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Muitas são as formas deste provérbio que nos chegaram aos dias de hoje, desde a mencionada no título até expressões como "a sorte sorri aos audazes" ou "a sorte protege os audazes". Essa multiplicidade provém da própria tradução da expressão latina, "fortes fortuna adjuvat", que naturalmente pode ser traduzida das mais diversas formas, mas os pontos que aqui nos interessam são dois outros.

 

Primeiro, de onde vem essa expressão? Duas das fontes mais antigas que temos parecem ser Cícero e Virgílio, mas o primeiro deles dá-nos uma pista importante quando, ao citar a expressão, a atribui a Quinto Énio. Por isso, dadas as muitas referências aos Anais de Énio no poema épico de Virgílio, parece-nos provável que ambos os autores a tenham conhecido através da mesma fonte comum. Mas isso não implica que esse tenha sido o seu autor original, sendo possível que a expressão já viesse dos gregos. Uma pesquisa online revela que alguns a atribuem a Alexandro Magno, sem qualquer fonte, mas é muitíssimo provável que se trate mais de uma atribuição tardia, quase em termos de "wishful thinking", do que algo com uma base real.

E isto, como a própria referência a Alexandre, leva-nos ao uso e significado da expressão. Erasmo de Roterdão, quando a explica, dá-lhe uma metáfora particularmente curiosa, dizendo que não devemos ser como animais que se escondem no interior das suas carapaças. Isto porque as coisas boas, aquelas que a fortuna/sorte/destino nos possam vir a trazer, dependem frequentemente de nós próprios. Por isso, este adágio insta-nos a arriscar, a procurar aquilo que queremos, já que isso depende, primeiro e primordialmente, de nós próprios.

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Este espaço é da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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