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... E porque o património não é somente composto por monumentos e locais físicos, nas próximas semanas - num número semelhante aos 14 anos deste espaço - recordaremos alguns dos sonetos do grande poeta Luís Vaz de Camões, escolhidos de entre aqueles que estão mais ligados aos mitos da Antiguidade e retirados de uma compilação de meados do século XIX. Aqui fica já o primeiro deles:

 

Num jardim adornado de verdura,
Que esmaltavam por cima várias flores,
Entrou um dia a deusa dos amores,
Com a deusa da caça e da espessura.

 

Diana tomou logo uma rosa pura,
Vénus um roxo lírio, dos melhores;
Mas excediam muito às outras flores
As violetas, na graça e formosura.

 

Perguntam a Cupido, que ali estava,
Qual daquelas três flores tomaria,
Por mais suave e pura, e mais formosa.

 

Sorrindo-se, o menino lhe tornava:
"Todas formosas são, mas eu queria
Violeta antes que lírio, nem que rosa".

 

(Soneto XIII)

Se o episódio aqui relatado não é directamente retirado de qualquer mito, é curiosa a honestidade de Cupido.

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Principiam hoje as "Jornadas Europeias do Património". Para as celebrar, apresentamos aqui um espaço romano que é menos conhecido em Portugal.

Ruínas Romanas de Milreu

Conforme a informação histórica que nos foi gentialmente cedida pela Direcção Regional de Cultura do Algarve:

 

As Ruínas Romanas de Milreu constituem um exemplo de villa rústica, cuja origem esteve ligada ao crescimento económico do Império Romano no século I e que, no século III, se tornou numa luxuosa residência de campo.
A villa de Milreu era composta por extensa área agrícola e zonas de produção de azeite e vinho, onde trabalharia a população local. A zona possui bons aquíferos, situa-se nas proximidades da cidade de Ossonoba, actual Faro e do seu porto, onde a produção agrícola seria comercializada.
A área residencial dos proprietários viria a adquirir uma expressiva dimensão a partir do século III e no século IV, com a criação de uma zona social ampla, com acabamentos de qualidade, como a aplicação de mármores, pavimentos de mosaicos e paredes com pinturas.
O templo dedicado às divindades aquáticas, padroeiras de abundância e saúde, foi erguido no século IV. No século VI o edifício foi cristianizado. No pátio foi descoberto um tanque baptismal rectangular e o recinto foi utilizado como cemitério. No século X, uma inscrição em árabe gravada numa coluna revelou a continuidade de utilização do edifício como espaço religioso pela comunidade muçulmana local.

 

As Ruínas Romanas de Milreu estão classificadas como Monumento Nacional desde 1910. Compõem-se de uma grande casa senhorial ou Pars urbana, complexo de termas ou Balneum, lagares de vinho e azeite, instalações agrícolas e um templo consagrado a divindades aquáticas.

Os vestígios arqueológicos ocupam uma área aproximada de 15.800 m2, composta por muros, pavimentos, tanques, desníveis, sistemas de canalização e arranques de abóbada com diversos revestimentos como rebocos, pinturas parietais ou mosaicos. Estes elementos representam a evolução construtiva da “Villa” romana de Milreu entre os séculos II e IV d. C. e vestígios de ocupação humana até ao século VI um dos monumentos de maior valor artístico, arqueológico e patrimonial do Algarve.

 

Fica então o nosso convite a que também sejam visitadas estas ruínas romanas. Mais informação sobre elas pode ser encontrada aqui.

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Cartaz do filme "O Nome da Rosa"

É provável que já tenham ouvido falar desta obra, em particular devido ao papel que tem na novela O Nome da Rosa, de Umberto Eco. Mas, afinal de contas, do que fala ela? Essencialmente, trata-se de um jocoso banquete de casamento, em que um rei convidou as mais diversas figuras bíblicas para participar. Depois, a cada nova acção do rei essas figuras respondem das mais diversas formas. Até aqui não de muito novo, ou particularmente interessante, não fosse o facto dessas acções nos remeterem, de forma disfarçada, para as características e episódios bíblicos de cada uma delas.

 

Vamos a três pequenos exemplos? Numa dada altura são oferecidas novas roupas aos convidados; Jesus toma uma veste com a cor de uma pomba, remetendo-nos para a figura do Espírito Santo. Mais à frente, aos convidados é pedido que reajam de forma contrário à habitual; Caim morre, em vez de matar alguém, numa alusão ao famoso episódio bíblico em que matou o irmão. Finalmente, depois de beber algum vinho Judas trai alguém, numa referência tão óbvia que dispensa maiores apresentações.

 

De uma certa forma, este texto é uma espécie de "quem é quem?" dos textos bíblicos, em que em detrimento de se perguntar "Tem óculos? Tem cabelo castanho? Tem olhos azuis", somos instados a interrogar-nos sobre relações como "Porque razão José corta uma árvore? Que têm Adão e um figo em comum? Porque se senta Pedro próximo de um galo?". Estas são respostas fáceis de dar, para quem conhecer minimamente o cânone bíblico, mas muitas outras das apresentadas indirectamente na obra implicam um conhecimento muito maior das personagens e respectivas históricas. Por isso, por muito que seja uma obra com uma certa piada - como já O Nome da Rosa nos indicava - não é de leitura simples.

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Confessadamente, pouco sabemos sobre os mitos chineses. Então, porque não aprender um pouco mais, hoje mesmo, através da voz de uma criança?

 

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Muitos são os textos, e até algumas sequências mitológicas, que se perderam nos tempos que nos separam da Antiguidade. Disso já aqui foi falado por múltiplas vezes, mas exemplos de coisas semelhantes continuam a acontecer nos nossos dias. Para dar um exemplo engraçado, abaixo podem ser encontradas duas músicas de filmes da Disney que foram produzidas até um determinado ponto mas que, posteriormente, foram abandonadas e não apareceram nas versões finais das respectivas produções cinematográficas.

 

 

É natural que, ao longo dos tempos, estas (outras) músicas se vão perdendo, eventualmente resumindo-se a nada mais do que referências como "O filme X apresenta uma música sobre Y, mas está hoje perdida". Em coisas como estas, infelizmente, parece que a humanidade ainda não aprendeu a melhor forma para preservar parte da sua identidade cultural.

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Diversas são as fontes da Antiguidade que nos contam algo curioso - existiam em terras da Lusitânia éguas que engravidavam somente por causa dos ventos. O episódio é localizado perto de Olisipo e do Rio Tejo; Varrão coloca-o no "Monte Tagro", Columela diz que o local era o "Monte Sagrado", enquanto que as fontes posteriores nada de muito útil adicionam em relação ao local em que tamanho prodígio tomava lugar. Onde seria? É provável que se tenha tratado de Sintra, até pelas enormes ventanias que existem próximas dessa serra. Mas, ainda assim, ninguém parece ter uma absoluta certeza... mas isso bem justificaria a sua fama!

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Também conhecida sob o nome de "A Batalha dos Gatos e dos Ratos", esta pequena obra satírica apresenta-nos uma batalha de vários ratos contra um gato, num estilo que é quase homérico, chegando a nela existir até referências notáveis a momentos da Ilíada e da Odisseia. Os deuses não estão muito presentes (aparecem, essencialmente, num sonho/profecia de um dos ratos e nas invocações que precedem o combate), mas esta obra do século XII merece ser mencionada é pelo seu carácter paródico. Não é única na literatura bizantina, mas é curioso exemplo do que aí foi sendo produzido ao longo dos séculos.

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