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Como diziam os antigos, in vino veritas, ou seja, a verdade podia ser obtida através da influência do vinho.

A expressão leva-nos essencialmente à ideia, difícil de refutar, de que as pessoas que já beberam demasiado frequentemente revelam muito mais do que deveriam, chegando até ao ponto de dizer coisas que, mais cedo ou mais tarde, até acabarão por prejudicá-las. Essa é uma dualidade da bebida do famoso deus que bem pode ser apreciada nas mais diversas obras, entre elas a Dionisíaca de Nono.

Mas qual a origem da expressão? Muitos são os autores da Antiguidade que a repetem, não só em letra como em espírito, sendo bastante provável que se tenha tratado de uma expressão muito popular já desde esses tempos. Bebamos, então, aos encantos trazidos pelo deus, mas sem excessos!

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"Morrer a rir"

11.01.18

A fama desta expressão pode levar-nos a uma questão invulgar - será que já alguém morreu a rir? Que verdade existe por detrás da ideia? Infelizmente, se autores como Homero, no livro 18 da Odisseia, ou Terêncio até usam expressões a ela muito semelhantes, parecem fazê-lo de uma forma que é exclusivamente metafórica, um puro exagero com o objectivo de indicar que alguém se riu bastante.

Nas obras que investigámos parecem ter existido pelo menos duas figuras da Antiguidade que morreram a rir - o pintor Zeuxis, depois de uma velhota lhe ter pedido para ser o modelo por detrás de um retrato de Afrodite, e o filósofo estóico Crísipo, após ver um burro a comer figos (acção que até pontuou com uma piada, "agora dêem-lhe também algum vinho"). Por isso, se até pode existir um caso bem real por detrás de toda a expressão, esta parece ter tido, como ainda hoje, uma essência figurada.

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Estas duas expressões têm significados quase opostos, sendo aqui associadas por essa razão.

"A primeira andorinha" apresenta-nos este animal como o símbolo da primavera, na medida em que, ainda hoje, quando começamos a ver as primeiras andorinhas nos céus, mais facilmente nos apercebemos da chegada dessa estação do ano. A sua mais antiga referência que temos pode vir dos Cavaleiros de Aristófanes, em que é dito que um dado evento tomou lugar "antes da chegada das andorinhas", ou seja, como prévio a essa altura do ano.

A segunda expressão, em latim "hirundo non facit ver", transporta-nos a uma ideia quase inversa, na medida de que a presença de uma só andorinha não pode significar, por si só, a chegada da primavera - é precisamente isso que já Aristóteles nos dizia, na sua Ética a Nicómaco, quando afirmava que essa presença, "como a de um único dia de sol", não era um símbolo fidedigno da chegada de toda essa nova estação.

 

Se bem que de formas opostas, estas duas expressões levam-nos à importância de não tomar o todo somente por uma das suas partes. São ambas de uma beleza e simplicidade singular, sendo provável que essa se tenha tratado de uma das razões para terem chegado aos nossos dias.

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Erasmo de Roterdão diz-nos que "falar às paredes" (ou aos muros) é algo que os amantes muito tendiam a fazer, e sabemos que esse acto até é uma parte importante da trama do mito de Píramo e Tisbe (ver aqui), mas o autor não nos dá qualquer fonte explícita para a sua informação, frisando apenas que a expressão já ocorria numa das peças de Plauto. O seu significado é simples - "falar às paredes" é o mesmo que fazer algo de muito absurdo, sem qualquer sentido real.

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"Quimera"

22.12.17

Nos seus Adágios Erasmo dizia que "Quimera" era um epiteto que se poderia dar a um homem que é inconstante, instável, imprevisível. A mesma expressão também podia ser usada - como hoje - relativamente a obras literárias de conteúdo incoerente (i.e. um "texto quimérico"), mas quem era, final de contas, a figura mitológica por detrás deste conceito?

 

Dizem-nos diversos autores que a quimera era um monstro mitológico composto por partes de diversos animais, frequentemente (e como pode ser visto na imagem acima) um leão, uma cabra e uma serpente. Era também filha dos monstruosos Tífon e Equidna, mas o mito mais famoso que temos em relação a ela passa pelo seu combate com o herói Belerofonte, que acabour por a destruir com o auxílio de Pégaso (ver aqui). Os contornos dessa batalha nem sempre estão bem fixos, mas o seu final é conhecido - este monstro foi, como já referimos, destruído pelo herói.

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É famosa a fábula do cordeiro e do lobo, da autoria de La Fontaine, mas a expressão aqui apresentada nada tem a ver com ela, contrariamente ao que se poderia pensar. Já existiam alusões a esta ideia no canto 22 da Ilíada, e continuam a ocorrer em diversos autores da Antiguidade, mas a sua ideia essencial passa pelo absurdo que é deixar alguém entregue a quem até possa nem ter os seus melhores interesses em mente. Tal como um cordeiro facilmente seria devorado por um lobo, também há que ter cuidado com aqueles a quem confiamos os nossos tesouros pessoais.

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Já todos ouvimos falar das proverbiais "lágrimas de crocodilo", mas a que se deve essa expressão?

Segundo diversos autores da Antiguidade o crocodilo chorava por uma determinada razão. Alguns diziam que o fazia para atrair uma presa que depois atacava e devorava. Outros, mais particularmente os autores cristãos, diziam que o mesmo animal o fazia pelo arrependimento dos seus actos - mas tenha-se também em atenção que, como um falso arrependido, nunca mudava o seu comportamento. Qualquer que tenha sido a razão por detrás de esse suposto choro, os mais variados autores eram horizontais na ideia de que não era um choro sincero. E é precisamente daí que vem a expressão - as lágrimas do animal eram dissimuladas, sendo por isso ainda hoje símbolo de um falso arrependimento.

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