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Por vezes gostamos de explorar um pouco as questões e pesquisas que as pessoas fazem neste espaço. Nesse sentido, há uns dias alguém procurou por cá a pergunta que dá o título a esta entrada. Correndo o risco de estar a fazer o trabalho de casa de algum aluno, achámos que poderíamos escrever um pouco sobre ela.

 

Existem várias alusões na literatura da Antiguidade a uma primordial divisão do mundo em três partes. Segundo um dos livros da Ilíada (apenas para mencionar uma das fontes mais óbvias), numa dada altura foram tiradas sortes e, por mero acaso, foi então decidido que os céus ficariam para Zeus, os mares para Poseidon e o submundo para Hades. Não verificámos os comentadores a essa passagem, mas é provável que essa divisão já fosse até conhecida no tempo dos poemas de Homero; outros autores também a ela fazem alusão, não parecendo existir qualquer versão alternativa do episódio em que, por exemplo, Zeus seja o senhor dos oceanos ou do submundo; existem, porém, versões satíricas em que esse cânone primordial é, de alguma forma, remexido ou parcialmente alterado.

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Seguia aquele fogo, que o guiava,
Leandro, contra o mar e contra o vento:
As forças lhe faltavam já e o alento;
Amor lhas refazia e renovava.

Depois que viu que a alma lhe faltava,
Não esmorece; mas, no pensamento,
— Que a língua já não pode – seu intento
Ao mar, que lho cumprisse, encomendava.

«Ó mar – dizia o moço só consigo —
Já te não peço a vida; só queria
Que a de Hero me salves; não me veja...

Este meu corpo morto, lá o desvia
Daquela torre. Sê-me nisto amigo,
Pois no meu maior bem me houveste inveja!»

 

(Soneto CLXXXV)

Este poema refere-se à bela história de Hero e Leandro.

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Imagem de Porfírio

Cremos que todos temos alguns amigos que são muito "chatinhos" em relação aos detalhes de séries de televisão, livros e outras coisas que tais. O que Porfírio tenta fazer nesta obra é responder a todos aqueles que se interrogavam em relação a questões como essas, mas nos poemas atribuídos a Homero. Alguns exemplos de perguntas:

 

  • Porque diz Príamo que não tinha coragem para ver Alexandre e Menelau a lutarem um com o outro, mas não tem qualquer problema em ver o combate de Aquiles com Heitor, quando até amava ainda mais esse outro filho?
  • Porque havia no escudo de Aquiles uma camada de ouro?
  • Que espécie de águia foi enviada por Zeus num dado momento?
  • Como tinham os heróis tempo para conversar uns com os outros durante o combate?
  • Num dado momento, é dito que foi Apolo a dar o arco a Pândaro, enquanto que num outro é dito que este último o fez com o corno de uma cabra selvagem. Como são ambas as coisas possíveis?

 

Apenas para dar um exemplo de resposta, em relação a esta última pergunta Porfírio diz-nos que se tratava de uma metáfora; Apolo, enquanto criador original do arco, "dava-o" a todos aqueles que usavam esse instrumento bélico, enquanto que o arco específico de Pândaro tinha, efectivamente, sido criado por esse herói. É decididamente uma boa resposta, como muitas outras que ocupam o mesmo livro!

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Actualização

21.11.18

Foram hoje feitas algumas pequenas modificações neste espaço. A maior parte delas foram de ordem cosmética e técnica, mas agora também já é possível ler os nossos artigos noutras línguas, através de uma tradução automatizada (e, infelizmente, muitas vezes até bastante imperfeita). Para tal bastará usar a nova barra de selecção de idioma.

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Secções:

Neste invulgar filme são visitados diversos lugares em Itália, entre eles parte de Pompeia (ou Herculano?) e outros locais bastante bonitos. Contudo, a sua trama também pouco interessará à maior parte dos espectadores; por isso, se o apanharem na televisão e tiverem a possibilidade de passar à frente esses momentos mais monótonos, focando a atenção nas paisagens e locais que vão sendo mostrados, poderá ser de algum interesse.

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Por sua Ninfa, Céfalo deixava
Aurora, que por ele se perdia;
Posto que dá princípio ao claro dia,
Posto que as roxas flores imitava.

Ele, que a bela Prócris tanto amava
Que só por ela tudo enjeitaria,
Deseja de atentar se lhe acharia
Tão firme fé como nele achava.

Mudado o traje, tece o duro engano;
Outro se finge, preço põe diante;
Quebra-se a fé mudável, e consente.

Ó engenho subtil para seu dano!
Vede que manhas busca um cego amante
Para que sempre seja descontente!

 

(Soneto CLXXXIII)

Um poema que dá para pensar um pouco sobre as complexidades do amor.

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A história do Popol Vuh, por si só, daria tema suficiente para uma dezena de entradas por cá, mas decidimos cingir-nos somente aos elementos mais cruciais. Sabemos então que, na esperança de eliminar as antigas crenças dos Maias, os conquistadores vindos de Espanha decidiram, numa dada altura, queimar todos aqueles livros que foram encontrando na cultura maia, como ilustrado nesta belíssima imagem.

Destruição dos livros dos Maias

Um dos livros destruídos era um Popol Vuh. Contudo, para que a antiga cultura não se perdesse, alguém escreveu um outro livro, hoje conhecido (também) por Popol Vuh, mas com um conteúdo bastante diferente. Como chegou até aos nossos dias terá de ser uma história que fica para outra altura.

 

O que contém, então, a obra a que hoje ainda temos acesso? Trata-se de uma espécie de teogonia, desde a criação de tudo aquilo que existe até aos próprios dias dos seus autores e da presença espanhola no seu território. Apresenta algumas sequências verdadeiramente fascinantes, com eventos que pouco ou nada ficam a dever a romances medievais e a poemas como os de Hesíodo; entre eles contam-se até uma possível origem dos jogos da bola, então jogados com um crânio humano, e uma criação sequencial da humanidade que não pode deixar de nos fazer pensar no "Mito das Idades".

 

Esta é, por isso, uma obra crucial para quem estiver interessado nos antigos mitos da América do Sul, mas cujos vários paralelismos com os mitos europeus também nos podem dar muito que pensar...

 

(P.S.- Este pequeno artigo é dedicado a uma jovem de Porto Rico a quem tínhamos prometido que, um dia, também abordaríamos por cá alguns mitos sul-americanos)

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