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O filho de Latona esclarecido,
Que com seu raio alegra a humana gente,
Matar pôde a Pitónica serpente
Que mortes mil havia produzido.

Feriu com arco, e de arco foi ferido,
Com ponta aguda de ouro reluzente:
Nas Tessálicas praias docemente
Por a ninfa Peneia andou perdido.

Não lhe pôde valer contra seu dano
Saber, nem diligências, nem respeito
De quanto era celeste e soberano.

Pois se um deus nunca viu nem um engano
De quem era tão pouco em seu respeito,
Eu que espero de um ser, que é mais que humano?

 

(Soneto CXXXVII)

O sujeito poético, como Apolo neste mito, parece sentir algum desespero pela sua situação.

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Este filme passou recentemente na televisão portuguesa. É uma espécie de sequela aos eventos mais famosos da vida do herói, os seus famosos "Trabalhos", aos quais existem diversas alusões no decorrer da trama. Mas, tanto ou mais interessante, é a forma como este filme representa as aventuras do herói, nunca deixando totalmente claro se existe algum elemento mais lendário na sua vida ou não. Se em filmes como Tróia existe uma completa negação dos aspectos místicos, já aqui nunca existem evidências totalmente claras para afirmar (ou negar) esses mesmos aspectos. Existem circunstâncias de grande cepticismo, como quando uma das personagens parece ver centauros e diz algo como "Eles existem mesmo!", bem como momentos em que aos aspectos mitológicos são dadas explicações mais realistas. Não duvidamos que quem escreveu a trama conheça as obras de Palaefato ou de autores semelhantes. É, em suma, um filme que se vê, mas que também dá que pensar um pouco na intersecção entre mito e história.

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Os vestidos Elisa [Dido] revolvia,
Que Eneias lhe deixara por memória;
Doces despojos da passada glória;
Doces quando seu fado o consentia.

Entre eles a formosa espada via,
Que instrumento, em fim, foi da triste história;
E como quem de si tinha a vitória,
Falando só com ela, assim dizia:

"Formosa e nova espada, se ficaste
Só porque executasses os enganos
De quem te quis deixar, em minha vida;

Sabe que tu comigo te enganaste;
Que para me tirar de tantos danos
Sobeja-me a tristeza da partida".

 

(Soneto XCVI)

Este poema remete-nos para o suícidio de Dido, após o abandono por parte de Eneias. O episódio foi muito popular na Idade Média, com muitas construções poéticas a nos recordarem da dor desta rainha após a suposta "traição" do herói.

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Mégara no filme da Disney

Mégara é um pequeno poema de autoria desconhecida, mas que alguns estudiosos parecem atribuir a Teócrito. Nele, a esposa de Hércules e a respectiva mãe partilham as dores que sentem na ausência do herói. A primeira fá-lo por este ter morto os próprios filhos, enquanto que a segunda lamenta os temores do passado e as muitas tribulações pelas quais o filho agora passa. É uma pequena construção poética, de pouco mais de uma centena de versos, com um certo charme.

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Este soneto merece uma explicação um pouco maior, já que se refere, inicialmente, a um mito pouco conhecido. Antes de chegarem a Tróia os Gregos atacaram várias cidades. Uma delas foi aquela sobre a qual Télefo reinava; este rei defrontou em combate Aquiles, que o feriu com a sua famosa lança. Contudo, com o passar do tempo essa ferida não curava... em busca de uma resposta, o monarca foi a Delfos e o famoso oráculo revelou-lhe que esta só podia ser curada com a mesma lança com a causou. Seguindo essa indicação o herói é posteriormente curado, de uma forma que não é muito clara nas versões que nos chegaram; também o sujeito poético aqui esperava ser curado pela visão de sua amada, como o poema nos diz:

 

Ferido sem ter cura perecia
O forte e duro Télefo temido
Por aquele que na água foi metido,
E a quem ferro nenhum cortar podia.

Quando ao apolóneo oráculo pedia
Conselho para ser restituido,
Respondeu-lhe, [que] tornasse a ser ferido
Por quem o já ferira, e sararia.

Assim, Senhora, quer minha ventura;
Que ferido de ver-vos claramente,
Com tornar-vos a ver o Amor me cura.

Mas é tão doce vossa formosura,
Que fico como o hidrópico doente,
Que bebendo lhe cresce maior secura.

 

(Soneto LXIX)

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Constelações no céu

A obra Fenómenos de Arato conta-se provavelmente como uma das mais famosas que nos chegaram sobre os céus nocturnos - a sua popularidade pode até ser facilmente vista se tomarmos em conta que autores como Cícero ou Ovídio a traduziram para Latim! Porém, apesar de referir muitas figuras mitológicas que deram os nomes às diversas constelações, só muito raramente conta as respectivas histórias, limitando-se a aludir-lhes de uma forma que muito pouco nos informa. Ademais, o autor dá algumas informações incorrectas e trata de forma demasiado breve alguns pontos que nos poderão parecer importantes. Por isso, mais do que um livro com algum interesse real para o estudo dos mitos dos gregos e dos latinos, esta é uma obra cuja importância real se parece ter perdido ao longo dos séculos.

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A pergunta pode até parecer estranha, não é? Qualquer pessoa sabe, nos nossos dias de hoje, responder a ela, dizendo que as cegonhas (entre outros pássaros) emigram para sul nos meses frios. Mas isso também nos leva a uma questão mais complexa - como foi isso descoberto? Existiam várias teorias desde os tempos da Antiguidade, até nos textos de Aristóteles, mas... eram teorias, somente isso. Depois, perto do final do primeiro quarto do século XIX, algo de muito pouco vulgar foi encontrado na Alemanha.

Cegonha com lança

Perto da cidade de Klutz foi encontrada esta cegonha, que tinha uma lança parcialmente enfiada no seu pescoço. Dada a origem africana do instrumento guerreiro, foi então - finalmente! - possível perceber que estes animais emigravam para sul, para terras de África, assim evitando os nossos tempos frios europeus. Quanto à singular cegonha que levou a esta descoberta, ainda hoje está alojada na Universidade de Rostock, na Alemanha.

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