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O problema da origem das sereias (ou sirenas, se preferirmos ignorar uma questão de nomes) é um pouco diferente daquele que abordámos relativamente às fadas. Se, nesse segundo caso, é possível identificar uma altura em que as fadas ainda não existiam e um momento em que passam a existir, já as primeiras, aqueles seres que têm uma parte superior humana e uma parte inferior de peixe, têm uma antiguidade enorme. Uma das mais antigas referências surge através do deus Dagon (ou Dagan), que supostamente trouxe o conhecimento da agricultura aos habitantes da antiga Mesopotâmia, e que foi frequentemente representado assim:

O deus Dagon

Tem barba e um chapéu característico da época, mas o seu elemento mais notável é, como deverá ser óbvio, o facto de ter a forma de um peixe da cintura para baixo. Visto que este é um deus que parece preceder os próprios mitos dos Gregos, somos então levados a perguntar qual terá sido a sua origem. É natural que tenha nascido numa civilização com especial ligação aos rios ou mares (como, evidentemente, o era a da Mesopotâmia), mas, fora isso, pouco podemos afirmar sobre como surgiu a ideia da existência de seres com estes - mesmo nas poucas obras em que Oannes (i.e. outro nome de Dagon) é referido, apenas é dito que, num dado dia,  surgiu das águas, instruiu as populações e depois desapareceu tão misteriosamente como antes tinha aparecido.

 

Será que, antes desta figura divina, já existiam outras criaturas semelhantes? É possível, mas nunca certo, que sim. O que sabemos, no entanto, é que ao longo dos séculos, aqui e ali, foram surgindo incontáveis referências a outros seres metade-peixe, metade-humano, sempre com uma parte superior humana (salvo excepções satíricas).

Sereio ao contrário

Essas referências são difusas e nem sempre têm fontes comuns, ou seja, as "sereias" dos Gregos, dos Chineses, ou a de Hans Christian Andersen não têm, obrigatoriamente, a mesma origem que o antigo Dagon. Podiam ter pele branca, castanha, amarelada, ou de qualquer outra cor. Terá sido provavelmente face ao desconhecimento de onde surgiram que, mais tarde, também foram aparecendo múltiplas tentativas de as explicar - por exemplo, terão os navegadores sido inspirados por criaturas marinhas como os manatins? Ou terão, nas suas viagens e motivados por um cansaço extremo, imaginado as mulheres que já há muito não viam? É sempre possível que sim, mas a origem da primeira criatura com esta forma está hoje tão afastada do nosso tempo que parece ter sido irremediavelmente perdida. E, como tal, uma explicação mais fiável e concreta do que a apresentada aqui é imprudente, excepto se quiserem construir castelos nas núvens...

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