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Muitos são os textos, e até algumas sequências mitológicas, que se perderam nos tempos que nos separam da Antiguidade. Disso já aqui foi falado por múltiplas vezes, mas exemplos de coisas semelhantes continuam a acontecer nos nossos dias. Para dar um exemplo engraçado, abaixo podem ser encontradas duas músicas de filmes da Disney que foram produzidas até um determinado ponto mas que, posteriormente, foram abandonadas e não apareceram nas versões finais das respectivas produções cinematográficas.

 

 

É natural que, ao longo dos tempos, estas (outras) músicas se vão perdendo, eventualmente resumindo-se a nada mais do que referências como "O filme X apresenta uma música sobre Y, mas está hoje perdida". Em coisas como estas, infelizmente, parece que a humanidade ainda não aprendeu a melhor forma para preservar parte da sua identidade cultural.

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Cão a cheirar o rabo de um companheiro

Quem tiver cães certamente que já os viu a cheirarem os rabos alheios... mas porque o fazem? Quem nunca se interrogou sobre esse invulgar comportamento?

 

Essencialmente, contam-nos as fábulas de Fedro que, numa dada altura, os cães enviaram uma embaixada ao pai dos deuses, procurando uma vida melhor para a sua espécie. Porém, quando estes embaixadores viram os deuses com os seus próprios olhos, "descuidaram-se".

Passado algum tempo, e sem que voltassem a ver os embaixadores originais, os cães decidiram enviar um segundo grupo aos deuses. Para impedir que o mesmo voltasse a acontecer, colocaram perfumes nos traseiros dos embaixadores; mas também a nova embaixada, quando viu o poder e o horrendo som dos relâmpagos de Júpiter, fez o mesmo, deixando não só os seus dejectos mas também o perfume no local.

Júpiter, zangado, decidiu então que os cães iriam manter a vida que tinham, ou seja, que iriam passar muita fome, de forma a que não tornassem a cometer o mesmo erro que duplamente tinham feito.

 

Porque cheiram então os cães os rabos alheios? Segundo Fedro, fazem-no provavelmente na esperança de que, quando vêem um cão que nunca viram antes, reconhecerem-nos como parte dos potenciais embaixadores que enviaram aos deuses, e dos quais ainda esperam vir a ter notícias.

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Atribuída a um autor bizantino que apenas conhecemos sob o nome de "Elias", esta frase provinda de um comentário às Categorias de Aristóteles dá muito que pensar:

 

"O autor [de um livro] é um caro amigo, mas também a verdade o é, e quando ambos estão à minha frente a verdade é a melhor amiga".

 

O que queria ele dizer com isto? Muitas poderiam ser as interpretações mas... fica ao leitor a sua interpretação, como sempre.

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O tempo da Inquisição foi, como muitos leitores certamente saberão, um tempo de censura de ideias. Obviamente que nessa altura não se podia dizer mal da Igreja, nem se poderiam difundir ideias contrárias às suas, mas quem já se interrogou sobre as razões pelas quais determinados livros foram então banidos? Ora bem, numa obra impressa em Lisboa no ano de 1581, com o esclarecedor título Catalogo dos liuros que se prohibem nestes Reynos & Senhorios de Portugal... Com outras cousas necessarias â materia da prohibição dos liuros, essa questão pode ser, pelo menos em parte, resolvida, já que entre os seus conteúdos está contido um conjunto de nove regras basilares para justificar essa selecção. E são, de forma muito simplificada, as seguintes:

 

1- Livros condenados antes de 1515;

2- Livros dos heresiarcas e de hereges;

3- Traduções de textos em que existam elementos contra a doutrina cristã;

4- A Bíblia em linguagem do povo (se for produzida sem autorização);

5- Livros como Vocabulários, Apotegmas, Índices, etc, em que passagens censuradas podiam ter sido citadas;

6- Livros que tratam de controvérsias entre católicos e hereges;

7- Livros que ensinam coisas "lascivas ou desonestas". Haviam algumas excepções para belas obras "escritas pelos gentios", mas, curiosamente, adiciona-se que mesmo essas "em nenhum caso se lerão aos moços";

8- Livros de boa natureza, mas com passagens heréticas;

9- Livros sobre temas como Geomancia, Hidromancia, etc.

 

Curioso é o facto de se poder proceder de duas formas em relação a livros que violassem estas regras - ou eram totalmente proíbidos (como no caso de Lúcio, ou o Burro de Luciano da Samósata, ou as Metamorfoses de Ovídio, provavelmente pelas transformações mágicas), ou tinham algumas passagens simplesmente "riscadas" (como numa passagem do segundo canto do Inferno de Dante Alighieri). As razões para tais acções são relativamente fáceis de perceber, mas prendem-se, essencialmente, com uma tentativa de defender os costumes e a sacralidade do Novo Testamento. Porém, tais acções também impediam a livre circulação de ideias... o que é sempre de evitar!

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A história do microscópio é longa e complexa, mas a ideia de que existiam seres microscópicos, que não podemos ver à vista desarmada, é muito mais antiga. De facto, Marco Varrão, no seu livro sobre as lides do campo, diz que os terrenos pantanosos devem ser evitados, por lá existirem "certos animalculae [i.e. pequenos animais], invisíveis aos olhos, que aí nascem e, transportados pelo ar, entram no corpo pela boca e pelo nariz, causando doenças que são difíceis de curar".

 

Hoje sabemos que a ideia deste autor estava parcialmente correcta, mas não deixa de ser interessante que há mais de dois milénios já se pensasse em hipóteses como estas!

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Espaço da autoria de Ovídio Silva (Doutorando em Clássicas), e de um anónimo interessado nestes temas.
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