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Mitologia em Português

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13 de Agosto, 2020

Charles Darwin - "A Origem das Espécies" e "A Descendência do Homem"

Darwin, descendente de um macaco

Aquelas que podem ser vistas como as duas principais obras de Charles Darwin - A Origem das Espécies e a A Descendência do Homem - caem naquele grupo de livros que quase toda a gente conhece mas que, ao mesmo tempo, também muito poucos efectivamente leram, como já aconteceu quando cá falámos de uma famosa obra de Galileu. Porém, neste caso isso parece fácil de justificar, por serem ambas obras muito científicas, dificilmente aquele tipo de leitura que queremos para um dia de praia ao sol. Mas, ao mesmo tempo, estão ambas tão intimamente ligadas que nos pareceria difícil separá-las, razão pela qual optámos por falar das duas por aqui.

 

A Origem das Espécies fala, essencialmente, de que terá existido uma evolução das espécies ao longo do tempo, ou seja, que os animais não foram todos pura e simplesmente criados, como na história bíblica do Jardim do Éden, mas sim que existem interrelações entre eles, que apenas podem ser explicadas se quisermos admitir que foram descendendo de elementos comuns. Posto isto com um exemplo muito simples, é como se tivéssemos dois cães completamente iguais, criássemos um num ambiente quente e outro num ambiente frio, e depois, ao longo dos séculos, o primeiro perdesse o seu pêlo e o segundo ganhasse um agasalho muito mais significativo. Assim, o autor vai defendendo esta ideia ponto por ponto, enquanto dá muitos exemplos práticos do que foi observando e que apoia esta sua teoria.

Agora, quem for ler esse primeiro livro poderá notar que a possibilidade da evolução do Homem, em si mesma, é algo que o autor não foca muito no seu trabalho. É isso que, posteriormente, ele depois fez na obra A Descendência do Homem, em que tentou demonstrar que as ideias defendidas no seu outro livro também se aplicavam ao ser humano, sendo provável que este descendesse dos símios, o que gerou, por parte dos seus críticos, a divertida imagem que mostramos ali em cima. Como antes, o autor vai provando a sua ideia ponto por ponto, vai estabelecendo conclusões parciais e, quem tiver a paciência de ir ler também este livro, certamente que acabará convencido pela tese defendida pelo autor.

 

Mas então, qual é a origem de toda a controvérsia? Como Charles Darwin admite na conclusão deste segundo livro, existiam muitos que consideravam a sua tese como "irreligiosa", já que implica não apenas negar que os animais tenham sido criados por Deus (se assim o fosse, não teriam eles já as formas mais perfeitas que fossem possíveis?), como também retira ao ser humano aquele papel principal que a Bíblia lhe dá, fazendo dele somente mais uma das muitas criaturas que existiam neste mundo - o que, como é óbvio, não poderia deixar de contrariar as ideias defendidas pelo Cristianismo. Como tal, entre aceitar uma boa teoria ou as ideias de um livro que ainda alguns consideravam ter sido escrito por Deus, existiram - e, estranhamente, até continuam a existir - os que pura e simplesmente optaram pelo segundo caminho.

 

Mas porque o fizeram? Porque existia, e continua a existir, gente que defende a ideia de uma criação face à evolução? Não podemos deixar de tentar propor uma resposta - A Origem das Espécies e A Descendência do Homem, de Charles Darwin,  não são, de todo, obras que uma pessoa comum possa pegar a ler. Essa dificuldade leva, naturalmente, a que as teorias deste autor tenham sido julgadas não pelo que efectivamente diziam, mas por uma espécie de sátira dos seus opositores; a ideia de que descendemos de símios poderá, num vácuo, parecer completamente absurda, excepto a quem for ler o segundo livro e vir que o autor a apoia em bases sólidas, que seriam difíceis de explicar excepto se acreditarmos que existe uma qualquer relação, nem sempre fácil de explicar, entre os nossos corpos e os desses animais. E é uma boa tese, uma tese que faz todo o sentido, mas que, ao encontrar-se num livro de difícil leitura, também poucos terão conhecido pelos seus próprios olhos; hoje, também não recomendamos a leitura destes dois livros, excepto por um público especializado, e por isso as verdadeiras ideias de Darwin têm de continuar a ser conhecidas não pelo que verdadeiramente eram, mas por uma forma simplificada do que originalmente defendiam, ao longo de inferências estabelecidas através de muitos exemplos práticos...

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