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Este filme passou recentemente na televisão portuguesa, no canal "Cinemundo", sob o nome "Odisseu e a Ilha da Neblina". A sua trama é relativamente simples, apresentando o herói titular nessa misteriosa ilha aquando do seu regresso a casa. São recordados alguns dos episódios da Ilíada e algumas das viagens da Odisseia, mas a história é totalmente nova, apresentando dois elementos dignos de referência.

 

Homero surge aqui não só como um narrador, mas também como um personagem que, na sua juventude, participou nas próprias viagens de Odisseu, que tentou documentar. Se ele não tem qualquer acção crucial no desenvolvimento da aventura, limitando-se repetidamente a referências como "tenho de documentar isto", a ideia desta figura como personagem nas aventuras dos poemas homéricos não é nova - já várias autores da Antiguidade diziam que Homero era familiar de Odisseu, razão pela qual o tinha elogiado tanto nos seus poemas.

 

Ademais, sem querermos contar demasiado da história, ela explica a origem dos vampiros, justificando, por exemplo, o facto de estas criaturas não gostarem da luz solar ou temerem a cruz. Estranhamente, se a trama também faz muitas outras alusões ao Cristianismo - uma personagem chamada "Cristus" parece temer a crucificação; num dado momento podem ouvir-se vagas entoações do cântico "Agnus Dei"; etc. - estas nunca levam a nenhum lado significativo.

 

Este não é, indiscutivelmente, um bom filme, mas poderá agradar àqueles que tiverem 90 minutos livres e quiserem conhecer mais uma história miticamente inesperada.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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