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Smite é um jogo de batalhas online (pode ser encontrado aqui) que coloca deuses em batalhas uns contra os outros. O aspecto principal do produto é uma ênfase nos diversos panteões, com figuras como Zeus a lutarem contra o egípcio Sobek, ou o Loki nórdico, através de diversos modos de combate. São seleccionáveis figuras de sete panteões diferentes (neste espaço, são de especial relevância os panteões nórdicos, egípcios, latinos e gregos), cada qual com características e poderes que os remetem directamente para os respectivos mitos e funções nas diversas religiões em que participavam, se bem que, ao nível da iconografia, as várias figuras nem sempre são muito consistentes com o que se poderia esperar.

 

Apenas para dar alguns exemplos, Baco ganha poder em função do nível de vinho que consome, e apresenta-se como uma figura com o seu quê de divertido, enquanto que os poderes de Rá advêm da sua função enquanto divindade solar, permitindo-lhe atingir o campo de batalha com poderosos raios de sol. Cupido ataca os adversários com as suas setas, e tem alguns poderes curativos (sob a forma de pequenos corações). Muitos outros são os deuses passíveis de escolha, e a empresa que criou o jogo já deu a entender que novas figuras serão adicionadas no futuro (aquando da escrita destas linhas, Awilix, uma deusa da lua na civilização maia, tinha sido recentemente adicionada), mas, ainda assim, também acabam por ser as figuras que não estão no jogo que nos levam a dar que pensar.

 

Confrontada com a premissa deste jogo, uma conhecida veio-me, quase instantaneamente, perguntar se o deus do Cristianismo era uma das personagens seleccionáveis. Infelizmente não o é, talvez graças ao popular "muitas graças a Deus, poucas graças com Deus", mas esta é uma ténue distinção que nos pode levar a considerar a diferença entre aquilo que é religião e o que é uma mitologia. Se os criadores do jogo se atreveram a colocar figuras hindus no jogo, mas não sem alguma controvérsia, porque não o fazem também para figuras do Cristianismo? É tão grande a distância entre o fundador do Budismo, o Rama hindu, o Jano latino, e uma qualquer figura da religião católica?

 

Claro que é (?!), pela simples razão que, enquanto que o Cristianismo ainda é uma religião praticada, algumas das anteriores se apresentam como essencialmente mortas, como religiões que ninguém defende, e com quem poucos se poderiam ofender. Se o caso do Hinduísmo é muito particular, pelas suas especificidades teológicas, também é essa a grande diferença entre uma religião e uma mitologia; como já cá foi escrito uma vez, uma mitologia é uma religião em quem já ninguém (ou poucos) acredita, sendo-lhe retirado o estatuto religioso, mas mantidas as tramas e figuras originais, que, então, ficam resumidas a meras histórias, como o são o Pinóquio, ou as fábulas de Esopo, ou filmes como Frozen, histórias que ninguém parece pensar que alguma vez tenham tomado lugar.

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9 comentários

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De Anónimo a 31.10.2019 às 16:47

Excelente análise, Eu sou jogador de Smite e sempre tive essa crítica, mas com poucos para debater. Eu via na verdade como uma "naturalização" do comum. Como se todas as outras religiões fossem meros mitos, contos, mas ao encontrar o cristianinsmo, pronto, ali é um Deus de verdade, não é só um mito. Bem, não defendendo que os mitos tenham sido reais e nem que o cristianismo não passe de somente uma histórinha popular temporal, ainda me incomoda essa intocabilidade que foi naturalizada no cristianismo. O que faz muitos cristão serem intolerantes por naturalizarem uma certa superioridade.

Há algumas semanas adicionaram Iemanja e meses atrás Barão Samedi de uma vultura voodoo. Pelo menos me anima que não estejam ficando apenas nas mitologias mais "cool", se é que me entende.
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De mitologia a 03.11.2019 às 15:44

Perdão pela demora numa resposta, mas não temos estado por cá!

A expressão que usou agora, e citamos, "Como se todas as outras religiões fossem meros mitos, contos, mas ao encontrar o cristianinsmo, pronto, ali é um Deus de verdade, não é só um mito", capta bem o problema. É precisamente isso que acontece neste, como em muitos outros jogos. Fomos agora ver a nova listagem de personagens e contém muitas outras, neste momento, do nipónico Amaterasu ao nórdico Ymir, passando por figuras mais divinas do que míticas, como Rama e Ganesha. Mas, se incluem esses deuses venerados pelos hindus, porque não incluem, jamais, figuras cristãs? Em último caso, tudo bem, que deixassem a Trindade fora do jogo, mas porque não os santos? Que legitimidade há para incluir Ravana e Susano, mas não São Pedro ou Jesus? É um pouco inquietante, mas, parece-nos, também desrespeitoso para com as crenças dos outros.
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De Pedro+ a 22.07.2017 às 10:15

QCristianismo n tem so jesus, tem Lucifer os outros 6 principes do inferno, tem O anjo gabriel, Baltazhar, rafael, Miguel, tem mt gente, pq eles n colocam? Pq com o Hinsuismo pode?
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De mitologia a 22.07.2017 às 16:42

É uma boa pergunta, mas não temos a certeza absoluta da resposta. Provavelmente deve-se, como argumentado acima, ao facto de ser uma religião praticada por muita gente? Talvez não considerem correcto equiparar, por exemplo, São Miguel a Zeus ou Odin?
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De Anónimo a 18.06.2017 às 04:50

Poxa.. pode crer!! Pensou.. Jesus andando sobre a agua e deferindo golpes... jogando vinho na cara do thor!!! Suuuper inspirador! Acho que colocaram deuses com poderes.. deuses divertidos.. jesus é muito santinho ue..
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De Anónimo a 18.06.2017 às 04:53

Uee.. Mas Jesus é mito também.. só porque é a religiao que o cara pratica é a unica que nao é mito... '--
Vamos evoluir!!!
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De mitologia a 21.06.2017 às 06:22

Tudo tem a ver com as distinção entre uma mera crença e uma crença que é nossa! ;)
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De Carlos Eduardo a 21.10.2018 às 17:22

Nop, existem provas que Jesus existiu e está voltando e te ama
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De mitologia a 22.10.2018 às 22:43

Ele está a voltar? E que provas existem? Tanto eu, como aqui alguns colegas, ficámos intrigados.

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