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A história do Popol Vuh, por si só, daria tema suficiente para uma dezena de entradas por cá, mas decidimos cingir-nos somente aos elementos mais cruciais. Sabemos então que, na esperança de eliminar as antigas crenças dos Maias, os conquistadores vindos de Espanha decidiram, numa dada altura, queimar todos aqueles livros que foram encontrando na cultura maia, como ilustrado nesta belíssima imagem.

Destruição dos livros dos Maias

Um dos livros destruídos era um Popol Vuh. Contudo, para que a antiga cultura não se perdesse, alguém escreveu um outro livro, hoje conhecido (também) por Popol Vuh, mas com um conteúdo bastante diferente. Como chegou até aos nossos dias terá de ser uma história que fica para outra altura.

 

O que contém, então, a obra a que hoje ainda temos acesso? Trata-se de uma espécie de teogonia, desde a criação de tudo aquilo que existe até aos próprios dias dos seus autores e da presença espanhola no seu território. Apresenta algumas sequências verdadeiramente fascinantes, com eventos que pouco ou nada ficam a dever a romances medievais e a poemas como os de Hesíodo; entre eles contam-se até uma possível origem dos jogos da bola, então jogados com um crânio humano, e uma criação sequencial da humanidade que não pode deixar de nos fazer pensar no "Mito das Idades".

 

Esta é, por isso, uma obra crucial para quem estiver interessado nos antigos mitos da América do Sul, mas cujos vários paralelismos com os mitos europeus também nos podem dar muito que pensar...

 

(P.S.- Este pequeno artigo é dedicado a uma jovem de Porto Rico a quem tínhamos prometido que, um dia, também abordaríamos por cá alguns mitos sul-americanos)

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Para recordar outros tempos, hoje contamos uma pequena curiosidade sobre os Power Rangers que, muito provavelmente, poucos saberão. Na primeira temporada desta série, que estreou originalmente em Portugal há mais de 20 anos, os monstros adversários eram frequentemente baseados na Mitologia Grega. Isso é evidente em alguns casos, como o abaixo, que mostra claramente um Minotauro.

Porém, esta série era baseada num original nipónico, de nome Kyōryū Sentai Zyuranger, em que diversos episódios tinham uma ligação ainda maior aos antigos mitos da Grécia:

Nos dois episódios em que este segundo monstro aparece, ele coloca a diversas crianças, e até aos próprios heróis, um conjunto de enigmas que têm de decifrar. Entre eles conta-se um curiosamente inesperado - "Qual é o ser que de manhã tem quatro pernas, à tarde duas, e à noite três?". A criança a quem foi posto o enigma falha a resposta, e em seguida o monstro revela-lha, mostrando até um pequeno diagrama explicativo. Essa é, como sabemos, a mesma questão que a criatura mitológica tinha posto a Édipo no famoso mito.

 

Mas será que estas ligações mitológicas eram para ser reconhecidas pela audiência? Essa resposta é dada por uma outra personagem da série:

Ou seja, até a própria série, nessa sua versão original, admite que os monstros enviados pela antagonista ("Bandora" no original, mas "Rita Repulsa" na versão ocidental) eram por vezes baseados nos mitos da Antiguidade. Além do Minotauro e da Esfinge apresentados aqui, também na série surgiam Circe, Argos, Ladão, Narciso, Anteu, a Quimera e até um unicórnio, com os respectivos mitos a terem também alguma ênfase na trama de cada episódio. Infelizmente, quase todas essas menções foram alteradas na versão ocidental, com quase todos estes monstros a se tornarem, exclusivamente, meras criaturas anónimas que os heróis iam destruíndo semana após semana.

 

Apetece quase recordar também as famosas palavras de Fernando Pessa - "E esta, hem?!"

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A pergunta pode até parecer estranha, não é? Qualquer pessoa sabe, nos nossos dias de hoje, responder a ela, dizendo que as cegonhas (entre outros pássaros) emigram para sul nos meses frios. Mas isso também nos leva a uma questão mais complexa - como foi isso descoberto? Existiam várias teorias desde os tempos da Antiguidade, até nos textos de Aristóteles, mas... eram teorias, somente isso. Depois, perto do final do primeiro quarto do século XIX, algo de muito pouco vulgar foi encontrado na Alemanha.

Cegonha com lança

Perto da cidade de Klutz foi encontrada esta cegonha, que tinha uma lança parcialmente enfiada no seu pescoço. Dada a origem africana do instrumento guerreiro, foi então - finalmente! - possível perceber que estes animais emigravam para sul, para terras de África, assim evitando os nossos tempos frios europeus. Quanto à singular cegonha que levou a esta descoberta, ainda hoje está alojada na Universidade de Rostock, na Alemanha.

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Muitos são os textos, e até algumas sequências mitológicas, que se perderam nos tempos que nos separam da Antiguidade. Disso já aqui foi falado por múltiplas vezes, mas exemplos de coisas semelhantes continuam a acontecer nos nossos dias. Para dar um exemplo engraçado, abaixo podem ser encontradas duas músicas de filmes da Disney que foram produzidas até um determinado ponto mas que, posteriormente, foram abandonadas e não apareceram nas versões finais das respectivas produções cinematográficas.

 

 

É natural que, ao longo dos tempos, estas (outras) músicas se vão perdendo, eventualmente resumindo-se a nada mais do que referências como "O filme X apresenta uma música sobre Y, mas está hoje perdida". Em coisas como estas, infelizmente, parece que a humanidade ainda não aprendeu a melhor forma para preservar parte da sua identidade cultural.

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Cão a cheirar o rabo de um companheiro

Quem tiver cães certamente que já os viu a cheirarem os rabos alheios... mas porque o fazem? Quem nunca se interrogou sobre esse invulgar comportamento?

 

Essencialmente, contam-nos as fábulas de Fedro que, numa dada altura, os cães enviaram uma embaixada ao pai dos deuses, procurando uma vida melhor para a sua espécie. Porém, quando estes embaixadores viram os deuses com os seus próprios olhos, "descuidaram-se".

Passado algum tempo, e sem que voltassem a ver os embaixadores originais, os cães decidiram enviar um segundo grupo aos deuses. Para impedir que o mesmo voltasse a acontecer, colocaram perfumes nos traseiros dos embaixadores; mas também a nova embaixada, quando viu o poder e o horrendo som dos relâmpagos de Júpiter, fez o mesmo, deixando não só os seus dejectos mas também o perfume no local.

Júpiter, zangado, decidiu então que os cães iriam manter a vida que tinham, ou seja, que iriam passar muita fome, de forma a que não tornassem a cometer o mesmo erro que duplamente tinham feito.

 

Porque cheiram então os cães os rabos alheios? Segundo Fedro, fazem-no provavelmente na esperança de que, quando vêem um cão que nunca viram antes, reconhecerem-nos como parte dos potenciais embaixadores que enviaram aos deuses, e dos quais ainda esperam vir a ter notícias.

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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