Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Mitologia em Português

Mitologia em Português

09 de Março, 2020

A verdadeira origem da CAIXA de Pandora

A expressão "caixa de Pandora" é uma das mais famosas que nos chegaram da Mitologia Grega. Mas, se já foi contado aqui o mito grego associado à própria expressão, uma dúvida poderá permanecer - afinal, como se chegou à ideia que o objecto dado à heroína grega era uma caixa?

 

A versão mais antiga que temos desse mito, a de Hesíodo, aparece na sua obra Os Trabalhos e o Dias. É aí referido que o objecto dado a Pandora foi um πίθος (píthos), o que não é uma caixa, mas cuja forma seria provavelmente assim:

Seria esta a Caixa de Pandora?

Isto faz sentido, porque o mito diz-nos que no seu interior estavam todos os males do mundo, e um píthos era precisamente o tipo de vaso em que os Gregos armazenavam coisas. Que o mito se referia a um recipiente como estes é particularmente perceptível num vaso hoje presente no British Museum, que num dos lados tem pintado a criação desta figura feminina, e num outro tem uma pintura de uma figura feminina totalmente contida dentro do recipiente (se esta será a própria heroína, ou a esperança personificada de que nos fala o mito, é mais discutível). Em suma, segundo a versão de Hesíodo os males estavam, originalmente, contidos no interior de algo que podemos definir como um grande jarro. Mas como se tornou isto uma caixa de Pandora?

 

São várias as possibilidades, mas a mais famosa diz-nos hoje que Erasmo de Roterdão, ao traduzir a agora-famosa expressão, confundiu o significado de duas palavras - πίθος (píthos) e πυξίς (pyxis) - transformando uma espécie de grande jarro em algo com uma forma bastante diferente:

Um exemplo de pyxis

O erro de Erasmo, queiramos ou não, é bem justificado. Quando ele leu o texto em Grego, o contexto de todo o mito poderá ter-lhe sugerido a ideia de uma pequena caixa, mais do que um enorme jarro, que Pandora destapou. Até porque, tradicionalmente, a pyxis tem uma tampa, enquanto que um píthos não... mas se este segundo era um recipiente para guardar algo, faz sentido que em algumas alturas tivesse uma qualquer espécie de cobertura, que a heroína teve de remover para ver o que estava no interior.

 

Este erro aparece nos Adágios de Erasmo, uma obra muito interessante que depressa se tornou famosa por toda a Europa, espalhando com ela a ideia de que a caixa de Pandora era uma pyxis, uma espécie de pequena caixa com tampa, mais do que um píthos, um enorme vaso, e daí a ideia foi-se espalhando e prolongando até aos nossos dias de hoje.

~~~~~~~
Gostas de temas como este? Podes seguir-nos no Twitter, ou receber as nossas novidades no teu e-mail de uma forma simples, rápida e gratuita!



Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.