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Capa da obra

Também conhecida como Casamento de Filologia e Mercúrio, esta é uma daquelas obras que dá o proverbial "pano para mangas". É particularmente famosa por ter popularizado a ideia das sete artes liberais na Idade Média, ideia esta que já vinha de Marco Varrão, mas poucos parecem ser aqueles que nos nossos dias realmente a lêem. Contudo, essa ausência de leitura é aqui bem justificada... passamos a explicar!

 

Esta obra pode ser dividida em duas partes. A primeira delas, comportando os dois primeiros livros, apresenta o tema como se de um novo mito se tratasse; inspirado pelos casamentos de outros tantos deuses do Olimpo, Mercúrio decide também ele casar, pelo que parte em busca de uma companheira disponível para tal. Falha por três vezes, mas acaba por encontrá-la com a ajuda de Apolo, sendo essa busca, o subsequente casamento e a imortalização de Filologia então descritas, terminando com o momento em que Mercúrio oferece sete servas à sua esposa, i.e. as sete artes liberais. São essas mesmas sete artes as descritas de forma alongada nos restantes livros.

 

Como este breve resumo nos permite antever, existem incontáveis alegorias envolvidas nos nove livros da obra. Se isso não for suficientemente desencorajador para o leitor comum, cada um dos livros encontra-se igualmente repleto de sequências de enorme complexidade; na edição a que tivemos acesso cada um dos livros tem pelo menos uma centena de anotações, sem o auxílio das quais seriam de compreensão quase impossível. Para dar um breve exemplo, numa dada altura é dito que a soma de um dos nomes de Mercúrio tinha um dado valor simbólico; só Hugo Grócio, quase um milénio depois, soube dizer que se tratava de "Thoth" quando escrito em língua grega.

 

Se, por um lado, esta não deixa de ser uma obra importante no desenvolvimento do cânone das sete artes liberais, por outro é igualmente uma que só deve ser lida por aqueles que, por razões que temos dificuldade em compreender, queiram ter contacto com algo realmente desafiante. Não é uma leitura aprazível, mas uma que, frequentemente, fará o leitor sentir-se muito pouco culto, por mais que domine os temas da Antiguidade. Por isso, deve ser completamente evitada pelos leitores comuns, fica o nosso aviso!

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Este espaço é da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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