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Mitologia em Português

15 de Dezembro, 2017

A Sibila de Cumas e Tarquínio (e os Oráculos Sibilinos)

Dizem-nos diversas histórias da Antiguidade que num dado dia a sempre viajante Sibila de Cumas se encontrou na corte de Tarquínio Soberbo, o último rei de Roma. Os nove livros que ela tinha em sua posse, que foi compilando ao longo dos anos com recurso à sua sabedoria pessoal, foram oferecidos ao monarca por uma soma avultada (curiosamente, a história raramente nos preserva quão elevada seria...), mas este rejeitou comprá-los. Então, esta sibila - que é como quem diz, profetisa - atirou três deles para um fogo próximo e propôs que Tarquínio comprasse os seis restantes ao mesmíssimo preço de antes. Pela segunda vez o monarca rejeitou essa proposta, rindo-se até um pouco, e pela segunda vez a viajante destruiu no mesmo fogo três dos volumes que tinha em sua posse. Finalmente, a desconhecida ofereceu ao rei os três últimos livros pelo mesmo preço original, que sempre manteve. Inesperadamente, e até incrédulo com toda a ocorrência, Tarquínio acabaria então por comprá-los - eram os Livros Sibilinos, muito famosos da cultura e religião dos Romanos da Antiguidade, mas hoje quase completamente perdidos - enquanto que a Sibila de Cumas desapareceu misteriosamente, para nunca mais ser vista pelos Homens.

A Sibila de Cumas

Muito se poderia escrever relativamente a este pequeno mito da Sibila de Cumas e de Tarquínio, mas os seus mistérios são muito maiores do que a informação que ele nos revela. Está envolto na neblina dos tempos, surgindo numa espécie de vácuo histórico e mitológico cujos contornos estão aqui representados. Seja quem tiver sido essa Sibila de Cumas, os livros que supostamente vendeu a Tarquínio acabaram por se tornar de extrema importância na religião romana, mas também foram perdidos nos primeiros séculos da nossa era, fruto de dois incêndios; depois, e nessa sequência, foram recompilados, e dessa tentativa é que nasceram os chamados Oráculos Sibilinos, que ainda nos chegaram, mas que são apenas uma espécie de falsificação cristã dos originais, aos quais foram acrescentados muitas (novas) profecias de âmbito puramente cristão, mas que se crê serem muito diferentes dos originais, até por estarem repletos de conteúdos relativos à nova religião, enquanto que os relativos à religião pagã são muito breves, quase inexistentes...

 

Os Livros Sibilinos e os Oráculos Sibilinos 

Assim, deixe-se então claro que se os Livros Sibilinos eram atribuídos à famosa Sibila de Cumas, já os Oráculos Sibilinos eram atribuídos a outras sibilas, hoje bem menos famosas que esta grande figura da história de Roma. Os primeiros quase não nos chegaram, com a excepção de vagos versos, enquanto que os segundos são compostos por cerca de 12-14 livros, mas estão repletos de falsificações cristãs, não sendo já fácil reconhecer o seu conteúdo pré-cristão, se é que ele alguma vez existiu...

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