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Quem for a Roma poderá encontrar na Capela de São Zeno da Basílica de Santa Prassede o seguinte mosaico:

Mais do que nos focarmos nas três figuras com coroas solares - duas santas acompanhadas pela Virgem Maria - preste-se é atenção à figura no lado esquerdo. Ténues letras permitem identificá-la como uma Epíscopa Teodo[ra], ou seja, a mãe do Papa Pascoal I. Mas o que representa o rectângulo em redor da sua cabeça? A prática parece ter caído em desuso ao longo dos séculos, mas aqui refere-se ao facto de ela ainda estar viva quando o mosaico foi colocado no local; também o seu filho, como pode ser visto abaixo, tem nesse recinto uma representação com contornos semelhantes.

Interessante, hem?

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Muitos são os mistérios que se escondem nos versos da Divina Comédia, mas hoje focamo-nos na ideia de Virgílio - o mesmo que escreveu a Eneida, entre outras obras - enquanto guia de Dante. Porquê ele, e não Homero, ou Ulisses, ou Eneias, ou uma Sibila, ou até alguma outra figura mais ligada aos conhecimentos do submundo?

 

Não é uma resposta simples, nem uma que se possa sequer dar com 100% de certezas, mas sabemos é que na Idade Média Virgílio era visto como um mago, talvez até como uma das mais famosas figuras mágicas do sexo masculino. Isso poderá dever-se ao facto de as suas obras conterem profecias, uma delas até (supostamente) relativa à vinda de Cristo. Se, então, se acreditava que ele tinha conhecimentos sobrenaturais, faria por isso algum sentido que fosse uma figura pagã indicada para apresentar o mundo dos mortos a um potencial visitante.

 

Mas será, sem qualquer dúvida, esta a razão pela qual Virgílio foi o escolhido? Realisticamente, não sabemos. O seu papel na Comédia poderá ter sido tanto uma consequência, como uma causa, da sua fama enquanto mago. Porém, também poderá ter sido escolhido por se tratar do mais famoso poeta latino de então e, por isso, um bom modelo para o próprio Dante. Muitas outras poderão ter sido as razões, mas as aqui apresentadas são aquelas que, de um modo geral, nos parecem as mais lógicas.

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Normalmente não abordaríamos estes temas, mas dada a gravidade do que aconteceu em Paris nas últimas horas decidimos recordar um incidente passado em Portugal no já-distante século XIX.

Nessa altura, o Mosteiro dos Jerónimos tinha estado abandonado durante vários anos, após a expulsão das ordens religiosas de Portugal. Decidiu começar-se a utilizá-lo para outros fins, e então tentou-se renovar e melhorar todo o edifício. Mas depois, na manhã de 18 de Dezembro de 1878, aconteceu o seguinte:

Mosteiro dos Jerónimos Danificado

No acidente faleceram oito trabalhadores. Acabou por se votar contra a reconstrução do edifício como este estava planeado, mas a realidade é que o Mosteiro dos Jerónimos, com ligeiras alterações, ainda chegou aos nossos dias e é famoso entre todos nós.

Entrada do Museu Nacional de Arqueologia

Como o nosso Mosteiro dos Jerónimos, é possível que também a bela Catedral de Notre-Dame (de que até já cá falámos de um segredo) volte a ter vida um dia. Já não será como antes, mas... há que ter esperança no futuro!

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Um exemplo de papiro mágico egípcio

Na nossa cultura ocidental, eminentemente cristã, existe um certo tabu em relação ao acesso a um conjunto de conhecimentos supostamente místicos. Mas, ao mesmo tempo, certamente que vários leitores também têm curiosidade sobre o conteúdo de rituais como esses. Nesse sentido, o que hoje trazemos aqui é uma tradução de um ritual provindo de papiros mágicos gregos, que presumimos que ainda não exista em língua portuguesa e acessível ao público em geral. Aqui está descrita a fórmula basilar do ritual, mas onde está escrito "NOME" deveriam, naturalmente, ser adicionados os nomes das pessoas em questão.

 

Feitiço de atracção enquanto a mirra está a ser queimada. Enquanto a mirra está a ser queimada no carvão, recite a seguinte fórmula:

 

Páginas e páginas poderiam ser escritas em relação a este ritual, mas cingimo-nos aos elementos mais básicos - trata-se de um ritual de amor, em que o seu autor procurava causar a paixão amorosa de uma determinada mulher. Para tal, é invocada uma divindade, cuja influência sobrenatural é procurada por quem realiza todo o processo. Perto do final, estão até aqui presentes as chamadas "vozes mágicas", um conjunto de nomes e expressões sem tradução real e que, supostamente, eram segredos muito bem guardados, até porque sem eles a invocação nunca poderia funcionar.

 

Rituais como estes assentam sempre numa fórmula de duas partes, composta por algo que tem de ser feito (aqui, a queima da mirra) e por algo deve ser dito (a fórmula acima), pelo que os elementos aqui constantes ocorrem em muitos outros rituais, independentemente das mais diversas funções que pretendiam ter. Portanto, este é um digno representante dos feitiços criados na Antiguidade, e que esperamos que resolva essa curiosidade de muitos leitores em relação aos processos mágicos de outros tempos.

