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Este pequeno livro de Miguel Pselo conta, de uma forma muito sucinta, como funcionam os daemones, e daí o seu título. É estruturado como um diálogo entre uma pessoa que sabe (indirectamente) o que está a dizer sobre esse tema e uma que parece querer aprender um pouco mais. Nada apresenta de muito complexo, mas contém alguma informação interessante para quem, como uma das personagens, quiser saber mais sobre como essas intervenções funcionavam. Por exemplo, como é feito um pacto com um daemon? Parafraseando a informação deste livro:

 

Numa data de especial importância, algumas raparigas são levadas para uma casa preparada para o efeito. Depois, transgridem as leis divinas envolvendo-se sexualmente com membros da sua própria família. Quando dessa relação muito pouco natural nasce uma criança, as grávidas encontram-se novamente no mesmo lugar, é feita uma cesariana mortal e o sangue daí resultante é guardado. As crianças são consumidas, o restante dos seus corpos é queimado e as cinzas são misturadas com o sangue das próprias mães. Essa mistela é depois metida em comidas e bebidas, conspurcando quem as consome.

 

É um ritual macabro, horrendo, como o são quase todos do género, mas é mesmo esse aspecto assustador, ilegalmente transgressivo, que supostamente contribui para o seu poder. Felizmente a obra não contém muitos outros momentos tão chocantes como este, sendo uma boa fonte de informação sobre a forma como os daemones (que, aqui, até poderíamos traduzir já como "demónios") eram vistos no século XI. Ainda assim, convém que leitores mais sensíveis a evitem, por razões óbvias.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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