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A história de hoje vem do Japão e tem diversas versões, pelo que contamos aqui apenas o essencial da trama.

Okiku e o poço

Okiku era uma criada virgem de um senhor muito importante. Este, movido pela luxúria, pedia-lhe repetidamente que cedesse aos seus desejos e aceitasse ter sexo com ele. Mas, uma e outra vez, ela rejeitou aceder ao que lhe era pedido.

 

Um dia, sempre comandado pelo seu desejo, o senhor decidiu pôr em prática um plano, que passou por esconder um valioso prato de um conjunto de 10. Depois, esperou. Quando Okiku notou o desaparecimento, lembrou-se que a sentença dada por um tal roubo seria a da sua morte. Chorou. Num enorme desespero, esperando que talvez estivesse a ver mal, contou os pratos - 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8... 9! Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito... nove! 一, 二, 三, 四, 五, 六, 七, 八 ... 九! Mas, por muitas vezes que os contasse, a conclusão era sempre a mesma - faltava um prato!

 

Cada vez mais desesperada, sem saber o que fazer da sua vida, foi falar com o seu senhor e pediu-lhe a maior clemência. Mas este, prosseguindo com o seu plano e novamente movido pela sua intenção sexual, fez-lhe uma proposta simples - o desaparecimento seria esquecido somente se Okiku aceitasse fazer amor com ele.

Mas... Okiku rejeitou. Talvez o tivesse feito mil outras vezes, se o seu senhor lhe pedisse outras mil. Mas, desta vez, enraivecido como nunca, este bateu-lhe, matou-a, e atirou o seu corpo para o fundo de um poço.

 

Conta-nos a mesma história que o espírito de Okiku ainda habita esse local, localizado nas redondezas do Castelo de Himeji, e durante as noites ainda pode ser ouvido a gemer a sua infinita melodia - "1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8... 9!" - antes de soltar um horrendo grito!

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