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Estatuetas dos deuses gregosProvavelmente na sequência de jogos como God of War, já muitos foram os leitores que procuraram neste espaço mitos relativos à morte dos deuses gregos. A famosa morte de Zeus já aqui foi falada há muitos anos, mas achámos que já era hora de responder a essa pergunta - afinal de contas, como morreram os deuses gregos?

 

Para responder a essa questão importa, antes de tudo o resto, saber dividir o panteão grego em três grupos diferentes, cada qual com as suas características e destinos bem diferentes.

 

Em primeiro lugar surgem aquelas divindades que são completamente eternas, até pelo facto de a sua presença nos mitos ser muito limitada ou quase inexistente. Figuras como o Caos e Gaia (da Teogonia de Hesíodo), o Motor Imóvel de Aristóteles ou, de um modo mais geral, todas aquelas figuras anónimas por detrás da criação dos vários universos gregos e romanos, nunca morrem, até porque a sua existência é quase puramente etérea.

 

Num segundo lugar poderíamos colocar os mais famosos deuses, figuras como Zeus, Atena, Ares, Afrodite ou Apolo. Quase todos os mitos que temos se referem a eles como imortais, eternos, as únicas entidades que nasceram mas que nunca irão morrer. Porém, o nosso "quase" tem uma forte razão de ser - de acordo com ideias como as de Evémero, nada de divino existia nessas figuras, tratando-se apenas de seres humanos que após a morte, por uma ou outra razão, foram divinizados por aqueles que os conheceram. E, como tal, se quisermos acreditar nessas teorias (de que o exemplo particular de Dioniso é digno de nota - Dinarco até afirma que ele tinha morrido em Argos e sido sepultado em Delfos), os deuses gregos só se tornaram divindades quando o seu corpo físico faleceu, sendo eternos somente na cabeça daqueles que os veneravam como tal.

 

Em terceiro, e último, lugar, poderão então ser colocados alguns dos heróis gregos. Acreditando-se que existiram na carne, só depois da morte física - e somente em alguns casos, frise-se essa excepção - é que foram tornados divindades, às quais alguns crentes prestavam culto. São muito famosos os casos de Herácles e de Aquiles, mas algo de semelhante se passou com Castor e Pólux, Anfiarau, etc. E, nestes casos, a morte (física) naturalmente que precede a própria conversão à forma de deuses, altura em que estas figuras desaparecem quase completamente dos mitos.

 

Então, sumariamente, como morreram os deuses gregos? Não é uma questão simples, mas uma que só pode ser resolvida tendo em conta os elementos muito específicos de cada figura divina. O destino final de Phobos e Deimos, de Hermes e Poseidon, ou até de Mémnon e Ceneu, não podem ser vistos de uma forma brevemente horizontal. Por exemplo, que deus nos poderia parecer mais imortal do que Hades, figura tutelar dos mortos e do submundo? E, ainda assim, Pseudo-Clemente, na sua quinta epístola, refere um túmulo deste deus próximo do Lago Aquerúsia, em Itália...

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Possível imagem do Oráculo de Dodona nos nossos dias

Hoje, decidimos trazer uma publicação um pouco diferente do que é habitual. O Oráculo de Dodona já era conhecido nos tempos homéricos, mas hoje em dia é considerado secundário face ao de Delfos; porém, a ideia essencial por detrás de ambos é semelhante, eram ambos locais em que os crentes podiam fazer perguntas aos deuses e obter respostas divinas. Se em Delfos o deus consultado era Apolo, já aqui o grande interveniente era o pai de todos os deuses, Zeus, que supostamente revelava o futuro através dos movimentos da sua árvore sagrada, o carvalho.

 

Mas agora, por um breve momento, ponha-se uma pequena questão aos leitores. Se tivessem essa possibilidade de saber o futuro, que questões colocariam vocês aos deuses? Será que as vossas perguntas seriam diferentes das que foram efectivamente colocadas a Zeus? Agora, poderão ver aqui cinco pequenos exemplos, provindos de uma edição de Dittenberger disponível gratuitamente online:

 

 

O que estes exemplos nos permitem constatar é que a curiosidade relativa ao futuro, que a humanidade teve e continua a ter, se prende com elementos estáveis da sua existência - questões monetárias, incertezas amorosas, problemas de saúde e outras decisões que têm um grande impacto nas nossas vidas. Talvez não sejamos assim tão diferentes dos Antigos Gregos...

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Por vezes é interessante explorar as pesquisas que as pessoas fazem neste espaço. Há alguns dias alguém no Brasil procurou aqui por "exemplos de mitos urbanos"; raramente nos focamos nesse tema, até porque tornaria ainda mais infindável a nossa busca, mas é curioso constatar que até existem estudos que relacionam os mitos urbanos da Antiguidade com os dos nossos dias. Apenas para dar um único exemplo, poderá ser consultado o artigo De Legendis Urbis: Modern Legends in Ancient Rome, de Bill Ellis.

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