia uma "confissão negativa" dos seus erros, ou seja, contrariamente ao que fazemos hoje, em que na religião de Jesus Cristo vamos a um padre e dizemos o que fizemos de mal, este processo passava por declarar, de uma espécie de lista, um conjunto de erros dos quais não somos culpados. No Papiro de Ani estas eram 42 cláusulas, que deveriam ser declaradas a Maat, deusa da justiça. Mas em que consistiam?

 

No seu âmago, passavam por negar roubos, violência (assassinatos, etc.), a disseminação de más palavras (mentiras, feitiços, enganos, difamações, etc.), ou traições amorosas. Mas entre elas também se contavam afirmações mais inesperadas, como "não fiz ninguém chorar", "não comi corações", "não escutei o que não devia", "não me zanguei sem razão", "não actuei com pressa indevida", "não falei demais", "não falei alto demais" ou "não fui arrogante".

 

Curioso é o facto de estas afirmações terem alguma semelhança com os "10 Mandamentos" do Judaísmo e do Cristianismo, não só pela forma negativa de algumas cláusulas ("Não matarás", "não matarás", "não cobiçarás a mulher alheia", etc.), mas pela própria natureza dos seus conteúdos. Até podem ter uma enorme divergência - as recomendações dos mandamentos, antes dos factos ocorrerem versus a confissão dos mesmos, após tomarem lugar - mas é provável, até tendo em conta toda a história de Moisés, que estas regras judaicas se tenham baseado, de alguma forma, em conteúdos egípcios pré-existentes.

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