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Os vestidos Elisa [Dido] revolvia,
Que Eneias lhe deixara por memória;
Doces despojos da passada glória;
Doces quando seu fado o consentia.

Entre eles a formosa espada via,
Que instrumento, em fim, foi da triste história;
E como quem de si tinha a vitória,
Falando só com ela, assim dizia:

"Formosa e nova espada, se ficaste
Só porque executasses os enganos
De quem te quis deixar, em minha vida;

Sabe que tu comigo te enganaste;
Que para me tirar de tantos danos
Sobeja-me a tristeza da partida".

 

(Soneto XCVI)

Este poema remete-nos para o suícidio de Dido, após o abandono por parte de Eneias. O episódio foi muito popular na Idade Média, com muitas construções poéticas a nos recordarem da dor desta rainha após a suposta "traição" do herói.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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