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Este livro merece ser referido por cá dado o seu estranho papel na história da literatura ocidental. Quanto Cervantes escreveu o primeiro tomo do seu Dom Quixote, a obra tornou-se tão popular e famosa que os leitores pareciam suspirar por mais aventuras do seu herói. E elas até surgiram algum tempo depois, não pela mão do autor original, mas pela de um tal "Alonso Fernández de Avellaneda". Essa prática não era proíbida na altura, mas, pelo menos, parecia ser um pouco mal vista, dado que Cervantes ainda estava vivo. Como tal, o autor original depressa escreveu um segundo tomo "oficial", que ainda hoje é incluído nas edições dos nossos dias e em que também critica as falsas aventuras do "outro" Quixote, o de Avellaneda.

 

Nesse contexto, a versão de Avellaneda foi sendo esquecida - não parece sequer existir em tradução portuguesa - e é hoje vagamente criticada como sendo inferior à de Cervantes. Mas será que o é? É uma questão um tanto ou quanto discutível; essa versão apresenta uma ligação muito maior aos antigos romances de cavalaria, fazendo bastantes referências a aventuras como as de Orlando, Amadis, Palmeirim e outros tantos heróis medievais, enquanto que a do autor original abandona um pouco essa ideia no segundo tomo. Ao mesmo tempo, também é uma espécie de desfilar de desapontamentos, com uma oferta de aventuras em que o leitor é repetidamente levado a pensar uma coisa e depois lhe é dado algo completamente diferente - desde se atrasar para torneios, até defrontar gigantes que depressa se tornam donzelas, ou acabar preso numa espécie de clínica psiquiátrica, este é um Quixote bastante desapontante, apesar de ter alguns momentos reluzentes, que poderão agradar a quem ainda gosta de romances de cavalaria.

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