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Nos primeiros séculos do Cristianismo surgiu um importante problema - como representar a(s) figura(s) divina(s)? As respostas foram-se sucedendo umas ás outras, mas o exemplo que aqui hoje apresentamos provém da Basilica di Santa Maria Maggiore, em Roma. Jogando uma espécie de "Onde está o Wally?", será que vêem algo de muito curioso nesta primeira imagem?

Muitas poderiam, naturalmente, ser as respostas, dada a vasta extensão iconográfica vista na imagem, mas foquemo-nos então num pormenor mais limitado:

Estas interpretações são sempre muito discutíveis, mas podem aqui ser vistos os quatro evangelistas (sob a forma de de um touro alado, um homem alado, um leão alado e uma águia), juntamente com São Pedro e São Paulo. Por baixo, um pequeno texto diz algo como "O bispo Sexto, para o povo de Deus". Mas o que está dentro de um círculo? Aqui não é muito fácil de se perceber, mas assemelha-se a uma espécie de trono com uma cruz, ambos ricamente adornados. Será Deus? Será Cristo? Será toda a Trindade? Em qualquer um dos casos é notável, esta representação da(s) figura(s) divina(s) pela ausência; a nós, até nos poderá parecer muito estranha, pelo que importa perguntar - a que se deve ela?

 

Bem, simplificadamente, o Judaísmo tem uma proibição da representação da figura divina, que até está muito bem presente no Antigo Testamento. Uma interdição semelhante existia nos primeiros séculos do Cristianismo, pelo que cedo se pôs a questão de como mostrar o que não podia ser mostrado, e esta foi uma das soluções encontradas. Por estranha que ainda nos pareça é, filosoficamente, uma representação mais fiel do que a do velho de barbas brancas que tanto imaginamos nos nossos dias.

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