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Mitologia em Português

05 de Janeiro, 2021

As lendas do Castelo de Almourol

Sobre estas lendas do Castelo de Almourol, importa começar por esclarecer que Almourol é o nome do próprio castelo, como acontece em casos como o de Avalon ou Camelot, e não o da localidade em que ele se insere, como acontece no caso dos castelos de Sintra. Não existe e nunca existiu, tanto quanto foi possível averiguar, uma povoação com esse nome nas proximidades. E, por isso, afirme-se firmemente que é o próprio castelo que tem esse nome... e é sobre ele que contamos as lendas de hoje!

O Castelo de Almourol e suas lendas

Uma primeira diz-nos que, aquando da reconquista cristã, vivia em Almourol um rei mouro com um nome como Al-molrolan. Tinha uma filha lindíssima, que se apaixonou por um cavaleiro cristão. Esta, morrendo de amores por aquele que praticava uma religião diferente da sua, deixava-o entrar no castelo durante a noite. E assim viveram as suas muitas paixões, até que um dia o cavaleiro traiu a sua confiança, reabrindo as portas para os seus companheiros e possibilitando, assim, a fácil conquista de um local que à primeira vista poderia parecer inconquistável.

 

Mas não é a única. Outra lenda, cronologicamente mais recente, fala-nos de um tal Dom Ramiro, que viveu neste castelo de Almourol enquanto combatia os Mouros. Uma dia, regressando a casa, viu uma jovem moura, a quem pediu água; assustada, esta quebrou a sua cantarinha, irritando o fidalgo e levando-o a matar mãe e filha, antes de capturar um menino mouro que viu próximo do local - ainda o desconhecia, mas este era um irmão da jovem que matou, e que jurou tremenda vingança no seu coração.

Os tempos passaram e a esposa de Dom Ramiro acabou por falecer, vítima dos venenos do jovem mouro. Depois, a filha deste fidalgo apaixonou-se pelo jovem e ambos fugiram juntos, procurando escapar ao evidente ódio do monarca. Mas, ao longo do tempo, esse seu sentimento deu lugar a uma enorme tristeza... e, talvez por solidão, talvez por arrependimento, começou a ver um espectro da sua desaparecida filha e do seu amado mouro, sendo levado a um desespero tão grande que acabou por falecer ou por se suicidar, mediante a versão da lenda.

 

Para quem preferir versões mais literárias, alguns dos episódios do Palmeirim de Inglaterra, um dos mais famosos romances de cavalaria nacional (a par do grande Amadis de Gaula), também têm lugar neste mesmo Castelo de Almourol. Era aí, nesse castelo num margem do Tejo, que vivia um poderoso gigante de nome Almourol, mas também uma belíssima dama, Miraguarda, que suscitou uma infinidade de combates em virtude da sua linda figura - o (suposto) local ainda pode ser visto em redor do castelo, mas os escudos dos combatentes, famosos na história, já há muito que desapareceram... Mas esse já é um desenvolvimento que ficará para outra altura, até porque se trata de uma obra demasiado extensa para tratar de forma tão breve - por agora, resuma-se apenas que alguns dos seus episódios (ficcionais) tomam lugar neste belo local, e que quando lerem lendas associadas a este castelo que mencionem os nomes de Polinarda e Miraguarda, eles não se tratam de "lendas reais", mas sim de episódios retirados desta obra de ficção, que já teve uma enorme fama, ao ponto de até o grande Dom Quixote a ter lido.

 

Deixando de lado essas histórias, hoje este local, agora conhecido sob o nome de Castelo de Almourol, é um belo recinto no meio do Tejo. É quase mágico, ainda mais se for visto numa manhã de nevoeiro, pelo que terá sido, provavelmente, essa magia perpétua que inspirou incontáveis histórias, de que recontámos acima as mais famosas. Talvez um dia as possamos voltar a contar com o próprio castelo à vista, e com os nossos pés nas margens do Tejo a ele próximas... até lá, fiquemo-nos por este vídeo sobre o local!

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2 comentários

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    mitologia

    13.01.21

    Sim... sempre que lá estivemos a passagem foi feita por barco, mas já foi - a última vez - há alguns anos. Eram outros tempos...

    Quanto ao Palmeirim de Inglaterra, sim, Almourol é um dos espaços em que a obra tem lugar. Não falámos muito disso aqui porque introduzir as obras necessárias tomaria demasiado tempo e espaço, e o Palmeirim de Inglaterra, e respectiva família, merecem pelo menos um artigo só para eles. Ouvimos até dizer que um dos descendentes da família, numa outra aventura, defronta - e derrota! - todos os grandes heróis da Antiguidade e da Idade Média, mas até agora não foi possível confirmar a veracidade dessa informação...
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