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Por volta do ano de 1973 um professor já falecido, Morton Smith, supostamente encontrou uma epístola perdida, da autoria de Clemente de Alexandria, que, de alguma forma, argumentava que dois pequenos episódios tinham sido removidos do Evangelho de Marcos.

É verdade que alguns episódios parecem estar em falta nesse evangelho em particular, e esta descoberta até poderia ser completamente verdade, mas cedo começaram a surgir problemas.

Primeiro que tudo, a epístola nunca foi testada de nenhuma forma, apesar de alguns estudiosos até a terem visto - e fotografado - após a sua descoberta por Morton Smith. Neste momento a epístola já foi removida da sua localização original e está, convenientemente, em parte incerta.

Segundo, as linhas em falta pareciam argumentar que Jesus possa ter tido uma relação potencialmente homossexual com Lázaro - o que nos pareceria muito mais fascinante não se tratasse da enorme coincidência do descobridor da epístola ser, também ele, homossexual.

Em terceiro lugar, a epístola parece terminar no exacto ponto em que Clemente de Alexandria ia explicar ambas as passagens. Seria como se, numa qualquer telenovela, um homem deitado cama de hospital dissesse "Todo o meu tesouro está escondido em..." mesmo antes de falecer.

De uma forma geral, essa sucessão de coincidências é o grande obstáculo a que possamos acreditar na completa veracidade das linhas da Carta de Mar Saba. Até poderão ser completamente verdadeiras, estamos abertos a essa possibilidade, mas... as razões para um cepticismo justificado são também muitíssimo claras.

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Este espaço é da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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