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Na sua história Dois Irmãos, Giambattista Basile apresenta-nos a figura de um pai moribundo que, escassos momentos antes da morte, deixa um conjunto de conselhos aos seus filhos. Não sabemos até que ponto estes ainda virão dos tempos da Antiguidade (várias das suas histórias têm, pelo menos, uma inspiração inegavelmente latina), mas pela sua simplicidade e eterna actualidade alguns deles merecem aqui ser relembrados:

 

  • "Primeiro, e acima de tudo, temam os céus, porque tudo vem de lá e se perderem o vosso caminho irão acabar mal";
  • "Poupem, quando têm algo para poupar, porque aquele que poupa ganha";
  • "Não falem demasiado, porque apesar da língua não ter ossos pode quebrar um par de costas";
  • "Contentem-se com pouco, porque feijões que duram são melhores do que bolos que rapidamente se esgotam";
  • "Associem-se àqueles que são melhores que vocês e ajudem-nos naquilo que possam - digam-me com quem andam e dir-vos-ei que tipo de pessoas vocês são";
  • "Pensem e depois ajam, porque é má ideia fechar o estábulo depois do gado ter saído";
  • "Fujam das disputas e das querelas, não pisem todas as pedras, porque aquele que salta demasiadas barreiras acaba por ficar com uma presa nas suas costas";
  • "Não tenham orgulho em demasia, porque precisam de mais do que de uma toalha branca para pôr uma mesa";
  • "Afastem-se do rico que se tornou pobre e do pobre que subiu na vida, do pobre desesperado, da mulher invejosa, daquele que adia tudo, [entre tantos outros]";
  • "Façam um esforço para perceber que aquele que tem um objectivo tem um lugar no mundo e aquele que tem senso na sua cabeça pode até sobreviver numa floresta".

 

Estes conselhos são hoje tão actuais como no tempo daquele que os pôs por escrito, mas a humanidade tende a esquecê-los, uma e outra vez. Demasiadas vezes achamos que sabemos melhor, que o nosso caso particular será bem diferente, que a sabedoria daqueles que vieram antes de nós já há muito que está ultrapassada. Mas, infelizmente, tendemos a olvidar que aquele que não aprende com os seus erros está condenado a repeti-los...

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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