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Ao longo dos séculos poucas obras literárias terão sido tão discutidas como a Bíblia. Nada de mal haveria nisso, mas poucos são aqueles que a lêem nas línguas originais, e isso leva a um problema - como ter a certeza de que a tradução à nossa frente corresponde ao que dizia o original? Como brincadeira, fizémos uma pequena e imperfeita tradução do Cântico dos Cânticos 4:10, baseado no texto semi-original da Vulgata. Diz mais ou menos o seguinte:

 

Quão belas são tuas mamas, senhora minha esposa!
Mais belas são as tuas úberes [que] vinho,
E o odor de teus perfumes [está] acima de todas as especiarias.

 

A muitos poderá parecer estranho que comentários desta natureza surjam na Bíblia, mas bastará apontar que a Septuaginta contém, no primeiro e segundo versos da mesma sequência, a palavra "μαστοί" (mastoí), que essencialmente significa "os seios". É inegável que eles estejam no texto, mas como pode ser visto nesta página muitas das traduções fazem, em vez disso, referência a um "amor". A alteração até poderá ser defendida pelas mais diversas razões, mas é inquestionável que, pelo menos nesta situação em concreto, o original não diz o mesmo que a maior parte das traduções.

 

Este problema leva, por isso, a uma questão de suma importância - como argumentar "A Bíblia diz X" quando nem se tem a certeza de que essas palavras estão realmente no original? Não vos parece perigoso fazê-lo?

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